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Capital

Só 12 famílias dormem em escola; maioria já voltou para local do fogo

Ontem, 38 foram até local para se alimentar, mas 26 preferiram voltar à favela com medo de perder o que sobrou

Por Natália Olliver e Bruna Marques | 17/11/2023 09:16
Colchões disponíveis a famílias na  Escola Municipal Kamé Almeida (Foto: Bruna Marques)
Colchões disponíveis a famílias na  Escola Municipal Kamé Almeida (Foto: Bruna Marques)

Com medo de perder o pouco que sobrou, apenas 12 famílias dormiram na Escola Municipal Kamé Almeida, localizada no conjunto Habitacional Nascente do Segredo e usada como abrigo emergencial para famílias prejudicadas pelo incêndio que destruiu metade dos barracos na comunidade do Mandela, nesta quinta-feira (16).

Na primeira noite após a tragédia, 38 famílias foram até o local, mas 26 preferiram retornar para a base instalada no local e zelar pelos pertences que ficaram. E os que dormiram saíram cedo para conferir o que será feito na comunidade em prol da população.

A secretária adjunta da SAS (Secretaria Municipal de Assistência Social), Inês Mongenot, disse que para atender os moradores a prefeitura suspendeu as aulas nesta sexta-feira (17) e avisou os pais. No local estão sendo oferecidos alimentação (café, almoço e janta) e banho. As salas foram adaptadas com colchonetes para receber as famílias.

Sobre a não permanência dos moradores durante a noite, Inês pontua que eles também estão amparados na comunidade, que contam com 11 barracas, banheiros públicos e alimentação.

“Nós convidamos e oferecemos aos moradores o espaço, oferecemos refeição, transformamos algumas salas em dormitórios. Alguns moradores não tiveram interesse em ir na escola e ficaram na favela. Lá também estamos com um polo de atendimento para entender como está a organização das famílias. Alguns estão indo para casas de familiares próximos.”

Carolina Nascimento perdeu tudo com o incêndio nesta quinta-feira (Foto: Marcos Mluf)
Carolina Nascimento perdeu tudo com o incêndio nesta quinta-feira (Foto: Marcos Mluf)

Carolina Nascimento, de 33 anos, é uma das que foi até o abrigo emergencial passar a noite e retornou à comunidade na manhã desta sexta-feira (17).  A estagiária de enfermagem mora há 7 anos na favela. Mãe de filhos com 7 e 12 anos, ela perdeu tudo com o incêndio.

Decidiu ir para lá porque não sabia o que ia acontecer daqui pra frente, os pais são idosos e ela precisava descansar. Ela voltou hoje de manhã para saber qual vai ser o procedimento por parte da prefeitura. “Vou retornar novamente pra escola porque não quero continuar na comunidade. Eu quero morar com dignidade, com conforto pra minha família também”.

Aulas - A assessora especial de gabinete do secretário de Educação, Lucas Bitencourt, Divina Cândida, explicou que a reposição de aulas ainda não está sendo pensada pela secretaria, pois agora é momento de ajudar as famílias atingidas.

Inês Mongenot, secretária adjunta de assistência social de Campo Grande (Foto: Bruna Marques)
Inês Mongenot, secretária adjunta de assistência social de Campo Grande (Foto: Bruna Marques)

“Vamos pensar nisso em todo momento, porque agora é o momento de resolver, atender da melhor forma as nossas crianças, escolhemos a escola mais próxima da região. Quanto à reposição de aulas, vai ser em um segundo momento. Todos os pais foram avisados, nós ligamos. E aqueles que não atenderam hoje a diretora da escola deixou seis funcionários para orientar os pais.”

Doações - A secretária adjunta ainda agradeceu a solidariedade dos campo-grandenses, que estão procurando. “Muitas gente está procurando pra fazer doações. Nós temos um FAC, um ponto fixo no Cras Estrela do Sul, onde estamos concentrando as doações pra fazer a distribuição da melhor forma. Tem chegado bastante roupa, alimentação".

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