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Campo Grande, Terça-feira, 22 de Janeiro de 2019

11/04/2017 12:45

‘Sonho’ do comércio próprio motivou quadrilha presa por roubos de casas

Com autoria confirmada em três casos de repercussão em Campo Grande, quarteto é investigado em outras quatro ocorrências: objetivo era juntar dinheiro para abrir oficina e lava jato

Rafael Ribeiro
Armas, máscaras, celulares e até luvas: quadrilha é investigada em outros quatro roubos (Fotos: Rafael Ribeiro)Armas, máscaras, celulares e até luvas: quadrilha é investigada em outros quatro roubos (Fotos: Rafael Ribeiro)
Veículo Gol (à esquerda) utilizado pela quadrilha nos crimes também foi roubado de uma família Veículo Gol (à esquerda) utilizado pela quadrilha nos crimes também foi roubado de uma família

O sonho era o de abrir uma grande oficina, com lava jato e funilaria. Mas o meio encontrado foi o pior possível. Policiais civis da Derf (Delegacia Especializada de Repressão a Roubos e Furtos) desmantelaram na manhã da última segunda-feira (10) uma quadrilha especializada em invasão e roubos de casas que vinha atormentando Campo Grande. Até aqui são três casos confirmados como praticados pelos quatro acusados. Outros quatro crimes do tipo ainda são investigados como suspeitos de serem de autoria dos ladrões.

Isaías Paulo de Oliveira, 42 anos, veio da região metropolitana de São Paulo para se aventurar no tráfico de drogas. Acabou preso e, durante a detenção no presídio da Gameleira, conheceu Welyson Marques Andreu, 21, já conhecido pelos roubos cometidos na Capital.

Fora do presídio, ambos mantiveram a amizade. Isaías chamou dois primos, os irmãos Adriano Fernandes de Oliveira, 20, e Wesley Fernandes de Oliveira, 18, e juntos mantinham o sonho de abrir o comércio próprio. Faltava o dinheiro. E o meio para obtê-lo não poderia ser outro senão no ramo em que estavam acostumados.


Segundo o delegado Carlos Delano, da Derf, o quarteto vem cometendo uma série de crimes de repercussão em Campo Grande. O primeiro deles em 5 de março. Um homem de 26 anos foi abordado naquela manhã junto da mulher e os dois filhos no Jardim Colorado e teve seu Gol preto roubado.


Foi com esse veículo que os outros dois crimes já identificados foram cometidos. Um mês depois, em 3 de abril, três dos acusados invadiram uma casa na Vila Moreninha II , renderam mãe e filha, de 48 e 26 anos, respectivamente, e as amarrou com cordas. Procuravam objetos de valor e iriam fugir na caminhonete da família. Mas chamaram a atenção dos vizinhos, que conseguiram anotar parcialmente a placa do Gol antes do bando arrancar com o carro.

Welyson, Adriano, Wesley e Isaías (da esquerda para a direita) moravam na mesma casa, na Vila ProgressoWelyson, Adriano, Wesley e Isaías (da esquerda para a direita) moravam na mesma casa, na Vila Progresso

Dois dias depois, os bandidos agiram no Parque Residencial Iraci Coelho Neto. Renderam naquela manhã um homem de 37 anos que deixava sua casa para deixar a filha, de 7, na escola. Três dos integrantes do bando entraram na Hilux prata da família, que foi colocada em um Ônix preto onde ficaram reféns por cerca de seis horas até que um comparsa ligou e os avisou de que a caminhonete já estava no Paraguai.

“É o pior tipo de situação que pode haver em um roubo, pois priva as pessoas de suas liberdades além de lhes tomar os bens”, disse Delano.

Fuga em vão – As investigações da Derf levaram as equipes até uma casa na Vila progresso, onde todos os membros da quadrilha moravam, junto de outros familiares.

Ao perceber a aproximação policial, Isaías, com o braço quebrado, foi um dos mais ousados. Mesmo engessado pulou o muro que separa o terreno de sua residência, mas acabou capturado.
Dentro do imóvel, os policiais não tiveram dificuldade em encontrar um revólver calibre ponto 38 e uma pistola calibre ponto 765, ambas municiadas, usadas nos crimes.

Também localizaram celulares e o mais impactante: duas máscaras que os bandidos usaram em algumas das ações para tentar esconder a verdadeira identidade. O Gol também estava estacionado na casa.


Os quatro detidos foram indiciados por associação criminosa, roubo e porte ilegal de arma de fogo. Ficarão à disposição da Justiça. Durante as buscas, mais uma surpresa: o dinheiro obtido com os roubos de fato estava sendo investido no sonho do negócio próprio. Os dois líderes da quadrilha já haviam contratado contador para dar entrada na abertura de CNPJ da futura empresa.


Segundo Delano, as investigações continuarão. A polícia quer esclarecer os quatro casos em que são suspeitos e têm as mesmas características de atuação, além de comparsas, como um travesti relatado pelas vítimas como um dos autores no roubo de 5 de abril.



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