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Interior

Advogado, o pai e mais 3 são condenados a 44 anos de prisão por tráfico

Grupo de Dourados foi detido em dezembro de 2024 num assentamento rural em Ribas do Rio Pardo

Por Helio de Freitas, de Dourados | 31/07/2026 15:05
Advogado, o pai e mais 3 são condenados a 44 anos de prisão por tráfico
Heitor de Azambuja Júnior quando chegava à Polícia Civil, em dezembro de 2024 (Foto: Leandro Holsbach)

A Justiça de Mato Grosso do Sul condenou a penas somadas de 44 anos de prisão os cinco homens presos por tráfico de drogas no âmbito da Operação Rottweiler, deflagrada pela Polícia Civil e pela PRF (Polícia Rodoviária Federal) em 16 de dezembro de 2024. A ação recebeu esse nome porque o bando usava cães da raça Rottweiler para vigiar a propriedade onde a droga era estocada.

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A Justiça de Mato Grosso do Sul condenou cinco homens a penas somadas de 44 anos de prisão por tráfico de drogas, no âmbito da Operação Rottweiler, deflagrada em dezembro de 2024. Entre os condenados estão o advogado Hélder Stefanes de Azambuja e seu pai, Heitor de Azambuja Júnior, apontado como líder do esquema, que utilizava cães Rottweiler para vigiar um sítio onde eram estocados 2.100 quilos de maconha em Ribas do Rio Pardo.

O esquema era chefiado por moradores de Dourados, onde começaram as investigações, mas os acusados foram presos com a droga em um sítio no Assentamento Mutum, no município de Ribas do Rio Pardo.

Entre os condenados está o advogado Hélder Stefanes de Azambuja, 34. Os outros sentenciados são o pai dele, o produtor rural Heitor de Azambuja Júnior, de 58 anos; Edilson de Souza Martins, 51; Sérgio Antônio da Silva, 45; e Valcir Morais Eugênio, 38 anos.

Na sentença, assinada no dia 7 de julho, o juiz Aldrin de Oliveira Russi, da 1ª Vara Criminal da Comarca de Bataguassu, condenou Hélder Stefanes de Azambuja a 8 anos e 10 meses de reclusão e 1.283 dias-multa.

Heitor de Azambuja Júnior foi sentenciado a 9 anos e 11 meses de reclusão e 1.391 dias-multa. Edilson de Souza Martins foi condenado a 8 anos e 10 meses de reclusão, além de 1.283 dias-multa.

Sérgio Antonio da Silva recebeu sentença de 9 anos e 11 meses de reclusão e 1.391 dias-multa. Por fim, Valcir Morais Eugênio foi condenado a 10 anos e 11 meses de reclusão, além de 1.500 dias-multa.

Desde a época das prisões, Hélder Stefanes de Azambuja está recolhido numa cela especial do Presídio Militar, em Campo Grande. Os demais estão recolhidos na PED (Penitenciária Estadual de Dourados). Na sentença, o magistrado manteve a prisão preventiva dos 5 réus. Com isso, eles não poderão recorrer em liberdade e terão de começar a cumprir a pena em regime fechado.

Hélder de Azambuja negou ligação com o tráfico e disse que tinha ido ao sítio apenas para atender a um chamado do pai, que havia passado mal.

“A defesa de Hélder tem confiança de que o Tribunal de Justiça modificará a condenação. A sentença foi extremamente genérica. Não se ateve a nenhuma das teses defensivas. Hélder nega a prática ou envolvimento em qualquer ilícito”, disse o advogado dele, Alberi Rafael Dehn Ramos.  As defesas dos outros 4 condenados também apresentaram apelação contra a sentença.

Advogado, o pai e mais 3 são condenados a 44 anos de prisão por tráfico
Inspetor da PRF sobre o caminhão com droga e ao fundo o helicóptero que localizou a carga (Foto: Divulgação)

As prisões

Heitor de Azambuja Júnior e Sérgio da Silva foram presos no assentamento, onde estava um caminhão Mercedes-Benz azul com 2.100 quilos de maconha. O helicóptero da PRF localizou o caminhão e avisou as equipes terrestres.

Ainda no sítio, os policiais rodoviários federais encontraram uma caminhonete Ford F250 cabine dupla. Nos bancos traseiros foram encontradas várias malas.

Os 2 presos contaram aos policiais que outras três pessoas também envolvidas no esquema tinham ido a Campo Grande para trazer outro caminhão, um Mercedes-Benz verde claro. Os policiais permaneceram na propriedade até a chegada dos demais suspeitos, que também foram presos em flagrante. A caminhonete Toyota Hilux de Heitor foi apreendida.

Segundo a investigação policial, o caminhão azul, mais velho, era usado para trazer a droga da linha internacional com o Paraguai. A quadrilha utilizava principalmente estradas de terra para chegar ao sítio em Santa Rita do Pardo, a 500 km de Pedro Juan Caballero.

O sítio era estratégico para o esquema, pois fica a menos de 90 km do território paulista, para onde as cargas eram enviadas, segundo a polícia. Na propriedade rural, a droga era colocada no Mercedes-Benz verde, mais novo, e a levava para São Paulo.

Nos meses anteriores às prisões, pelo menos 15 pessoas ligadas ao esquema foram presas na região de Dourados. Com o desfalque causado pelas ações policiais, Heitor de Azambuja Júnior e Valcir Eugênio – apontados como líderes do esquema – se viram obrigados a assumir o trabalho de campo para articular o envio das cargas a São Paulo.

Heitor e Valcir já possuíam antecedentes criminais por tráfico de drogas. Valcir residia em Ponta Porã e Hélder em Dourados. Heitor mantinha residência em Dourados e Ponta Porã. Sérgio morava no sítio em Santa Rita do Pardo e o caminhoneiro Edilson Martins residia em Mato Grosso.

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