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Capital

Superlotada, Santa Casa opera com falta de funcionários, leitos e medicamentos

Nesta segunda-feira (03) o número de pacientes em atendimento no Pronto Socorro da unidade era três vezes acima da capacidade

Por Adriano Fernandes | 03/08/2020 22:33
Pacientes em uma das alas de atendimento do hospital. (Foto: Ascom Santa Casa)
Pacientes em uma das alas de atendimento do hospital. (Foto: Ascom Santa Casa)

Durante vistoria na Santa Casa de Campo Grande o Ministério Público Estadual constatou, não só a superlotação dos leitos de UTI (Unidade de Terapia Intensiva) destinadas pacientes com covid-19, mas também nas alas de urgência e emergência do hospital. Nesta segunda-feira (03) o número de pacientes em atendimento no Pronto Socorro da unidade era três vezes acima da capacidade adequada para o setor.

A visita foi feita pelas promotoras de Justiça Luciana Rabelo, da Saúde, e Ana Cristina Carneiro Dias, coordenadora da força-tarefa do MPMS, e técnicos do Ministério Público Estadual percorreram a área de isolamento para os pacientes suspeitos ou confirmados com a covid-19, as enfermarias da retaguarda dos casos não-covid e o PS.

Além da superlotação, a Santa Casa também enfrenta dificuldades para comprar medicamentos que estão em falta no mercado e são essenciais para o atendimento aos pacientes críticos, que precisam de intubação.

A defasagem nas escalas dos profissionais da linha de frente é outro agravante, já que a maioria também trabalha em outras unidades de saúde e muitos tem positivado os testes para a covid-19 e precisam se ausentar do serviço, permanecendo em isolamento. Novas contratações também têm sido prejudicadas pela falta de profissionais no mercado de trabalho.

Ao fundo da imagem, promotoras que participaram da vistoria, nesta segunda-feira (03). (Foto: Ascom Santa Casa)
Ao fundo da imagem, promotoras que participaram da vistoria, nesta segunda-feira (03). (Foto: Ascom Santa Casa)

Nesta segunda-feira, a taxa de ocupação dos leitos de Terapia Intensiva para os pacientes vítimas do coronavírus estava em 100% no hospital. A alta taxa de ocupação, segundo o coordenador do Núcleo Interno de Regulação, doutor Fabiano Cançado, tem sido frequente desde que foram abertos os dez leitos exclusivos para casos críticos da covid-19.

Alguns aguardavam no corredor por exames, reavaliação ou mesmo leitos de internação. A Santa Casa é o hospital com o maior número de leitos SUS da região centro-oeste do país que, neste momento de pandemia, tem absorvido todos os pacientes do SUS que não conseguem vagas em outros hospitais.

Nesta segunda-feira a superintendência da gestão médico-Hospitalar encaminhou um documento aos representantes da saúde pública, ao Ministério Público Federal, MPE, MPT e entidades de classe que representam os profissionais da linha de frente, relatando que a instituição está no limite de atendimento, de medicação e de insumos e até de aceitação de novos pacientes.

O presidente da Santa Casa, Heber Xavier, também conversou com as promotoras de Justiça.