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Capital

STJ manda soltar “gerentona” que tinha salário de R$ 10 mil no jogo do bicho

Darlene afirma que trabalhou por 30 anos, mas sem relação com milícia

Por Aline dos Santos | 01/07/2021 11:20
Darlene Borges durante coletiva em 19 de maio: lágrimas e revelações. (Foto: Marcos Maluf)
Darlene Borges durante coletiva em 19 de maio: lágrimas e revelações. (Foto: Marcos Maluf)

O STJ (Superior Tribunal de Justiça) mandou soltar Darlene Luiza Borges, apontada como “gerentona” do jogo do bicho e presa na operação Omertà. Em 19 de maio, antes de se entregar às autoridades, ela, que é conhecida como Dadá, declarou durante entrevista coletiva que trabalhou no jogo do bicho por 30 anos, tinha salário de R$ 10 mil e era a pessoa “mais injustiçada da face da terra”.

O ministro Rogerio Schietti Cruz concedeu liminar para que a ré  use tornozeleira eletrônica, conforme havia decidido o juiz da 1ª Vara Criminal de Campo Grande, Roberto Ferreira Filho. A decisão do ministro cita a pandemia de covid-19 e foi publicada nesta quinta-feira (dia primeiro).

“Na atual situação de pandemia, salvo necessidade inarredável da segregação preventiva – mormente casos de crimes cometidos com particular violência –, a envolver agente de especial e evidente periculosidade ou que se comporte de modo a, claramente, denotar risco de fuga ou de destruição de provas e/ou ameaça a testemunhas, o exame da necessidade da manutenção da medida mais gravosa deve ser feito com outro olhar”, decidiu o ministro.

Darlene foi presa em 2 de dezembro de 2020, na Arca de Noé, sexta fase da Omertà. Em 11 de março deste ano, trocou o presídio pela tornozeleira por ordem do juiz. Porém,  no mês de maio,  o TJ/MS (Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul) restabeleceu a prisão. Segundo a defesa, durante o período em liberdade a ré não fez nada que justificasse o restabelecimento da preventiva.

O advogado José Roberto Rodrigues da Rosa informou que vai hoje ao presídio Irmã Irma Zorzi, em Campo Grande, para comunicar a decisão e aguarda que a ordem do STJ seja formalmente repassada para a Justiça de Mato Grosso do Sul. Uma nova coletiva deve ser convocada quando Darlene deixar a prisão.

Trajetória – Darlene contou que começou no jogo do bicho fazendo faxina, servindo café e conferindo canhotos até ir para a administração do escritório, onde pagava funcionários e despesas da empresa. Ela é acusada de associação criminosa, lavagem de capitais e exploração de jogos de azar.

Conforme a denúncia, a mulher integra o grupo de “gerentes” do núcleo financeiro da suposta organização criminosa armada, abaixo apenas dos Names, líderes da organização criminosa. Ela nega relação com milícia e alega que  jogo do bicho é contravenção penal.

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