"BBB do lixão": prefeitura instala câmeras para flagrar descarte no Aero Rancho
Pneus espalhados, restos de móveis jogados ao chão, galhos secos e sacos de lixo são alguns dos descartes
RESUMO
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A Prefeitura de Campo Grande iniciou uma força-tarefa para combater o descarte irregular de lixo no bairro Aero Rancho. O local, que se assemelha a um lixão clandestino, recebeu três câmeras escondidas para flagrar infratores, além de monitoramento constante da Guarda Civil Metropolitana e Patrulha Ambiental. A área, que já abrigou quadra de areia e academia ao ar livre, requer pelo menos cinco limpezas anuais, com média de 50 caminhões de entulho recolhidos em cada operação. A administração municipal estuda mudanças na legislação para endurecer punições e analisa a cessão do espaço para construção de um centro comunitário.
A paisagem que mais parece um lixão clandestino a céu aberto escancara a realidade enfrentada pelos moradores do Aero Rancho. Em um terreno na Rua Gerbera, foram encontrados pneus espalhados, restos de móveis jogados ao chão, galhos secos e sacos de lixo.
Na manhã desta terça-feira (03), a Prefeitura de Campo Grande iniciou uma força-tarefa no local. Duas pás carregadeiras e seis caminhões trabalharam na retirada do lixo.
Para tentar frear o descarte irregular, a Prefeitura adotou uma nova estratégia: três câmeras escondidas foram instaladas nas redondezas para flagrar quem joga o lixo.

O secretário especial de Segurança e Defesa Social, Anderson Gonzaga, destaca que o problema também é de segurança pública, já que o descarte irregular configura crime ambiental.
“A Guarda Civil Metropolitana estará presente aqui, juntamente com a Patrulha Ambiental. Vamos fazer vários plantões em regime de escala para permanecer aqui. O serviço de inteligência também estará monitorando essa área, colocamos três câmeras escondidas para o monitoramento e para que a gente possa fazer essas prisões em flagrante”, explicou.
A Decat (Delegacia Especializada de Repressão aos Crimes Ambientais) também foi acionada para atuar em parceria. Denúncias podem ser feitas pelo telefone 153.
Segundo Gonzaga, o modelo de fiscalização deve ser ampliado para outras regiões. “Essa é a primeira região que estamos começando com esse modelo. Iremos estender possivelmente para as demais regiões. Nova Campo Grande já está incluso para receber essa vigilância.”
De acordo com o secretário municipal de Obras, Marcelo Miglioli, o espaço já teve quadra de areia e academia ao ar livre.
“Dentro dessa área fizemos uma quadra de areia, fizemos uma academia, patrolamos o campo e infelizmente a situação que nós vemos hoje é essa. Isso traz duas situações muito ruins para a nossa cidade: a primeira é a qualidade de vida que vai lá para baixo, isso aqui é um risco para a população. Segundo, é um custo absurdo de manutenção para a Prefeitura de Campo Grande, um recurso que poderia estar gastando em outros investimentos”, afirmou.
Conforme a Sisep (Secretaria Municipal de Infraestrutura e Serviços Públicos), ao menos cinco limpezas por ano são realizadas na mesma área, com média de 50 caminhões de entulho recolhidos em cada limpeza.
Desde que assumiu a pasta, Miglioli afirma já ter coordenado pelo menos 20 limpezas na área.
A prefeita Adriane Lopes também esteve no local e alertou para os riscos agravados no período chuvoso.
“Com o período de chuvas que estamos vivenciando, esse acúmulo pode trazer vários tipos de problemas para a comunidade. Os agentes comunitários de saúde já levaram esse problema para a Secretaria de Saúde. Estamos aqui mais uma vez fazendo a limpeza dessa região”, pontuou.
Ela revelou ainda que a associação de moradores solicitou a cessão da área para construção de um centro comunitário. “Vamos avaliar isso para ceder para quem possa cuidar dessa área.”
Sobre o descarte de lixo em terrenos particulares, a prefeita informou que a administração municipal estuda mudanças na legislação para endurecer as punições.
“Estamos propondo a mudança da legislação para avançar numa punição mais severa diante da falta de consciência de algumas pessoas da cidade.”
Após a ação no Aero Rancho, a prefeita e o secretário visitaram rapidamente uma obra na Rua da Divisão.
Moradores convivem com o problema há anos. O presidente do bairro, Francimar Aparecido da Silva, de 56 anos, lembra que em 2013 havia uma ocupação na área. As famílias foram remanejadas para apartamentos da prefeitura, e a partir disso, o descarte irregular só aumentou.
“Foi piorando conforme foram vindo os andarilhos da região do Nhanhá. Além disso, tem pessoas que vêm com carretinha e deixam o lixo por aqui”, relatou.
Segundo ele, a preocupação maior é com a saúde das famílias. “O propósito é melhorar a saúde, principalmente por conta da dengue, febre amarela e leishmaniose. Temos várias pessoas acamadas e o pessoal ainda coloca fogo nesse lixo. Em novembro quando foi limpo, durou três dias sem lixo”, lamentou.
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