Usuário diz não querer luxo, só mais ônibus e no horário certo
Mudança no controle do Consórcio Guaicurus pode reforçar a frota e reduzir a espera
A notícia da venda das empresas que compõem o Consórcio Guaicurus para a HP Mobilidade reacendeu a esperança de quem depende diariamente do transporte coletivo em Campo Grande. Entre os usuários ouvidos na manha desta quarta-feira (22), o pedido é praticamente unânime. Ninguém espera luxo. A população quer apenas ônibus suficientes para atender à demanda e cumprir os horários.
RESUMO
Nossa ferramenta de IA resume a notícia para você!
Usuários do transporte coletivo de Campo Grande esperam melhorias após a venda das empresas do Consórcio Guaicurus para a HP Mobilidade. As principais reclamações são demora nos pontos, superlotação e ônibus antigos. A prefeita Adriane Lopes recebeu a negociação com boas perspectivas, mas garantiu que a intervenção municipal continuará. A HP Mobilidade é formada por herdeiros do grupo fundador e executivos experientes no setor.
As principais reclamações são a demora nos pontos, especialmente nos horários de pico, e a superlotação, que faz muitos passageiros esperarem quase uma hora pela condução ou perderem o ônibus por falta de espaço.
- Leia Também
- Família de dirigente de futebol e executivos comandam compradora do Guaicurus
- Contrato de venda do Consórcio Guaicurus foi assinado no fim de semana
Menor aprendiz na Paróquia Sagrado Coração de Jesus, Artur Matos, de 17 anos, afirma que a rotina de trabalho é frequentemente prejudicada pela falta de veículos nas primeiras horas da manhã. Usuário das linhas 081 e 070, ele conta que muitas vezes não consegue embarcar. "Às vezes eu não consigo entrar no ônibus e chego 20 minutos atrasado no trabalho. Precisava aumentar a quantidade de ônibus, principalmente de manhã", relata.
A aposentada Laudelina da Costa, de 67 anos, também espera que a mudança traga melhorias. Usuária da linha Santa Carmélia, ela afirma já ter esperado mais de uma hora no ponto e critica tanto a demora quanto as condições dos veículos e da infraestrutura. "O valor da passagem é um absurdo, não tem nada que justifique esse preço. Os ônibus são muito antigos, os bancos preferenciais vivem ocupados e, muitas vezes, a gente nem consegue sentar", diz.
Além disso, ela reclama da falta de cobertura em vários pontos de ônibus dos bairros Santa Carmélia e Coophatrabalho. "Chove e faz sol e a gente fica ao relento”.

Para José Luís Gonçalves, de 54 anos, a mudança precisa ir além da operação dos ônibus e alcançar também o atendimento aos passageiros. Morador do Nova Lima, renal crônico e amputado de uma das pernas, ele utiliza cerca de oito ônibus por dia para fazer hemodiálise e sessões de terapia.
Aos sábados, quando também realiza tratamento, o deslocamento chega a quatro horas. Ele sai da hemodiálise às 15h30 e só chega em casa por volta das 17h30. "É o pior dia e a empresa precisa melhorar a parte humana, o tratamento das pessoas", afirma.
José lembra ainda de um episódio em que, usando muletas, foi obrigado por um motorista a descer do ônibus porque ocupava um dos bancos da frente. "Eu queria ficar no banco da frente por causa da dificuldade para andar, mas o motorista disse que eu não podia ficar ali e mandou eu descer".
Auxiliar de limpeza, Kelly Ladeia, de 22 anos, mora no Aero Rancho e trabalha no Rita Vieira. Ela utiliza diariamente a linha que liga os dois bairros e também aponta a demora como principal problema. "Eles demoram em qualquer horário, mas principalmente nos horários de pico".
Entre as poucas avaliações positivas está a do estudante Alex Muiambo, de 41 anos. Natural de Moçambique, ele está há apenas três semanas em Campo Grande, onde cursa Letras na UEMS (Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul). Morador da Vila Doutor Albuquerque, ele considera o sistema seguro e elogia a cordialidade das pessoas.
Apesar disso, classifica o transporte como apenas "razoável" por causa da necessidade de fazer várias integrações para chegar à universidade. "Os horários são obedecidos, mas preciso pegar dois ônibus para ir e dois para voltar. Isso acaba dificultando".

Venda - A Prefeitura de Campo Grande foi comunicada nesta terça-feira (21) sobre a venda das empresas que integram o Consórcio Guaicurus para a HP Mobilidade. A informação foi anunciada pela prefeita Adriane Lopes (PP), que afirmou receber a negociação "com bons olhos", mas ressaltou que a intervenção municipal no transporte coletivo continuará.
A HP Mobilidade, apresentada como compradora das empresas do consórcio, é formada por herdeiros do grupo fundador e executivos com longa experiência no setor de transporte coletivo. A estrutura empresarial tem como sócia a HP Investimentos e Participações S.A. e como sócios-administradores Indiara Ferreira e Hugo Santana de Moraes Santos.
Receba as principais notícias do Estado pelo Whats. Clique aqui para acessar o canal do Campo Grande News e siga nossas redes sociais.




