Advogado, o pai e mais 3 são condenados a 44 anos de prisão por tráfico
Grupo de Dourados foi detido em dezembro de 2024 num assentamento rural em Ribas do Rio Pardo

A Justiça de Mato Grosso do Sul condenou a penas somadas de 44 anos de prisão os cinco homens presos por tráfico de drogas no âmbito da Operação Rottweiler, deflagrada pela Polícia Civil e pela PRF (Polícia Rodoviária Federal) em 16 de dezembro de 2024. A ação recebeu esse nome porque o bando usava cães da raça Rottweiler para vigiar a propriedade onde a droga era estocada.
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O esquema era chefiado por moradores de Dourados, onde começaram as investigações, mas os acusados foram presos com a droga em um sítio no Assentamento Mutum, no município de Ribas do Rio Pardo.
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Entre os condenados está o advogado Hélder Stefanes de Azambuja, 34. Os outros sentenciados são o pai dele, o produtor rural Heitor de Azambuja Júnior, de 58 anos; Edilson de Souza Martins, 51; Sérgio Antônio da Silva, 45; e Valcir Morais Eugênio, 38 anos.
Na sentença, assinada no dia 7 de julho, o juiz Aldrin de Oliveira Russi, da 1ª Vara Criminal da Comarca de Bataguassu, condenou Hélder Stefanes de Azambuja a 8 anos e 10 meses de reclusão e 1.283 dias-multa.
Heitor de Azambuja Júnior foi sentenciado a 9 anos e 11 meses de reclusão e 1.391 dias-multa. Edilson de Souza Martins foi condenado a 8 anos e 10 meses de reclusão, além de 1.283 dias-multa.
Sérgio Antonio da Silva recebeu sentença de 9 anos e 11 meses de reclusão e 1.391 dias-multa. Por fim, Valcir Morais Eugênio foi condenado a 10 anos e 11 meses de reclusão, além de 1.500 dias-multa.
Desde a época das prisões, Hélder Stefanes de Azambuja está recolhido numa cela especial do Presídio Militar, em Campo Grande. Os demais estão recolhidos na PED (Penitenciária Estadual de Dourados). Na sentença, o magistrado manteve a prisão preventiva dos 5 réus. Com isso, eles não poderão recorrer em liberdade e terão de começar a cumprir a pena em regime fechado.
Hélder de Azambuja negou ligação com o tráfico e disse que tinha ido ao sítio apenas para atender a um chamado do pai, que havia passado mal.
“A defesa de Hélder tem confiança de que o Tribunal de Justiça modificará a condenação. A sentença foi extremamente genérica. Não se ateve a nenhuma das teses defensivas. Hélder nega a prática ou envolvimento em qualquer ilícito”, disse o advogado dele, Alberi Rafael Dehn Ramos. As defesas dos outros 4 condenados também apresentaram apelação contra a sentença.

As prisões
Heitor de Azambuja Júnior e Sérgio da Silva foram presos no assentamento, onde estava um caminhão Mercedes-Benz azul com 2.100 quilos de maconha. O helicóptero da PRF localizou o caminhão e avisou as equipes terrestres.
Ainda no sítio, os policiais rodoviários federais encontraram uma caminhonete Ford F250 cabine dupla. Nos bancos traseiros foram encontradas várias malas.
Os 2 presos contaram aos policiais que outras três pessoas também envolvidas no esquema tinham ido a Campo Grande para trazer outro caminhão, um Mercedes-Benz verde claro. Os policiais permaneceram na propriedade até a chegada dos demais suspeitos, que também foram presos em flagrante. A caminhonete Toyota Hilux de Heitor foi apreendida.
Segundo a investigação policial, o caminhão azul, mais velho, era usado para trazer a droga da linha internacional com o Paraguai. A quadrilha utilizava principalmente estradas de terra para chegar ao sítio em Santa Rita do Pardo, a 500 km de Pedro Juan Caballero.
O sítio era estratégico para o esquema, pois fica a menos de 90 km do território paulista, para onde as cargas eram enviadas, segundo a polícia. Na propriedade rural, a droga era colocada no Mercedes-Benz verde, mais novo, e a levava para São Paulo.
Nos meses anteriores às prisões, pelo menos 15 pessoas ligadas ao esquema foram presas na região de Dourados. Com o desfalque causado pelas ações policiais, Heitor de Azambuja Júnior e Valcir Eugênio – apontados como líderes do esquema – se viram obrigados a assumir o trabalho de campo para articular o envio das cargas a São Paulo.
Heitor e Valcir já possuíam antecedentes criminais por tráfico de drogas. Valcir residia em Ponta Porã e Hélder em Dourados. Heitor mantinha residência em Dourados e Ponta Porã. Sérgio morava no sítio em Santa Rita do Pardo e o caminhoneiro Edilson Martins residia em Mato Grosso.
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