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Capital

Vital para a acusação, pai de jovem executado por engano reaparece

Paulo Roberto Xavier, pai do estudante de Direito, Matheus Xavier, é jurado de morte pelos Name, segundo MP

Anahi Zurutuza | 21/06/2023 14:11
Após missa em homenagem ao filho, em 2019, Paulo Xavier deu entrevista usando camiseta que questionava: "Quem matou Matheus?". (Foto: Henrique Kawaminami/Arquivo)
Após missa em homenagem ao filho, em 2019, Paulo Xavier deu entrevista usando camiseta que questionava: "Quem matou Matheus?". (Foto: Henrique Kawaminami/Arquivo)

Considerado pelo MPMS (Ministério Público de Mato Grosso do Sul), responsável pela acusação, um depoente de caráter imprescindível, o ex-policial militar Paulo Roberto Teixeira Xavier, pai do jovem estudante de Direito, Matheus Coutinho Xavier, morto a tiros aos 19 anos, apareceu. Ele fez contato por telefone com a 2ª Vara do Tribunal do Júri e confirmou que vai depor no julgamento de Jamil Name Filho, o “Jamilzinho”, e outros dois réus acusados de envolvimento com o assassinato.

Desde novembro do ano passado, a pedido dos promotores Douglas Oldegardo, Luciana Rabelo e Moisés Casarotto, a Justiça precisava encontrar “PX”, como é conhecido o ex-PM, para quem os tiros de fuzil AK-47 que mataram Matheus eram endereçados, conforme a acusação. Ele teria de ser oficialmente convocado para prestar depoimento como informante no júri popular.

Consta nos autos do processo que o servidor do Judiciário esteve em endereço dado como de Paulo Xavier em fevereiro, em dias e horários diferentes, mas foi recebido pela inquilina do imóvel, que disse não saber o paradeiro do proprietário. Por estar “em local incerto e não sabido”, no linguajar jurídico, mais recentemente, em 2 de junho, mandato de intimação do pai da vítima para comparecer ao Tribunal do Júri em 17 de julho sequer foi expedido.

O Campo Grande News conseguiu contato com pessoa próxima a Xavier na primeira semana de junho, conforme noticiado no dia 8. Sem detalhes, a fonte informou apenas que o ex-PM vive fora de Mato Grosso do Sul, mas que está atento a todos os andamentos do caso. Ele já sabia que o julgamento havia sido marcado.

Nesta quinta-feira (20), porém, ele telefonou para o cartório da 2ª Vara do Tribunal do Júri, conforme certidão anexada aos autos da ação penal, às 16h41 de ontem. Na oportunidade, “foi intimado para prestar depoimento no julgamento designado para o dia 17/07/2023 às 13h”.

Talvez Xavier não esteja no Fórum da Capital, porque receberá um link para participar do julgamento por videoconferência e assim, poderá optar por ficar em local que considera seguro.

Matheus Coutinho Xavier foi assassinado aos 19 anos. (Foto: Reprodução das redes sociais)
Matheus Coutinho Xavier foi assassinado aos 19 anos. (Foto: Reprodução das redes sociais)

Informante – No júri popular de Jamil Name Filho, o “Jamilzinho”, acusado de ordenar a execução, o pai do acadêmico assassinado será ouvido na condição de informante – por ter laço afetivo com a vítima, embora tenha informações relevantes a prestar, não precisa fazer o compromisso com a “verdade, nada mais que a verdade”.

Também serão julgados, entre 17 e 20 de julho, o ex-guarda municipal Marcelo Rios e o policial civil aposentado Vladenilson Daniel Olmedo, conhecido como Vlad, que de acordo com a acusação são integrantes de bando liderado pelos Name e teriam participação na execução.

Conforme a investigação da Operação Omertà – que mirou organização criminosa com características de máfia, dedicada a execuções como forma de manter o poder –, Xavier seria jurado de morte, o que pode explicar o “sumiço”.

O ex-PM apareceu e deu entrevistas logo após a morte do garoto. Tentava ajudar a polícia e encontrar provas contra os culpados. Hoje, acompanha tudo de “bem longe”, segundo a pessoa próxima que conversou com a reportagem no início do mês. Por segurança, ele mantém seu paradeiro em segredo.

Arsenal apreendido com Marcelo Rios, em maio de 2019, desencadeou investigação que chegou aos Name. (Foto: Campo Grande News/Arquivo)
Arsenal apreendido com Marcelo Rios, em maio de 2019, desencadeou investigação que chegou aos Name. (Foto: Campo Grande News/Arquivo)

O crime – Conforme a tese do MPMS, o acadêmico de Direito foi vítima de atentando que teria como alvo o pai, porque Xavier era desafeto do grupo comandado por Jamil Name, o “Velho”, e Jamilzinho.

O atentado aconteceu por volta das 18h do dia 9 de abril de 2019, uma terça-feira, na frente de casa de Paulo e Matheus Xavier, no Jardim Bela Vista, bairro nobre da Capital. A investigação apurou que o jovem foi morto por engano, pois estava manobrando o carro do pai. O rapaz foi atingido com sete tiros e o disparo fatal foi na base do crânio.

Jamil Name teve o nome excluído do processo depois de sua morte, em maio de 2020, vítima de covid-19. O processo foi desmembrado para outros dois réus, por estarem foragidos: José Moreira Freire, o “Zezinho”, e Juanil Miranda Lima.

Os dois, segundo a acusação, seriam os pistoleiros, responsáveis pela execução. “Zezinho”, que foi morto em troca de tiros com a Polícia Militar em Mossoró (RN), em dezembro de 2020, também teve nome excluído.

Juanil Miranda ainda está foragido e, neste caso, a Justiça determinou a suspensão dos trâmites até que ele seja recapturado.

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