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Capital

Vida segue: menino torturado adora cantar e fez melhor amiga em abrigo

Por Guilherme Henri | 03/05/2016 09:46
O menino ficou 15 dias internado e prestes a receber alta recebeu a visita de um grupo de "super heróis" (Foto: Divulgação)
O menino ficou 15 dias internado e prestes a receber alta recebeu a visita de um grupo de "super heróis" (Foto: Divulgação)

Embora carregue pelo resto da vida marcas que o farão lembrar do que sofreu, o menino de 5 anos que foi torturado, por familiares, em rituais macabros de magia negra em Campo Grande, hoje adora cantar e já fez uma melhor amiga no abrigo que está.

Como ainda não foi encaminhado pela Justiça para adoção, ele está aos cuidados da diretora do local, Ana Paula Queiroz, e sua equipe. Por telefone, na manhã desta terça-feira (3), o garoto mostrou sua paixão pela musica cantando uma cantiga infantil ao Campo Grande News.

Segundo Ana Paula, o menino come de tudo, é amável, considera o abrigo sua casa e é muito sociável. “Ele não pergunta dos tios (presos apontados como responsáveis pelas torturas), brinca o tempo todo e também ama assistir desenhos. Convive com 39 crianças no abrigo, mas em especial escolheu uma parceira que compartilha sua mesma idade. Eles são inseparáveis. Sobre o paladar não há nada que não coma e já deve ter engordado uns quilinhos desde que chegou aqui”, conta a diretora.

Os cuidados continuam os mesmo desde que chegou: sem visitas externas e por enquanto nada de ir à escola. “Como ainda está em recuperação por conta das agressões que sofreu estamos esperando que as cicatrizes se amenizem, pois ele pode sofrer bullying na escola”, revela.

Sobre sua adoção, a juíza de Direito da Vara da Infância, Juventude e do Idoso Katy Braun disse que todo o processo tramita em segredo de justiça e que para proteger a integridade física e psicológica do menino estes tipos de detalhes não serão revelados. “O que podemos garantir é que ele está muito bem assistido e recebe todo atendimento médico, psicológico e social”, enfatiza.

O caso que chocou a cidade veio à tona no dia 23 de fevereiro deste ano após o Conselho Tutelar constatar queimaduras e marcas de espancamento pelo corpo do garoto, que ficou internado durante 15 dias na Santa Casa. Quatro pessoas, sendo que delas dois eram os tios do menino estão presas.