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Capital

Sete anos depois, polícia conclui inquérito sobre quem mandou matar delegado

Investigação reaberta este ano concluiu que morte foi encomendada. Autores do crime estão foragidos.

Por Marta Ferreira | 01/09/2020 21:00
Cena do crime. Paulo Magalhães, delegado aposentado, executado ao buscar a filha na escola, em 2013. (Foto: Arquivo Campo Grande News)
Cena do crime. Paulo Magalhães, delegado aposentado, executado ao buscar a filha na escola, em 2013. (Foto: Arquivo Campo Grande News)

Quatro meses depois da reabertura autorizada pela Justiça Estadual, em abril deste ano, foi concluído pela Polícia Civil de Mato Grosso do Sul o inquérito para investigar os mandantes da execução do delegado aposentado Paulo Magalhães, ocorrida há 7 anos . Ele foi fuzilado, aos 57 anos, quando buscava a filha na escola, no Jardim dos Estados, em Campo Grande, no fim da tarde de 25 de junho de 2013.

Em 2018, o pistoleiro José Moreira Freires  foi condenado  como executor do assassinato, mas não foram apontados os autores da encomenda. Ele está foragido e figura na lista dos criminosos mais procurados do País.

Conforme a investigação jornalística apontou, para as autoridades responsáveis pela operação Omertà, “Zezinho" agiu a mando dos chefes da organização criminosa alvo da ação, Jamil Name e Jamil Name Filho. Pai e filho foram indiciados agora como autores do mando do homicídio.

Na conclusão da peça investigatória, o ex-deputado estadual Jerson Domingos, atual conselheiro do TCE (Tribunal de Contas do Estado), cunhado de Jamil, também é indiciado pela Polícia.

Todos foram alvos, em junho, de mais uma fase de Omertà, quando Jerson chegou a ser preso e teve o celular apreendido. Ele foi solto um dia depois. No aparelho, segundo levantado, há conversas que colocam Domingos como envolvido na execução.

O entendimento levado à justiça é de que a execução do delegado teve seis envolvidos comprovados.

"À vista das provas e elementos apresentados, entendemos que os responsáveis imediados pelo homicídio de Paulo Magalhães Araújo foram: José Moreira Freires, Rafael Leonardo dos Santos e Antônio Benites Cristaldo, enquanto que os autores mediatos do crime, ou seja, quem tinha interesse em ver a vítima morta e pagaram pela sua execução foram: Jamil Name, Jamil Name Filho e Jerson Domingos", diz trecho do inquérito policial.

O advogado de Domingos, André Borges, foi procurado para falar do caso e não foi localizado. O defensor de Jamil Name, Tiago Bunning, disse não ter conhecimento da acusação.

Antônio Benites Cristaldo chegou a ser julgado e foi absolvido. Rafael Leonardo foi executado após o crime e teve o corpo mutilidado e jogado no lixão.

Todo o procedimento corre em sigilo. A força-tarefa da Polícia Civil é integrada por cinco delegadas, sediada no Garras (Delegacia Especializada de Repressão a Roubo, Assaltos e Sequestros). O Gaeco (Grupo Especial de Atuação e Combate ao Crime Organizado) é o responsável pelo trabalho no MPMS (Ministério Público de Mato Grosso do Sul).

José Moreira Freires e Juanil Miranda Lima, em material da operação Omertà, que investiga milícia armada. (Foto: Reprodução de peça processual))
José Moreira Freires e Juanil Miranda Lima, em material da operação Omertà, que investiga milícia armada. (Foto: Reprodução de peça processual))

Andamento - A reportagem confirmou que o  inquérito está relatado, desde a semana passada, ou seja, foi enviado para apreciação do MPMS, responsável por oferecer a denúncia criminal por homicídio doloso. Depois dessa fase, o caso vai para a análise do magistrado responsável, Aluízio Pereira dos Santos, titular da 2ª Vara do Tribunal do Júri.

Aluízio foi o responsável pelo processo que condenou os executores, a 18 anos de reclusão. “Zezinho” e Juanil também  são réus pelo assassinato de Matheus Coutinho Xavier, atribuído à organização criminosa investigada na Omertà. O jovem, de 21 anos, foi morto por engano, já que o alvo era o pai, o capitão reformado da Polícia Militar, Paulo Roberto Teixeira Xavier, desafeto da família Name.

Como os dois estão foragidos, o processo em relação a eles está suspenso. Os outros envolvidos, entre eles Jamil Name e Jamil Name Filho vão ser levados a júri  em 28 de outubro. ai e filho estão desde o ano passado na penitenciária federal de Mossoró (RN), no regime mais rígido de cumprimento de prisão preventiva, quase sem contato com outras pessoas.

Julgamento no STF - Name teve mais um pedido de habeas corpus julgado pela 1ª Turma Criminal do STF (Supremo Tribunal Federal) nesta terça-feira (1). A solicitação de transferência para o sistema prisional estadual, que havia sido concedida em liminar do ministro Marco Aurélio, foi rejeitada por quatro votos a 1. Mesmo que fosse concedida, Name tem outra ordem determinando a permanência em Mossoró, em razão da descoberta de plano de atentado a autoridades responsáveis pela Omertà.

A operação foi deflagrada em setembro do ano passado e, desde então, já foi responsável por identificar cerca de 50 pessoas envolvidas com duas milícias armadas, uma em Campo Grande, e outra em Ponta Porã, cujo principal nome é do empresário Fahd Jamil, hoje foragido, junto com o filho, Flavio Jamil Georges.

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