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Capital

"Sempre esteve lotado", diz passageira em 1º dia com ônibus liberados 100%

Decreto que limitava capacidade dos ônibus foi revogado na segunda-feira

Por Ana Oshiro e Bruna Marques | 28/09/2021 08:00

Nesta terça-feira (28), primeiro dia em que os ônibus e terminais podem funcionar normalmente, com lotação máxima, usuários do transporte coletivo enfrentam fila e aperto nos veículos. Mas de acordo com os passageiros, nada disso é novo, já que a capacidade reduzida nunca foi respeitada.

No vídeo acima, é possível ver parte da movimentação no Terminal Hércules Maymone, na manhã desta terça. Com ônibus lotados, a aposentada Elisabete Waldow, de 64 anos, faz a comparação clássica do transporte coletivo com latas de sardinha. "Acho uma pouca vergonha para uma cidade que é uma capital, só cresce e não tem melhorias. É mais apertado que lata de sardinha", desabafou Elisabete, que recorreu aos ônibus para ir até uma clínica fazer sessões de fisioterapia.

"Não teve respeito, dia e nem horário nenhum. Sempre esteve lotado, nunca respeitaram a capacidade reduzida. Horário de pico ou não, tudo lotado", reclamou a cuidadora Nilceia Maria Sousa Costa, de 53 anos, que pega ônibus no Terminal Morenão todos os dias para ir e voltar do trabalho.

Ônibus saindo lotado do Terminal Morenão. (Foto: Henrique Kawaminami)
Ônibus saindo lotado do Terminal Morenão. (Foto: Henrique Kawaminami)

Criticando a situação e com medo de contrair a covid-19, Nilceia defende que o ideal seria ter mais veículos para a população. "O certo a ser feito é voltar como antigamente, mais ônibus nas linhas, pra não ter aglomeração. Eu tenho medo do contágio, a gente tem que se segurar pra não cair e é álcool na mão toda hora", finalizou.

Auxiliar de cozinha, de 28 anos, Carolina Pereira da Silva não concorda com a revogação do decreto que limitava a capacidade dos ônibus em 70% da lotação permitida. "Não era hora de voltar a carregar 100%, é um absurdo e desrespeito com quem trabalha e depende do ônibus. Hoje, tá lotado como sempre esteve", disse Carolina,

Segundo Máxima Lescano, de 41 anos, que trabalha como ajudante de azulejista, não dá nem para se mexer dentro do transporte coletivo. "Eles tinham que aumentar a quantidade de ônibus. Não dá nem pra se mexer de tão cheio. Essa situação é bem complicada, todo dia tem que trabalhar e todo dia tá lotado. Ficamos com medo por conta da doença", contou Máxima.

Terminal Hércules Maymone lotado na manhã desta terça-feira. (Foto: Henrique Kawaminami)
Terminal Hércules Maymone lotado na manhã desta terça-feira. (Foto: Henrique Kawaminami)

Consórcio Guaicurus - "Toda vida respeitamos a limitação, da nossa parte tinha um compromisso, materializado pelo plano de biossegurança, que tava sendo acompanhado pela imprensa, pelos órgãos públicos. Se em algum momento foi desrespeitado, foi de forma muito pontual", garantiu João Rezende, presidente do Consórcio Guaicurus, responsável pelo transporte coletivo em Campo Grande.

De acordo com Rezende, não há expectativa de aumentar o número de veículos, já que com a liberação da lotação máxima, os ônibus podem transportar agora 30% a mais de pessoas, mas que a frota pode aumentar de acordo com a necessidade e a demanda de passageiros.

"Quem tiver alguma reclamação de lotação, pode entrar em contato com a gente pelo telefone 3316-6600, é um atendimento 24h. Nós temos interesse em saber onde está mais cheio e em quais horários, pra melhorarmos o serviço, então, é só ligar que vamos apurar e analisar cada situação", finalizou João Rezende.

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