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Campo Grande, Quinta-feira, 14 de Dezembro de 2017

08/11/2009 10:22

Fim de rodoviária é "alívio" de moradores

Redação

Depois de 34 anos convivendo com entra e sai de ônibus e tudo o que uma rodoviária pode representar, famílias que moram na região do terminal que será desativado comemoram o que pode ser a reconquista da tranqüilidade.

Apesar da preocupação de comerciantes que vão perder com a desativação, moradores que há anos dizem conviver com a criminalidade, acreditam que a transferência para o novo prédio, já inaugurado, vai trazer de volta tempos de valorização.

Cacilda Thomé, de 82 anos, diz que perdeu as contas de quanto tempo faz que chegou ao bairro Amambai. "Meus filhos eram pequenos, hoje já tenho até bisneto", conta.

Viúva, com o tempo perdeu marido, os filhos mudaram de endereço e os vizinhos também. "Daquele tempo, só ficou eu", comenta. "Era uma época que a gente fazia tudo, até o asfalto foi a gente que fez, com cota de cada morador. A iluminação também".

Quando a rodoviária foi construída, dona Cacilda lembra que ninguém tinha noção do que ocorreria a partir daquele momento. "Todo mundo acreditava que era desenvolvimento chegando, mas muita coisa ficou ruim", lembra.

A marginalidade tomou conta do bairro, diz ela, que lembra de um dia em especial considerado o "cumulo" pela moradora. "A TV estava com uma imagem horrível e pedi para o meu filho ver o que era. Ele subiu lá e quando desceu disse que a antena tava toda quebrada e que até as necessidades alguém tinha feito no telhado", relata.

O tal homem, era um usuário de drogas, que assim como outros que perambulam pela região costumam quebrar partes da antena para com o metal improvisar cachimbos para fumar pasta base de cocaína, conhecida como "Zuca".

"O cara fumou minha antena e ainda fez as necessidades no meu telhado, um absurdo. Nunca mais comprei antena nova", reclama.

A dona de casa Maria Conceição conta que mora há 40 anos na rua Saldanha Marinho, no bairro Amambaí. Quando chegou "só tinha mato", lembra.

A rodoviária foi construída, as pessoas ficaram felizes, só que depois a criminalidade criou uma série de problemas, avalia a moradora.

A mudança para outro endereço nunca foi possível por condições financeiras, alega, a transferência da rodoviária é um "alívio" na opinião de Maria. "Graças a Deus, nunca aconteceu nada comigo, mas o bom é que agora não vai ter tanto bêbado e mendigo por aqui".

A aposentada Dirce dos Santos, 70 anos, mora há 10 anos na rua do Hotel Internacional, um dos maiores da região da rodoviária. Aos poucos ela diz que aprendeu a "conviver com marginais" na calçada de sua casa "diariamente", o que com o tempo deixou de incomodar. "Fora isso, tudo aqui é perto, a região centraliza o comércio", justifica.

Para ela, a saída do terminal é prejudicar que mora por perto. "Com a saída da rodoviária, vai ficar tudo abandonado. No fim de semana, quando o comércio está fechado, fica tudo sem movimento", reclama.

Já o marido dela acha ótimo a retira. Segundo ele, vai acabar com o "ar de criminalidade".

A preocupação do casal é com os comerciantes da região, que viraram amigos com o passar do tempo. "Com a saída da rodoviária dali vai tirar o pão da boca de muita gente, pois as pessoas que tem comércio na rodoviária como ficarão? Para mim não vai resolver a saída da rodoviária".

O destino dos comerciantes da rodoviária antiga e entorno ainda não foi definido pela prefeitura, mas o plano é implantar um projeto de revitalização do local.

O antigo terminal só será desativado em janeiro, quando a nova rodoviária começa a funcionar na saída para São Paulo.

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