Venda de consórcio abre espaço para renegociação e revisão do contrato
Mudança na gestão coincide com a análise obrigatória da concessão

Renovação da frota, reformas de terminais e a implementação de ônibus com ar-condicionado são reivindicações que podem sair do papel após o anúncio da venda do Consórcio Guaicurus para a empresa goiana HP Mobilidade.
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Isso porque a concretização da negociação, fechada no último sábado (18), depende da autorização da Prefeitura de Campo Grande, que já sinalizou que vai aproveitar o momento para renegociar mais investimentos e melhorias no transporte público.
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"Eu não vou aceitar se não houver mudança, que é o que venho cobrando", disse a prefeita Adriane Lopes (PP) após o anúncio na tarde desta segunda-feira (21) .
Ao Campo Grande News, o diretor-presidente da Agereg (Agência Municipal de Regulação dos Serviços Públicos Delegados), Paulo da Silva, detalhou que os próximos passos são administrativos, como a consulta ao CADE (Conselho Administrativo de Defesa Econômica) para dar seguimento à venda.
Na sequência, a empresa goiana deve apresentar um plano de trabalho solicitado pelo município com o projeto de transporte público que tem para a Capital.
A mudança na gestão também coincide com o período de revisão obrigatória do contrato de concessão, o que abre espaço para discutir alterações e melhorias no serviço.
"Por exemplo, hoje não temos ônibus com ar-condicionado, o contrato original não previa isso. E ônibus com ar-condicionado têm um custo mais alto. A revisão dá à prefeita condição técnica para dizer o que quer com esse contrato", disse o diretor.
Paulo da Silva ainda reforça que o transporte público na Capital segue sob intervenção. "Não vai sustar porque estão sendo feitos levantamentos contábeis, além dos descumprimentos do Consórcio Guaicurus previstos no contrato", completou.
A intervenção municipal sobre o sistema de transporte coletivo continuará enquanto a prefeitura analisa a negociação e aguarda a proposta da HP. A medida foi estabelecida por até 180 dias e colocou uma equipe indicada pelo município no comando administrativo, operacional e financeiro do serviço.
O interventor-geral, Alexsandro Adriano Lisandro de Oliveira, apontou que seguirá gerindo a operação do transporte da Capital e levantando as informações necessárias. "É do interesse de todos que isso seja feito o mais rápido possível", disse.
Nova gestora - A HP Mobilidade é uma empresa goiana fundada em 1969 e com sede em Goiânia. Ela atua no transporte coletivo da Região Metropolitana de Goiânia, sistema que atende a capital e outros 18 municípios. A rede possui cinco concessionárias, entre elas a HP.
O grupo empresarial também informa ter operações em Goiânia e Brasília, com aproximadamente 4,5 mil funcionários distribuídos por empresas ligadas a transporte coletivo, gestão e locação de frotas.
O contrato de venda foi fechado no fim de semana. Apesar de parecer baixo para o tamanho do grupo que opera o transporte coletivo de Campo Grande, o valor da transação, dito até agora nos bastidores, é de R$ 170 milhões.
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