ACOMPANHE-NOS     Campo Grande News no Facebook Campo Grande News no X Campo Grande News no Instagram Campo Grande News no TikTok Campo Grande News no Youtube
SETEMBRO, SEGUNDA  14    CAMPO GRANDE 26º

Meio Ambiente

Calor, fumaça e doenças: Saúde prepara rede para impactos do El Niño

Plano prevê revisar estoques, leitos, oxigênio e estrutura das unidades diante de eventos extremos

Por Kamila Alcântara | 14/09/2026 18:53
Calor, fumaça e doenças: Saúde prepara rede para impactos do El Niño
Sala de planejamento da Secretaria Municipal de Saúde de Campo Grande (Foto: Divulgação)

Campo Grande começou a preparar a rede pública de saúde para um possível aumento de atendimentos provocado pelo El Niño. A preocupação inclui casos de desidratação, insolação, problemas respiratórios, intoxicação por fumaça, arboviroses e doenças diarreicas.

RESUMO

Nossa ferramenta de IA resume a notícia para você!

Campo Grande prepara a rede pública de saúde para enfrentar os efeitos do El Niño, com foco em doenças como desidratação, insolação, arboviroses e problemas respiratórios. A cidade é considerada prioritária pelo estado para adaptar o SUS às mudanças climáticas, ao lado de Dourados e Corumbá. O plano inclui revisão de leitos, estoques e infraestrutura das unidades, além da criação de um grupo de monitoramento integrado entre saúde, defesa civil e outros setores.

A estratégia também busca evitar que temporais, estiagens, incêndios ou falhas no abastecimento prejudiquem o funcionamento das unidades. Telhados, calhas, sistemas de drenagem e fornecimento de água e energia estão entre os pontos que deverão ser avaliados.

O planejamento prevê ainda a revisão da capacidade de leitos, dos estoques de oxigênio, medicamentos e demais insumos. Equipamentos e reservas estratégicas também deverão ser verificados antes dos períodos considerados mais críticos.

Segundo a Sesau (Secretaria Municipal de Saúde), Campo Grande está entre os municípios prioritários para adaptar a estrutura do SUS (Sistema Único de Saúde) aos efeitos das mudanças climáticas. A lista estadual também inclui Dourados, Corumbá, Ponta Porã, Aquidauana, Coxim, Miranda, Paranaíba, Caarapó e Porto Murtinho.

Nesta segunda-feira (14), representantes de diferentes setores da prefeitura discutiram como organizar a resposta da rede. Foi a segunda reunião técnica realizada neste mês sobre o assunto. A primeira ocorreu no início de setembro.

O secretário municipal de Saúde, Marcelo Vilela, afirmou que os protocolos e fluxos de atendimento precisam ser definidos antes que um evento extremo pressione as unidades.

“A preparação precisa acontecer antes do evento. Estamos antecipando cenários e fortalecendo o planejamento da nossa rede para diferentes situações, desde possíveis alterações no perfil das doenças respiratórias e dos agravos relacionados ao calor até os impactos que eventos climáticos podem trazer para os serviços de saúde. O objetivo é aprimorar protocolos, organizar fluxos e garantir que as equipes estejam cada vez mais preparadas para responder de forma rápida e eficiente.”

O plano prevê o mapeamento das regiões mais vulneráveis e das pessoas que podem sofrer consequências mais graves. Entre os grupos considerados estão idosos, gestantes, crianças pequenas, pessoas com deficiência, pacientes acamados ou em oxigenoterapia domiciliar e moradores com doenças respiratórias ou cardiovasculares.

A Vigilância em Saúde também deverá cruzar os alertas meteorológicos com os dados de atendimento. Serão acompanhados os comunicados da Defesa Civil, do Inmet (Instituto Nacional de Meteorologia) e do Cemtec-MS (Centro de Monitoramento do Tempo e do Clima de Mato Grosso do Sul).

A superintendente de Vigilância em Saúde, Veruska Lahdo, explicou que o objetivo é identificar mudanças antes que elas provoquem sobrecarga nos serviços.

“Quando falamos em eventos climáticos extremos, estamos falando também de riscos concretos para a saúde. O nosso papel é acompanhar os alertas, observar os indicadores e identificar precocemente qualquer alteração no perfil das doenças e agravos para que a resposta possa acontecer antes que a situação se agrave.”

A lista de riscos acompanhados inclui doenças respiratórias, arboviroses, quadros de desidratação, insolação, intoxicação pela fumaça e acidentes com animais peçonhentos. Enchentes, secas e vendavais também podem elevar a ocorrência de quedas, ferimentos e outros traumas.

A preparação faz parte do AdaptaSUS, programa voltado à adaptação do sistema público de saúde às mudanças climáticas. Em Campo Grande, a proposta será incorporada aos planos já existentes para chuvas intensas, estiagens e incêndios.

Também está prevista a criação de um grupo de monitoramento, com responsáveis definidos e comunicação direta entre as unidades e a administração municipal. A articulação deverá envolver Saúde, Defesa Civil, Assistência Social, Meio Ambiente, Educação, Corpo de Bombeiros e responsáveis pelo fornecimento de água e energia.

Receba as principais notícias do Estado pelo Whats. Clique aqui para acessar o canal do Campo Grande News e siga nossas redes sociais.