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Interior

Cidade de MS teve 157 focos de queimadas em duas semanas do ano

Na última semana, queimada na planície pantaneira destruiu mais de 5 mil hectares de vegetação

Por Elci Holsback | 16/01/2017 13:27
Incêndio iniciou na Bolívia e queimou 5 mil ha em MS (Foto: Divulgação/Bombeiros)
Incêndio iniciou na Bolívia e queimou 5 mil ha em MS (Foto: Divulgação/Bombeiros)

A tempestade que atingiu Corumbá - distante 419 km de Campo Grande, na última quinta-feira (12) apagou as chamas do incêndio que atingia a planície pantaneira desde o início do ano, porém a cidade soma 157 focos de queimadas em duas semanas. 

A cidade sul-mato-grossense lidera o ranking nacional. Pacaraíma (RR) aparece me segundo lugar, com 23 focos e Sorriso (MT) registrou 19 focos de incêndio no período, segundo dados do Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais).

Nos primeiros 15 dias deste ano foram registrados 225 focos de queimadas em Mato Grosso do Sul. Em 2015, foram registrados 226 focos durante todo o mês de janeiro. O maior registro para o período no Estado ocorreu no ano 2000, com 326 focos, e o único ano em que não foi registrada nenhuma queimada em Mato Grosso do Sul no mês de janeiro foi em 1998.

Cobras, corujas e lagartos já foram resgatados nas áreas urbanas de Corumbá e Ladário neste início de ano (Foto: Divulgação/Bombeiros)
Cobras, corujas e lagartos já foram resgatados nas áreas urbanas de Corumbá e Ladário neste início de ano (Foto: Divulgação/Bombeiros)

Danos - De acordo com informações do Corpo de Bombeiros, as chamas, que duraram cerca de uma semana, iniciaram na Bolívia, atingiram até 5 metros de altura e o total de área devastada ultrapassa os 5 mil hectares. "Essa área foi devastada apenas no lado brasileiro. Na Bolívia, o fogo começou uma semana antes, ou seja, os danos podem ser muito maiores", explica o cabo André Marti.

Ainda segundo Marti, a suspeita é de que o incêndio tenha sido criminoso, provavelmente iniciado durante limpeza de pasto em área rural da Bolívia. "Perderam o controle do fogo, que atravessou para o lado brasileiro. A área é de muito difícil acesso, então ainda não foram contabilizados os danos totais desse incêndio", avalia.

Ainda de acordo com o bombeiro, apesar dos altos índices de queimadas registrados no município nas últimas semanas, não é comum esse tipo de problema no início do ano. "As queimadas são muito intensas aqui entre junho em agosto, tempo de seca, mas agora há muitas chuvas, não é tão comum acontecer isso", comenta.

Entretanto, como o período de cheia do rio Paraguai ainda não está completo e há muita vegetação seca na planície, ainda há risco de novos focos. "A vegetação está muito seca e qualquer ação, seja humana ou da própria natureza é perigosa. A situação deve melhorar quando a cheia do rio estiver concluída", destaca Marti.

Até a manhã da última quinta-feira, antes da chuva na cidade, as chamas avançavam rapidamente e uma nuvem de fumaça e muita fuligem entraram na cidade, incomodando moradores.

Ainda há riscos de novos focos na região afetada (Foto: Divulgação/Bombeiros)
Ainda há riscos de novos focos na região afetada (Foto: Divulgação/Bombeiros)

Fauna em risco - Com a destruição do habitat pelas chamas, muitas espécies podem ter morrido e outras, fugiram para outras áreas em busca de alimento. De acordo com o cabo Marti, não há um levantamento sobre a quantidade de animais que podem ter sofrido com os efeitos dessa queimada, mas a região é habitat de muitos animais silvestres, como cobras, pássaros variados, inclusive tiuius e até mesmo onças.

"Muitos podem ter buscado refúgio e alimento em outras regiões, chegando até mesmo na área urbana da cidade", avalia o bombeiro.

Parte desse impacto já pode ser sentido na quantidade de resgates de animais silvestres em áreas urbanas de Corumbá e Ladário. Somente nos primeiros 15 dias de 2017, foram 11 animais, entre corujas, lagarto e cobras da espécie jiboia e sucuri.

Os Bombeiros, que realizam o resgate destes animais, destacam que não somente as queimadas são responsáveis pela incidência de animais silvestres em áreas urbanas, mas também são agentes causadores desse comportamento nos animais. "As queimadas são parte das causas", informa o cabo Carlos Alberto da Costa.

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