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Campo Grande, Sexta-feira, 15 de Dezembro de 2017

05/12/2017 13:43

Despejo tem resistência e índios ficam feridos por bala de borracha

Helio de Freitas, de Dourados
Índio mostra ferimentos supostamente provocados por bala de borracha (Foto: Direto das Ruas)Índio mostra ferimentos supostamente provocados por bala de borracha (Foto: Direto das Ruas)
Esse índio mostra ferimento no tornozelo (Foto: Direto das Ruas)Esse índio mostra ferimento no tornozelo (Foto: Direto das Ruas)

O despejo de dez famílias indígenas de um sítio localizado na margem do anel viário, região norte de Dourados – a 233 km de Campo Grande – feito na manhã desta terça-feira (5) pela Polícia Federal, teve resistência por parte dos índios.

Policiais da Força Tática da Polícia Militar, que apoiaram a ação da PF, dispararam balas de borracha e bombas de efeito moral para garantir o cumprimento da ordem judicial, já que os índios não aceitaram sair pacificamente da propriedade, segundo relatos feitos ao Campo Grande News por pessoas que acompanharam a desocupação.

Fotos que circulam em grupos de Whattsapp mostram índios com ferimentos provocados por balas de borracha e cortes nos pés, causados possivelmente durante a correria. As fotos também mostram os barracos destruídos e restos das bombas de gás.

Após o despejo, usando tronco em chamas, os índios bloquearam o anel viário em frente ao sítio, no trecho entre a MS-156 e a BR-163.

Funai não fala – O coordenador da Funai em Dourados, Fernando de Souza, foi procurado para falar sobre o caso, mas não se manifestou. Na ordem judicial que determinou à PF o cumprimento da reintegração de posse, a Justiça Federal tinha mandado intimar a Funai para que enviasse representantes para acompanhar o despejo, mas nenhum servidor do órgão foi ao local hoje.

O comando da Polícia Militar em Dourados informou que a operação foi coordenada pela Polícia Federal e os militares apenas deram apoio. O delegado-chefe da PF na cidade, Nivaldo Lopes da Silva, não foi encontrado na delegacia por estar em horário de almoço.

Após despejo, índios bloquearam o anel viário, na região norte de Dourados (Foto: Direto das Ruas)Após despejo, índios bloquearam o anel viário, na região norte de Dourados (Foto: Direto das Ruas)

Despejo – Foi o segundo despejo de índios nessa propriedade. A primeira ocorreu em outubro do ano passado, sete meses após a invasão. Em julho deste ano os índios voltaram a ocupar o sítio, onde são produzidos hortifrutigranjeiros.

Em julho deste ano a Justiça determinou em caráter definitivo a reintegração de posse, mas a polícia não cumpriu a ordem. A defesa da proprietária apelou e em novembro saiu a ordem para que o despejo fosse feito dentro de 90 dias. A reintegração só foi feita após a Justiça Federal intimar até o governador Reinaldo Azambuja para que mobilizasse o efetivo da PM para apoiar a ação.

Outros seis sítios, também localizados na margem do Anel Viário, rodovia que separa bairros da região norte da reserva indígena local, continuam invadidos desde março do ano passado.

Nos recursos contra o despejo, advogados da Funai e o procurador da República Marco Antonio Delfino de Almeida sustentam que as terras ocupada pelos índios seriam extensão da reserva de Dourados, pois dos 3.600 hectares da área indígena criada em 1917, apenas 3.539 foram registrados no cartório de imóveis, 49 anos depois.



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