ACOMPANHE-NOS    
JULHO, QUARTA  28    CAMPO GRANDE 

Capital

Sem medicação, HR cancela quimioterapia de paciente com câncer raro

Para família, hospital informou que aceitaria doação das 42 ampolas necessárias para uso na sessão desmarcada

Por Lucia Morel | 23/06/2021 16:05
Rosimery e a filha, Larissa. (Foto: Arquivo pessoal)
Rosimery e a filha, Larissa. (Foto: Arquivo pessoal)

Sem medicamento para realizar quimioterapia, o Hospital Regional de Mato Grosso do Sul cancelou a internação da paciente Rosimery Machado, de 42 anos, que hoje começaria a sexta sessão do tratamento. Ela foi diagnosticada há cerca de oito meses com um câncer raro – linfático de garganta e também tem leucemia.

Desesperada, a filha dela, Larissa Machado Naban, de 25 anos, procurou o Campo Grande News na tentativa de conseguir apoio para a compra da medicação em falta – que totaliza R$ 7 mil – ou que outras unidades de saúde doem a Citarabina para o HR e Rosimery possa então passar pela quimio.

Ela precisa de 42 ampolas para esta sexta sessão, que deveria começar hoje com a internação. São cinco dias no hospital para as aplicações medicamentosas e dependendo das condições de Rosimery, mais cinco dias para se recuperar e poder receber alta.

“A assistente social telefonou ontem avisando que minha mãe não ia internar porque estavam sem a Citarabina. Mesmo assim, hoje fui lá, com a malinha dela e tudo, pra entender o que está acontecendo, mas não teve jeito”, contou Larissa, que é técnica de enfermagem.

A mãe dela já passou por cinco sessões das oito inicialmente agendadas. Nesta sexta, que começaria hoje, a médica já havia avisado que os efeitos colaterais seriam sérios e que Rosimery ficaria bastante rebaixada e abatida.

Rosimery em uma das sessões de quimioterapia. (Foto: Arquivo pessoal)
Rosimery em uma das sessões de quimioterapia. (Foto: Arquivo pessoal)

Larissa disse ainda que devido a gravidade dos cânceres, quando termina uma sessão, dias depois a garganta dela apresenta inchaço e ela começa a ter dificuldades em engolir e respirar. “A quimioterapia é urgente pra ela”, afirma.

A jovem comentou também que já procurou a medicação na Casa da Saúde e na Sesau (Secretaria Municipal de Saúde), mas não há. “No hospital disseram que ninguém tinha, mas eu fui atrás pra tentar comprar então. Fica R$ 7 mil. Eu não tenho esse dinheiro”, lamentou, ressaltando que o HRMS informou que se ela levasse a medicação, como doação, seria possível realizar a quimioterapia.

Ela disse ainda que procurou a Defensoria Pública de Mato Grosso do Sul na tentativa de pedir na Justiça a medicação, mas o procedimento exige documentos que precisam de assinatura da médica de Rosimery. No entanto, a médica teria dito que não assinaria.

Resposta - o Hospital Regional informou que não tem data para que os tratamentos quimioterápicos sejam retomados e que está "tentando enviar esses pacientes para outros hospitais para que possam dar continuidade no tratamento".

Informou ainda que empresa fornecedora do medicamento em falta, a Accord Farmacêutica LTDA, deixou de entregar quatro de seis lotes que estavam previstos. "Com a ineficiência da empresa, a aquisição de Citarabina 1g está em processo emergencial (27/005.449/2021) e em fase de cotação", ressalta a instituição.

No entanto, "até o momento não houve nenhuma cotação válida (as empresas não quiseram participar)", sendo que diante do quadro, "não há previsão de normalização do estoque, haja vista que não temos cotação até a presente data".

Em nota, o hospital informou ainda que "a falta de medicamentos não é um problema pontual do HRMS, assola todo o Brasil. A pandemia afetou sobremaneira o setor farmacêutico, que necessita de importação de insumos químicos e matéria prima para a fabricação de medicamentos".

Matéria editada às 16h42 para acréscimo de informação do HRMS.

Nos siga no Google Notícias
Regras de comentário