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Campo Grande, Sábado, 16 de Dezembro de 2017

18/02/2011 20:32

Soltar pipa no Marabá é comum entre adolescentes, muitas com cerol

Paula Vitorino

Motociclista ferido com linha de cerol no bairro continua internado na Santa Casa

Soltar pípa é comum no Jardim Marabá. Garotos utilizam cerol para disputar cada pipa. (Foto: João Garrigó)Soltar pípa é comum no Jardim Marabá. Garotos utilizam cerol para "disputar" cada pipa. (Foto: João Garrigó)

Ver uma, duas ou até mais pipas voando pelo Jardim Marabá, em Campo Grande, é rotina para os moradores da região. Ao ver o ponto colorido no céu, as crianças correm para tentar alcançar a pipa. Mas a brincadeira inofensiva pode se tornar perigosa muitas vezes devido ao cerol, passado na linha.

O cerol é utilizado pela maioria dos garotos para “torar” a linha de outras pipas, consideradas como “adversárias”. Mas o material também poder cortar e ferir motociclistas, ciclistas e até pedestres que passam pelo local.

O motociclista Vagno Ferreira da Silva, de 25 anos, foi mais uma vítima da linha com o material cortante, na tarde de hoje (18), no jardim Marabá. Ele foi levado para a Santa Casa após a linha fazer um corte profundo no seu pescoço.

Brincadeira – Uma turma de amigos, entre meninos de 4 e 14 anos, do Jardim Marabá, contou a reportagem do Campo Grande News que soltar pipa é uma das brincadeiras mais comuns no bairro.

Em frente de casa ou nas praças, os garotos se reúnem diariamente para a pratica, que é tida como “inofensiva” pelos adolescentes.

Para os garotos a diversão maior em brincar de pipa é conseguir “torar” as pipas de outros da região e, para isso, o cerol é utilizado na linha frequentemente.

“A gente só passa na parte da frente da pipa, é só um pedaço da linha que fica com cerol”, explicam.

Um dos garotos, de 13 anos, ainda esclarece que o material não é passado em toda a linha “para não ter o perigo de cortar um motoqueiro que passar”.

Linha com cerol fica amarelada e mais grossa. (Foto: João Garrigó)Linha com cerol fica amarelada e mais "grossa". (Foto: João Garrigó)

Os meninos conhecem os acidentes provocados pelo cerol, mas afirmam nunca terem presenciado algum e acreditam que suas pipas não oferecem risco. No entanto, os três garotos de 13 e 14 anos do grupo afirmam já terem cortado o dedo com a linha e mostram as cicatrizes.

Sobre deixar de usar o material, o adolescente de 14 anos justifica dizendo que “sem cerol, não tem graça. Os outros moleques vêm e ‘tora’ a sua pipa”.

Empinando sua pipa, o garoto ainda dá a receita para fabricar o cerol. “Pega o vidro, soca e deixa tipo pó, aí mistura com qualquer tipo de cola e coloca um pouco de água. Geralmente quebro copo para pegar o vidro”, diz.

Ele ainda confessa que a polícia já o enquadrou quando estava soltando pipa. “Levaram minha pipa e a linha, mas depois eu fiz outra e continuei soltando”.

Reclamações - O grupo de garotos diz que seus pais sabem que eles soltam pipa e todos “deixam”. Mas os moradores do bairro com quem a reportagem conversou disseram não aprovar a brincadeira, que seria um problema na região.

“Tem muitos soltando pipa por aqui. A gente não gosta, é um perigo, mas não podemos fazer nada. Meu genro já quase sofreu um acidente com cerol. A linha cortou o capacete dele, mas por pouco não pegou seu pescoço”, diz Raimunda Tereza de Jesus, 54 anos.

A reportagem conversou com o padrasto de um dos meninos que solta pipa no bairro e ele disse desconhecer que o garoto usa cerol na linha. Ele não quis se identificar e também afirmou não achar problema em os adolescentes brincarem de pipa no bairro.

Vítima - O motociclista Vagno Ferreira da Silva, de 25 anos, continua internado na Santa Casa após o acidente com a linha de cerol nesta tarde.

Sua esposa, Tassia Luges Vicente, 24 anos, aguarda notícias sobre o estado do marido, que teve de passar por cirurgia.

“Não falei com ele depois do acidente e os médicos disseram que durante a recuperação ele terá de usar um aparelho na garganta e não poderá falar. Não sei ainda como vai ficar a fala dele”, conta.

Ela não soube detalhar qual tipo de aparelho precisará ser utilizado na recuperação, mas informou que o equipamento não é fornecido pela Santa Casa e os familiares terão de tentar providencia junto aos SUS (Sistema Único de Saúde) ou comprar.

Tássia espera resposta de médicos sobre estado de saúde do marido ferido pela linha com cerol. (Foto: João Garrigó)Tássia espera resposta de médicos sobre estado de saúde do marido ferido pela linha com cerol. (Foto: João Garrigó)

Tassia e a vizinha Floricy Dias, de 22 anos, contaram que acidentes com cerol no bairro são constantes, mas Vagno foi o primeiro caso grave que ficaram sabendo.

“É comum os meninos com cerol por lá. Domingo passado um garoto tinha feito um corte fundo no dedo com a linha de cerol”, conta Floricy.

O acidente com Vagno aconteceu em uma das ruas do Jardim Marabá, por volta do meio-dia, quando ele seguia para o trabalho. Mesmo machucado, Vagno conseguiu chegar até a Unidade Básica de Saúde do bairro, mas como era horário de almoço, apenas o guarda do local estava no posto.

“Escutei um barulho de alguém caindo, mas achei que não fosse nada. Aí começaram a bater na porta pedindo socorro e quando fui ver o homem estava com a linha pendurada no pescoço”, conta o guarda.

Vagno chegou ao local com toda a linha da pipa sendo arrastada e um pedaço preso em seu pescoço.

Uma paciente do local ajudou a socorrer a vítima e pediu socorro no posto. “Coloquei ele deitado no banco, cortei a linha, e coloquei um lençol em cima dele por causa do sangue. Ele não conseguia falar”, lembra o guarda.

O Samu (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência) foi chamado e prestou os primeiros socorros ainda na unidade de saúde.

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no vale itacaiunas tem bastante soltadores de pipas com cerol cade a policia
 
rafael miranda dos santos em 06/06/2011 08:55:26
eu acho que as autoridades tenham que proibir venda de linhas para esses delinquentes ( caso o comerciante vender punilo severamente ) ( ate quando pais de familia e trabalhador vao se ferir e ate morrer com essas linhas de cerol )
 
ROBERTO CARLOS DE OLIVEIRA em 20/02/2011 06:51:10
( o certo e aprendender todos pais maes avos etc,,,
r
 
ROBERTO CARLOS DE OLIVEIRA em 19/02/2011 05:27:09
ESSE PROBLEMA NÃO É EXCLUSIVIDADE DO MARABÁ, NO TAQUARUSSU OS GAROTOS MOEM VIDRO E ESTENDEM A LINHA EM UM LONGO TREICHO DA RUA A LUZ DO DIA SOB A LENIÊNCIA DA POPULAÇÃO E DA POLÍCIA, EU MESMO JÁ LIGUEI NO 190 POR DIVERSAS VEZES E SEMPRE OUÇO QUE A VIATURA MAIS PRÓXIMA IRÁ AVERIGUAR, O QUE DE FATO NUNCA OCORREU, OS GAROTOS VÃO EMBORA QUANDO A LINHA COM CEROL SECA! ENFIM, MORTE DE POBRE E EFICIÊNCIA SÃO DUAS COISAS DAS QUAIS NOSSO PAÍS NÃO SE IMPORTAR!
 
André Salgado em 19/02/2011 01:48:45
E triste pois, são vidas em perigo, e o absurdo de tudo isso, e que a comunicação por muitas vezes alertas, falta o que para esse jovem se educar ?, o pior que punição da lei tem, o que falta?, mais rigidez da lei, e o pior que não são só crianças vejo tantos barbados soltando pipas que me revolta, vejo a policia atuando tomando linhas com cerol, mais será que suficiente!!!.
 
jeferson medeiros em 18/02/2011 10:36:21
eu acho uma plena falta de educação todo mundo sabe que é ilegal soltar pipa com cerol. O vagno era meu amigo, queira Deus que ele saia dessa bem, tomara que Deus estaja dando forças a ele. Mas poderia ser com o amigo desses pessoal que nao tem o que fazer. porque pra mim isso eh serviço de quem não tem o que fazer nada. Da serviço pra esses bando de desocupado prara ver se isso acontece!!!!
 
Jean Ramalho em 18/02/2011 10:15:01
Aqui na Vila Nasser tem meninos barbados e tatuados que também adoram soltar pipas. Com cerol, claro!
 
Reginaldo Torres em 18/02/2011 09:37:56
quando for considerado crime soltar pipa de qualquer especie e algum pai for pra cadeia o pesoal vai começar pensar melhor em soltar pipa.
 
Roiclei adriane silva souza em 18/02/2011 08:40:35
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