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Capital

Suposta "pivô de divórcio" de pastor nega romance e diz que vídeo é "político"

Membro da Igreja Assembleia de Deus Missões, ela diz que foi perseguida pela ex do pastor e pelo filho dele

Por Silvia Frias | 22/10/2020 13:27
Imagem de um dos tapas nas nádegas: segundo a mulher, montagem feita para prejudicar pastor (Foto/Reprodução)
Imagem de um dos tapas nas nádegas: segundo a mulher, montagem feita para prejudicar pastor (Foto/Reprodução)

Tida como “pivô do divórcio” na cúpula da Igreja Assembleia de Deus Missões (ADM), em Campo Grande, a mulher de 39 anos nega que tenha relacionamento com o líder da instituição, pastor Antônio Dionizio da Silva, 70 anos, e diz que as imagens que causaram a polêmica foram montadas, editadas e retiradas de contexto.

“Estou com consciência tranquila perante Deus. Envergonhada? Sim, você é exposto a situações que você nunca imaginou na vida, taxado de culpa de uma coisa que não fez”, disse a mulher, ao Campo Grande News e que não quis ter seu nome divulgado.

A suposta relação saiu da discussão privada e familiar, ganhando repercussão depois da divulgação de vídeo em que o pastor aparece em um apartamento, com uma mulher, e lhe aplica sequência de sete tapas na bunda, intimidade que revoltou fieis, por conta dos boatos de ela seria a responsável pela separação de Dionizio e da esposa, também da liderança da ADM, após 43 anos de casamento.

 “Isso é algo tão grosseiro, tão arquitetado, é guerra de poder política, simplesmente isso”, disse a mulher. Ela nega qualquer envolvimento com o pastor.

O componente político da briga familiar é alimentado pelo fato do pastor, líder da ADM em Campo Grande, ser pai do ex-deputado federal, ex-vereador e candidato à Câmara Municipal, Elizeu Dionizio (MDB).

Segundo ela, Elizeu Dionizio teria ficado contrariado pelo fato da igreja e a alta cúpula apoiar Junior Longo (PSDB) desde 2018, esteio que se mantém atualmente, na candidatura à reeleição do tucano. O pai do candidato, Elias Longo também faz parte da diretoria da ADM.

Retorno - A mulher conta que era membro da igreja e retomou a relação com a Assembleia de Deus Missões no fim de 2016, depois de concluir faculdade. Antes disso, havia trancado o curso e trabalhado com eventos de música sertaneja.

Segundo ela, começou a ser perseguida pela esposa do pastor a partir de outubro de 2016, depois que acompanhou caravana da igreja a viagem para Israel e que se estendeu por países da Europa, como Portugal e Itália. Na ocasião, diz que foi para assessorar o grupo, fazendo fotos e vídeos da excursão.

“Não tinha tirado nenhuma foto durante a viagem, no fim, em Roma, falaram para eu tirar com o pastor, todo mundo estava tirando”, conta. Esta foto foi postada por ela, em sua rede social, em março do ano seguinte. “Pronto, já virei ‘a nova amante’”, diz.

Pastor foi afastado da liderança da igreja (Foto: Henrique Kawaminami)
Pastor foi afastado da liderança da igreja (Foto: Henrique Kawaminami)

Ela contou à reportagem que, ao voltar para a igreja, foi alertada. “Quando cheguei, depois de dias, já vieram umas pessoas dizendo: ‘não se assuste se daqui uns dias sair conversa de que você é amante do pastor”. Eu dei risada”, disse.

A responsável pela perseguição, segundo ela, é ex-esposa do pastor e mãe do ex-vereador. A irmã Beth, segundo a mulher, já teve outros alvos anteriormente, sempre com mesma acusação feita contra quem se aproximasse do marido. O novo alvo era a mulher, então com 36 anos, que entrou para assessorar a igreja e revitalizar as redes sociais do pastor.

Em uma das ocasiões, a irmã teria se dirigido a um funcionário da igreja e perguntado “Cadê a endemoniada?”, referindo-se a ela. A mulher também responsabiliza a ex do pastor de forjar conversa de WhatsApp para comprovar o relacionamento extraconjugal do marido. O fato teria sido descoberto depois da confissão da participação de funcionário, que foi despedido, sendo o caso resolvido internamente.

Foi depois dessa situação que a mulher resolveu pedir demissão do cargo que ocupava na igreja, mas, antes, diz que tentou conversar com a irmã Beth, sendo dissuadida da ideia por outras integrantes. “Me falaram que ela ia passar por cima de mim como trator”.

Segundo ela, não deixou de frequentar a igreja. “

Eu não vou deixar de professar minha fé por causa de gente doente, de gente louca, de gente sem noção, não sou baseada nisso, eu baseio minha vida em Deus”.

Vídeo – as imagens que causaram revolta entre os fieis da igreja foram captadas durante um jantar realizado há uma semana e, segundo a mulher, editadas para parecer que os tapas aconteceram. Segundo ela, material teria sido encaminhado para perícia e vai atestar que houve montagem. Ela não esclareceu se essa perícia foi contratada pela igreja ou faz parte de alguma outra investigação.

Segundo ela, naquela noite, o pastor convidou vários fieis para jantar. Na ocasião, contou a ela que se reuniu com  ministério da igreja alguns dias antes e disse ter a pretensão de se casar novamente e que a informação, de alguma forma, poderia afetá-la, com base nos boatos anteriores.

“Naquela imagem, era a mão dele na cintura, na hora que ele abaixa a mão, eu saio, aí foi feita a montagem”, afirma. “Ele nunca me desrespeitou”.

"Frágeis" – o ex-deputado Elizeu Dionizio rebateu as acusações contra ele e a mãe e diz que a informação que tem é que o “relacionamento desta pessoa com meu pai é atípico”.

Dionizio diz que não existiu qualquer perseguição por parte da mãe dele contra a mulher e que os argumentos são frágeis.   Ele diz que Elizabeth foi casada com o pai por 43 anos e ajudou a construir o ministério. “Teve participação efetiva, sempre; é só questionar as irmãs sobre a postura da minha mãe”, disse. “Não vou nem gastar meu tempo, pois a maior justificativa é a história”.

O ex-vereador também nega que o afastamento da diretoria da igreja, ocorrido há 1 ano e 8 meses, tivesse motivação política. Segundo ele, ocorreu depois de saber da relação extraconjugal do pai e que ela teria sido motivo da separação. “Minha bandeira é a família, me afastei para não brigar”. Ter apoio do pai, nesse contexto, “seria despropósito, ruim”.

Dionizio diz que ficou sabendo do comunicado do pai ao ministério sobre o casamento, mas que o pastor teria dito que estava com a mulher que aparece nas imagens há 7 meses e não há 4 anos, como acredita a família. “Ele se equivocou com a data, onde há fumaça, há fogo”.

O filho defende o afastamento do pai da liderança da igreja. “É grande vexame da postura de líder, mesmo vendo repercussão da igreja, não pediu afastamento, tudo isso para gente é triste, é vexatório”. Hoje, decisão da ComadeMS (Convenção das Assembleias de Deus no Estado de Mato Grosso do Sul) afastou o pastor Antônio Dionizio da presidência da entidade que administra os templos em todo o Estado.

O Campo Grande News tentou falar com o pastor Antônio Dionizio, mas ele não atendeu às ligações e não respondeu às mensagens enviadas pelo WhatsApp.

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