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Empregos

Na saga para contratar funcionário, tem empresa com vaga aberta há seis meses

Empresa de vistoria veicular está prestes a abrir e não conseguiu contratar funcionários

Por Paula Maciulevicius Brasil | 22/06/2021 17:20
Empresa procura contratar funcionário com qualificação e também experiência. (Foto: Arquivo Pessoal)
Empresa procura contratar funcionário com qualificação e também experiência. (Foto: Arquivo Pessoal)

Se dizendo surpresos, empresários de Campo Grande têm relatado dificuldades na hora de encontrar funcionários qualificados ou não. Até os requisitos têm sido "aliviados" na tentativa de preencher as vagas.

Há seis meses, o proprietário da rede de lojas GN Móveis, Evanderson Campos de Souza, procura três vendedores, inclusive para concluir o plano de expansão dos negócios. "Você não consegue nem com nem sem experiência", diz.

Souza conta que não é nem pela rede ser exigente, mas é pela falta de interesse dos candidatos mesmo. "Chegamos a contratar uma agência de recrutamento de RH que selecionou três pessoas, uma delas na entrevista on-line achou que a loja da vaga era muito longe da casa dela, se não tinha uma mais perto para ela poder trabalhar", exemplifica.

O que para Souza soou como completo desinteresse. "Eu sou cuiabano, morava em Várzea Grande, rodava 30 quilômetros para trabalhar em Cuiabá", comenta.

Em loja de móveis, plano de expansão está suspenso por falta de vendedores. (Foto: Kísie Ainoã)
Em loja de móveis, plano de expansão está suspenso por falta de vendedores. (Foto: Kísie Ainoã)

Com lojas no Monte Castelo, Centro e Shopping Bosque dos Ipês, atualmente a rede precisa de três vendedores, um auxiliar de entrega e um motorista. "Hoje essa geração não quer trabalhar, só quer ficar sentado sem fazer nada. Não sabem vender, vem pra vaga, mas não sabem nem falar, não conseguem te dizer uma característica de benefício daquele produto, e a gente não paga ruim não", afirma.

O mesmo desafio está encarando a proprietária da franquiada de Campo Grande, Olho Vivo, de vistoria veicular, Patrícia Martinez Nunes. No caso dela, além da qualificação, a empresa busca alguém com experiência, o que se tornou a parte mais difícil da abertura da franquia na Capital.

"Dois meses pesquisando, esperando, anunciando. Já divulguei em vários canais de emprego, coloquei em jornal. Acredito que como está em alta demanda esse tipo de serviço, por isso a gente não acha", afirma.

A proprietária até conseguiu fazer entrevistas, mas entre a seleção e a contratação, quando foi fechar o funcionário já estava empregado em outra empresa. "Quando a gente começou a conversa com a franquia, seis meses atrás, abriram seis novas empresas neste ramo. A demanda é alta e temos poucos profissionais com experiência", relata Patrícia.

O trabalho, segundo ela, não é difícil, mas não pode ter erros. É preciso saber detalhes de marcas de carros e os padrões de cada modelo, além de ter o curso de vistoriador certificado pelo Detran de Mato Grosso do Sul.

Funcionário para empresa de vistoria veicular está disputado no mercado. (Foto: Arquivo Pessoal)
Funcionário para empresa de vistoria veicular está disputado no mercado. (Foto: Arquivo Pessoal)

Ela também fala que o salário está dentro da média, mais os benefícios e que no caso é qualificação e experiência que têm pesado.

"Recebi três currículos pelo portal onde coloquei a divulgação, fiz duas entrevistas, e meu sócio conseguiu indicação de um funcionário de outra franquia. Consegui contratar apenas um, mas preciso de pelo menos mais um", explica.

Falta qualificação ou disposição? - Para o diretor-presidente da Funsat (Fundação Social do Trabalho), Luciano Martins, é difícil traçar um perfil do candidato a uma vaga de emprego, porque são vários fatores.

"A maioria das vagas que nós temos não exige experiência, tem muita gente experiente também, com currículo cuja musculatura pode competir com qualquer vaga, mas o cara preferiu ser Uber", exemplifica.

Fachada da Funsat que tem divulgado diariamente número de vagas de emprego na Capital. (Foto: Arquivo/Henrique Kawaminami)
Fachada da Funsat que tem divulgado diariamente número de vagas de emprego na Capital. (Foto: Arquivo/Henrique Kawaminami)

Qualificação pode ser um dos pontos para empresas não encontrarem funcionários, mas não é o único. Segundo o diretor, não se pode cravar nada de absoluto. "A Funsat vai fazer 20 anos em setembro e nunca anunciou tanta vaga. Seria por que muitas pessoas foram mandadas embora? Não, foi porque muitas empresas passaram a conhecer o nosso trabalho", ressalta Luciano.

A Funsat também tem exemplos de vagas que não foram preenchidas, mesmo sendo em home office.

"Tivemos empresa de telemarketing que contrata bastante devido a rotatividade, com 70 vagas para trabalho em home office, a única exigência era internet e não conseguia preencher", conta o diretor.

A orientação é que empresas que tenham dificuldade entrem em contato com a coordenação de vagas e empregos da Fundação pelo telefone: 4042-0585. A Funsat está localizada na Rua 14 de Julho, 992.

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