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Interior

Além de covid, Dourados concentra casos de arboviroses e vive tríplice epidemia

Cidade do sul do Estado tem 12 casos de zika vírus e 46 de febre chikungunya

Por Lucia Morel | 03/06/2020 19:24
Dourados já é considerada pelo governo do Estado o epicentro do coronavírus em MS e também enfrenta epidemia de dengue, zika e chikungunya. (Foto: Divulgação governo de MS)
Dourados já é considerada pelo governo do Estado o epicentro do coronavírus em MS e também enfrenta epidemia de dengue, zika e chikungunya. (Foto: Divulgação governo de MS)

Além de covid-19, Dourados, cidade a 300 Km de Campo Grande, também lidera os casos confirmados de zika vírus e chikungunya em Mato Grosso do Sul. Das 24 confirmações do primeiro, 12 são no município e dos casos do segundo, são 46 de um total de 65.

Uma explicação para esse avanço na região seria a população de lá estar mais suscetível à doença. A infectologista Mariana Croda explica que em anos anteriores, houve muitos infectados em Campo Grande, o que tornou maior parte dos habitantes da Capital, imune. Sem tantos casos nos anos passados, por alguma razão, tais infecções acharam “terreno fértil” em Dourados.

“Não tem uma razão explicável para a mudança dos casos de arboviroses de uma região para a outra. A leitura que podemos fazer é que neste momento, aquela região tem sido a mais adequada para a proliferação dessas doenças”, detalha.

Quando as tais arboviroses - Doenças causadas pelos chamados arbovírus, transmitidos por artrópodes, ou seja, insetos e aracnídeos, como aranhas e carrapatos – proliferam numa determinada área, a única certeza é de que a os moradores desse local não alcançaram a chamada imunidade de rebanho, que é quando maior parte e de uma determinada população foi infectada e então, se encontra imune.

Tríplice epidemia – Mariana demonstra preocupação com a região sul de MS diante do que chama de tríplice epidemia – dengue, zika e chikungunhya. Algumas doenças causam mais morbidade, já outras sequelas e alta ocupação de leitos, o que pode sim, causar um colapso no sistema.

“São muitos óbitos, muita gente doente e muita ocupação de leitos e esse olhar pro sul do Estado é preocupante, justamente num momento de pandemia de coronavírus, porque além de trabalhar com as doenças já endêmicas (dengue, zika e chikungunya), ainda temos que trabalhar com a covid”, detalha.

Dourados tem 21% de todos os casos do novo coronavírus de Mato Grosso do Sul, com 378 confirmações. Campo Grande aparece em segundo lugar, com 329, mas tem quatro vezes mais habitantes que lá, que já é considerado o epicentro da doença no Estado.