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Capital

Vítima de erro médico faz B.O. e processará Município e médico de posto de saúde

Por Daniel Machado | 08/01/2015 22:31

No dia 31 de agosto de 2014, há pouco mais de quatro meses, o vendedor ambulante Sílvio José Ramos Junior, de 33 anos, sofreu um mal-estar súbito e foi encaminhado ao Posto de Saúde Tiradentes, em Campo Grande.

O que aconteceu depois disso mudou completamente a vida dele e, após uma série de transtornos físicos, emocionais e financeiros, Sílvio decidiu registrar um B.O. (Boletim de Ocorrência) de “lesão corporal culposa” na noite desta quinta-feira (8) e pretende processar o Município e o médico plantonista da unidade de saúde, nas esferas criminal e cível, por negligência e erro médico.

O rapaz, que encontra-se acamado há mais de quatro meses, foi atendido em agosto do ano passado após sentir um mal-estar acompanhado de ânsia e vômitos. Segundo o B.O., o médico plantonista não realizou os exames necessários e ministrou diazepan, dipirona e outros medicamentos.

Poucos minutos depois, o paciente sofreu convulsões e uma parada cardiorrespiratória, sendo encaminhado, sem autorização da família, para uma clínica particular. A alegação era a falta de vagas em hospitais públicos.

Segundo o presidente da Associação de Vítimas de Erros Médicos de Mato Grosso do Sul, Valdemar Moraes de Souza, que acompanhou o irmão da vítima na Depac-Piratininga, para fazer o B.O., os custos da internação e serviços médicos na clínica particular somaram R$ 136 mil e a família de Sílvio precisou entrar com uma liminar na Defensoria Pública do Estado para transferi-lo a um hospital público.

“Ele não tinha nenhuma doença, apenas um mal-estar, e por causa de um procedimento médico completamente equivocado, foi transferido do posto de saúde para a clínica com parada cardiorrespiratória, entubado e em coma induzido”, disse Valdemar. “E a família, que não autorizou a transferência, com uma conta de R$ 136 para pagar”.

Além disso, o erro médico teria deixado sequelas em Sílvio, que teve princípio de AVC (Acidente Vascular-Cerebral), aneurisma e está com traqueostomia, apresentando problemas na fala e tendo de fazer tratamentos com fonoaudiólogo e fisioterapeuta.

“A situação dele está muito séria mesmo, e iremos responsabilizar o Município e o médico, que se recusou a entregar o prontuário do Sílvio, ao qual não tivemos acesso até hoje. Registramos o caso na polícia e agora vamos entrar com ação por danos morais e materiais, aposentadoria por invalidez e o município terá de arcar com todas as despesas oriundas do tratamento do Sílvio”, finalizou.

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