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Cidades

Ex-funcionário do BB que sofreu perseguição política relata sua vida na AL

Por Bruno Chaves | 27/11/2013 20:43
Brígido disse que até hoje não viu justiça contra a perseguição que sofreu (Foto: Cleber Gellio)
Brígido disse que até hoje não viu justiça contra a perseguição que sofreu (Foto: Cleber Gellio)

“Eu já perdi muito, praticamente perdi tudo. Até hoje não vi justiça para as coisas que enfrentei”. A afirmação é do escritor aposentado Brígido Ibanhes, 66 anos, que foi funcionário concursado do Banco do Brasil durante 20 anos, nomeado para trabalhar como fiscal no Proagro (Programa de Garantia da Atividade Agropecuária) e enfrentou perseguição política, tentativa de suborno, ameaça de morte e até um atentado contra a vida por denunciar a corrupção dentro do programa e da instituição financeira.

Brígido foi o depoente de hoje (27) na Comissão de Trabalho Cidadania e Direitos Humanos da Assembleia Legislativa Estado, presidida pelo deputado estadual Laerte Tetila (PT), e do Comitê Memória, Verdade e Justiça (CMVJ/MS), que tem como objetivo colher informações sobre as perseguições políticas sofridas por pessoas em Mato Grosso do Sul.

Os relatos integrarão um relatório que será encaminhado para a Comissão Nacional da Verdade, que tem a intenção de adotar medidas de reparação de direitos, conforme explicou o deputado Tetila.

Antes participar da reunião das comissões, Brígido conversou com o Campo Grande News e relatou as perseguições e humilhações que sofreu durante o tempo que trabalhou para o Banco do Brasil, na cidade de Sidrolândia, a 71 quilômetros da Capital.

O escritor entrou na instituição financeira em 1973. Quando foi nomeado para ser fiscal da Proagro, em 1984, começou a descobriu atos corruptos de pessoas que ocupavam cargos importantes na instituição e estavam ligadas à política e à agropecuária do Estado.

“Em 1987 reagiram e comecei a ser perseguido. Fui preso, sofri tortura psicológica e ameaçaram sequestrar até meu filho”, afirma, lembrando que a corrupção em financiamentos da Proagro em Mato Grosso do Sul ultrapassava os US$ 500 milhões.

Brígido lembrou que em determinado momento teve dois caminhos a ser escolhido: “ou mandavam me matar ou me mandariam para bem longe”. Passados alguns dias, o funcionário foi obrigado a trabalhar em uma unidade do Banco do Brasil na cidade de Santa Cruz do Capibaribe, no Pernambuco.

Nesse meio tempo, o escritor recebeu até tentativas de suborno para cessar com as denúncias as corrupções. Mas nenhuma delas foi aceita. “Tenho a vontade de viver em um Brasil feliz e ético”, diz sobre os motivos de nunca ter feio parte da corrupção da instituição da qual fazia parte.

Ainda de acordo com o depoente, a demissão do banco veio em 1993, após um inquérito forjado. “Na carta de demissão não informavam o motivo”, lembra. Mas, ainda na década de 1990, Brígido nem imaginava que o pior estava por vir.

No dia 14 de maio de 2006, dia em que um jornal de Dourados publicou um artigo escrito por Brígido sobre a corrupção dentro do Proagro e do Banco do Brasil, uma bomba foi jogada na casa onde ele mora. “Fizeram isso para matar a gente. Eu fiquei com os pés queimados e minha esposa teve a mão dilacerada”, lembra. Parte da residência do casal foi incendiada.

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