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Campo Grande, Sábado, 20 de Abril de 2019

29/01/2019 06:55

Secretaria alega que bebê está sem ajuda para tratamento porque não acha família

Segundo a secretaria, família muda constantemente e não tem cadastro atualizado

Bruna Kaspary
Por causa das cicatrizes, dedos de Samara ficaram grudados nas palmas das mãos (Foto: Henrique Kawaminami)Por causa das cicatrizes, dedos de Samara ficaram grudados nas palmas das mãos (Foto: Henrique Kawaminami)

A SAS (Secretaria Municipal de Assistência Social) alega que não consegue dar apoio para o tratamento da bebê, de 1 ano e 4 meses, que ficou com os dedos da mão colados depois de um incêndio porque não consegue localizar a família. A mãe teria direito a quatro vales transporte por dia que fosse ao hospital.

Através da assessoria de imprensa a secretaria explicou que, na época em que o incêndio aconteceul, a equipe responsável pela área conseguiu encontrar a família e até prestou a assistência possível, mas depois, quando foi fazer o acompanhamento, não localizou mais a casa.

Posteriormente, a equipe encontrou com Lucimara Cristina de Arruda, de 26 anos, em rua do bairro Dom Antônio Barbosa, onde a mãe mora com cinco filhos. Ela foi orientada a atualizar o cadastro no Cras (Centro de Referência em Assistência Social), segundo a SAS. Mas, a mulher não tomou tal providência, ainda conforme a secretaria.

Por meio da assessoria de imprensa, a pasta completou dizendo que a família muda muito de endereço e que há algumas denúncias Conselho Tutelar contra a mulher.

De acordo com Lucimara, mãe de Samara, o bebê ferido, a atualização foi feita, tanto que ela passaria a receber mais mensalidades do programa Bolsa Família, porque os nomes de alguns filhos que não estavam na lista foram incluídos.

Transporte - Ainda conforme a secretaria, como ela não apareceu novamente em nenhuma unidade de assistência social, também não houve o pedido de auxílio para o tratamento da menina. Caso solicitado, a SAS pode disponibilizar até quatro passes de ônibus todos os dias para que ela leve a filha ao hospital.

A limitação ao número de vales disponibilizados está ligada a um decreto que estabelece que o auxílio transporte é destinado apenas para o paciente e um acompanhante, o que ainda não seria suficiente para custear a viagem de todos os irmãos de Samara.

Couro cabeludo da menina também foi queimado durante o incêndio (Foto: Henrique Kawaminami)Couro cabeludo da menina também foi queimado durante o incêndio (Foto: Henrique Kawaminami)

Lucimara contou em reportagem publicada pelo Campo Grande News no dia 26 de janeiro que teria que levar todas as crianças para o Santa Casa porque precisa estar cedo no hospital e os filhos estudam à tarde.

Para agravar a situação, Samara não é a única a ser atendida naquele horário e isso poderia atrasar a chegada dos mais velhos na escola. “Se eu saio meio-dia de lá, chego em casa só uma hora, e os guris precisam estar na escola esse horário, não vou deixar eles fora da aula”, explica.

A mãe gastaria por ida à Santa Casa ao menos R$ 31,60 com as passagens, uma vez que ela e três dos cinco filhos pagam para usar o transporte coletivo, cuja tarifa cusra R$ 3,95.

Prontuário - Na Santa Casa, o prontuário de Samara deixa dúvidas quanto ao tratamento. A menina foi liberada com recomendações médicas, mas não está detalhado no documento quais seriam. Outro agravante é o fato de que ela apareceu somente uma vez para dar continuidade no tratamento e, na semana seguinte, quando estava marcado o retorno, ela não foi.

Nesse final de semana, Lucimara recebeu uma ligação de um funcionário do hospital que se disponibilizou para ajudar a levar a menina na Santa Casa para dar continuidade no tratamento.

Incêndio - O incêndio no imóvel localizado na Rua Elídio Pinheiro foi registrado na manhã do dia 10 de julho. Uma vizinha relatou que acordou com gritos de crianças alertando sobre o fogo. Ao sair de casa para saber o que acontecia, a cena foi desesperadora: outros vizinhos ajudando as crianças a sair de casa tentando quebrar portas e janelas.

Devido ao fogo, o teto desabou e a estrutura da casa foi comprometida. Samara teve queimaduras de primeiro e segundo graus e ficou com internada na Santa Casa por quase um mês.



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