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Interior

“Agonia”: Processo detalha como professor condenado a 40 anos aterrorizou alunas

Vítima conta que até parou de estudar e outra vestia três calças para ir à escola

Por Aline dos Santos | 23/09/2021 08:33
Justiça condenou professor de Nioaque a 40 anos de prisão. Cidade fica a 179 km de Campo Grande. 
Justiça condenou professor de Nioaque a 40 anos de prisão. Cidade fica a 179 km de Campo Grande.

O processo em que professor de 63 anos foi condenado por assediar alunas detalha, com frases impactantes, como era a rotina das estudantes, sendo a mais nova de apenas 11 anos.

Uma adolescente chegou a parar de estudar por um ano, enquanto outra ia com três calças para a escola por temer o professor. A condenação a 40 anos de prisão veio à tona no ano de 2019 , agora, a reportagem teve acesso ao processo. O caso aconteceu em Nioaque, a 179 km de Campo Grande.

As vítimas tinham de 11 a 17 anos. A mais nova relatou que era chamada de “amorzinho” e “gatinha”. O professor a tocava de forma imprópria e, na situação mais grave, passou a mão no seu seio. Tudo aconteceu no ambiente escolar. Outras alunas relataram toque nas nádegas.

O processo traz frase de impacto, sobre o quanto as alunas eram importunadas:

Quando tinha dúvida, não ia perguntar para o professor, porque tinha medo dele me agarrar na frente da turma”. 

"Quando ele me chamava de 'MEU AMOR' me dava muito agonia, porque é brincadeira sem graça”

"Nenhum outro professor tratava desse jeito”

“Teve um dia em que estavam fazendo trabalho escolar no pátio da escola e eu fui tirar uma dúvida com ele, e ele tentou me beijar. Ele chegou perto de mim e eu virei o rosto e saí”

"Você está boa hoje? Ia mostrar um gráfico, e falava ‘pornográfico’”

“Você vai com quatro de média, mas se quiser ganhar mais, vai lá em casa às 15h”

Condenação foi por estupro de vulnerável. (Foto: Marcelo Casal Jr/Agência Brasil)
Condenação foi por estupro de vulnerável. (Foto: Marcelo Casal Jr/Agência Brasil)

Uma das estratégias era dar nota baixa, para que as adolescentes o procurassem para conversar. Noutro caso, aumentava as notas de uma das alunas, também vítima de investidas. Uma adolescente de 14 anos relatou que parou de estudar por um ano para fugir do assédio.

Noutra situação, chamou um aluno de 17 anos para conversar fora da escola e pediu que ele intermediasse relação sexual entre ele e uma aluna, amiga do adolescente. Sem sucesso, chamou o garoto novamente para reclamar. Nessa ocasião, o professor colocou a mão do aluno dentro do seu short e estava excitado.

Em 2019, a condenação também determinou perda do cargo do professor e pagamento de indenização de R$ 5 mil a cada vítima por danos morais. A reportagem não conseguiu contato com a defesa. O nome do autor não foi divulgado para resguardar as identidades das vítimas. Ele nega os crimes e está preso desde 2018.

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