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Capital

Trilhas e falta de polícia abrem espaço para ladrões no Parque dos Poderes

Sede do governo de MS sofre com falta de vigilância adequada e fornece fuga fácil para quem quer roubar ou furtar dentro do local

Por Rafael Ribeiro | 24/01/2017 15:55
Trilhas e mata ajudam ladrões se esconder e fugir sem problemas entre as sedes do governo estadual (Foto: André Bittar)
Trilhas e mata ajudam ladrões se esconder e fugir sem problemas entre as sedes do governo estadual (Foto: André Bittar)
Cercas para impedir acesso pela mata foram cortadas (Foto: André Bittar)
Cercas para impedir acesso pela mata foram cortadas (Foto: André Bittar)

Pensado para ser a sede do Governo de Mato Grosso do Sul em meio à natureza, uma marca do Estado, o Parque dos Poderes apresenta, 33 anos após sua inauguração, a sensação de insegurança substituindo a satisfação de ver animais silvestres como quatis e antas, seja a funcionários ou frequentadores que usam o local para a prática de caminhada ou corrida.

O Campo Grande News andou pelo parque na manhã desta terça-feira (24) e, durante aproximadamente duas horas, não flagrou a presença de uma viatura policial ou equipe da Polícia Militar fazendo qualquer tipo de segurança. Bolsões de estacionamentos não contam com nenhum tipo de vigilância e até os arredores dos prédios das secretarias, Tribunal de Justiça e Tribunal de Contas só têm câmeras e guaritas nas proximidades das portas de entradas.


Para piorar, a cerca de 500 metros do gabinete onde o governador, Reinaldo Azambuja (PSDB), despacha os destinos sul-mato-grossenses, trilhas abertas em meio à mata que cerca o parque facilitam o acesso e fuga de ladrões.


“É vergonhoso não ter uma viatura fazendo ronda, protegendo a sede do governo. As pessoas têm medo. Nem o mato aqui é cercado. Fora que fica deserto à noite”, destacou um funcionário da Secretaria de Estado de Infraestrutura que não quis se identificar.


A reportagem entrou em uma das trilhas abertas, provavelmente por terceiros, próximo ao acesso traseiro do prédio da Governadoria, na Avenida Desembargador José Nunes da Cunha.

Em meio à mata densa, o caminho é bem demarcado. O lixo casual, como latas de cerveja e embalagens vazias de salgadinhos e camisinhas, exemplifica os relatos dados sobre o que acontece nas proximidades da sede do governo estadual.


Cerca de dez minutos depois, passando por uma cerca arrombada e mais trilhas visivelmente clandestinas abertas, chega-se à Rua Ataúlfo de Paula, no Jardim Veraneio. Ali ainda não há asfalto, mas o perigo vivenciado e relatado por moradores e frequentadores novamente é evidenciado: todas as casas contam com cercas elétricas e manuais, além de sistema de câmeras.


“Foi-se o tempo que barulho no mato era bicho”, disse um dos moradores. “Hoje temos que ficar em alerta. Os caras passam colados aos muros das casas. É um prato cheio. Não tem segurança nenhuma. Temos que intimidar e inibir por conta própria, apesar das polícias terem sede aqui do lado”, diz um morador, também com receio de expor sua identidade.

Estacionamento da governadoria não tem vigilantes e fica deserto a maior parte do tempo (Foto: André Bittar)
Estacionamento da governadoria não tem vigilantes e fica deserto a maior parte do tempo (Foto: André Bittar)
Entrada do gabinete do governador permanece sem movimentação (Foto: André Bittar)
Entrada do gabinete do governador permanece sem movimentação (Foto: André Bittar)

Casos – Com acesso livre a vias importantes como as avenidas Afonso Pena, Mato Grosso e BR-163 - anel rodoviário – e sem policiamento, os casos são rotineiros, garantem frequentadores.

Na sexta-feira passada (20), segundo funcionários, pelo menos dois veículos foram arrombados por ladrões, que furtaram pertences como mochilas do interior.

Segundo os registros da Polícia Civil, foram dois casos de roubo registrados por vítimas que aguardavam ônibus em paradas nos acessos do Parque dos Poderes. “(Os ladrões) Saíram do meio do mato, do nada. Era 19h, estava esperando a condução e me renderam pelas costas. Nem pensei em reagir, não tinha ninguém para ajudar”, disse uma das vítimas.

Em setembro do ano passado, a violência nos arredores do Parque dos Poderes ganhou novos contornos depois que o corpo do ex-vereador Alceu Bueno (sem partido) foi encontrado carbonizado em um terreno baldio nos arredores do local, cuja principal ligação era uma dessas trilhas abertas em meio à mata.

Dois meses depois, um tiroteio em pleno horário do meio-dia assustou funcionários das secretarias. Um homem ficou ferido durante a ocorrência.

Por meio de nota, a Sejusp (Secretaria Estadual de Justiça e Segurança Pública) disse que o Comando de Policiamento Metropolitano (CPM) da Polícia Militar intensificou o patrulhamento dentro e nas imediações do Parque dos Poderes diariamente, por meio de rondas utilizando motos, viaturas e a Cavalaria, principalmente nos horários considerados críticos, como de noite.

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