Irregularidade das chuvas e altas temperaturas afetam lavouras de soja em MS
Levantamento aponta 43,9% da área colhida e indica avanço do plantio do milho 2ª safra, que já alcança 45,8%
O acompanhamento técnico realizado pela Aprosoja, por meio do Projeto SIGA-MS, indica que as lavouras de soja em Mato Grosso do Sul apresentam, de maneira geral, condições majoritariamente boas, embora com variações significativas entre as regiões do Estado. As diferenças estão associadas, principalmente, à irregularidade das chuvas e às altas temperaturas registradas nos meses de janeiro e fevereiro de 2026.
RESUMO
Nossa ferramenta de IA resume a notícia para você!
As lavouras de soja em Mato Grosso do Sul apresentam condições majoritariamente boas, com variações entre regiões devido à irregularidade das chuvas e altas temperaturas em janeiro e fevereiro de 2026. Na região norte, 86,3% das áreas são classificadas como boas, enquanto no sul e sudeste o cenário é mais desafiador, com apenas 41,2% a 61,3% em boas condições. A colheita atingiu 43,9% da área monitorada até 27 de fevereiro, equivalente a 2,104 milhões de hectares. O plantio do milho segunda safra alcançou 45,8% da área prevista, com aproximadamente 1,010 milhão de hectares semeados. Mais de 640 mil hectares foram impactados por períodos de estiagem superiores a 20 dias.
Na última semana de fevereiro, os técnicos mantiveram o monitoramento do desenvolvimento das lavouras e do avanço da colheita da safra 2025/2026, além do acompanhamento do plantio do milho segunda safra. As informações são coletadas junto a produtores rurais, sindicatos e empresas de assistência técnica nos principais municípios produtores do Estado.
- Leia Também
- Escalada de conflito deve afetar negócios de Mato Grosso do Sul no Oriente Médio
- Ar e eletricidade viram aliados do agro contra fungos e micotoxinas
Condição das lavouras varia entre regiões - Na região norte, 86,3% das áreas são classificadas como boas. As áreas consideradas regulares somam 6,7%, enquanto 7% enfrentam problemas, relacionados principalmente à textura arenosa do solo, períodos de estiagem e incidência de pragas.
Nas regiões nordeste, sudoeste e centro, o percentual de áreas em boas condições varia entre 61,9% e 69,5%. As áreas regulares representam entre 16,7% e 24,3%, enquanto as lavouras com problemas mais severos chegam a 16,2%. Nesses casos, os impactos estão associados a chuvas irregulares, falhas no estande de plantas e questões de manejo.
O cenário é mais desafiador em parte das regiões oeste, sul, sul-fronteira e sudeste. Nessas localidades, o percentual de áreas em boas condições varia de 41,2% a 61,3%. As áreas classificadas como regulares oscilam entre 20,4% e 44,2%, e as consideradas ruins podem atingir até 18,3% da área, especialmente onde ocorreram veranicos prolongados, altas temperaturas e maior pressão de pragas.
De acordo com o assessor técnico da Aprosoja/MS, Flavio Aguena, o quadro climático se agravou ao longo do bimestre. “Após um cenário considerado positivo em dezembro de 2025, quando mais de 75% das lavouras apresentavam boas condições, janeiro e fevereiro registraram agravamento no quadro climático. A estiagem associada às temperaturas elevadas comprometeu o desenvolvimento das plantas, sobretudo na região sul do Estado”, afirma.
Levantamentos de campo indicam que mais de 640 mil hectares foram impactados por períodos superiores a 20 dias sem chuvas em determinadas localidades. Municípios como Dourados, Ponta Porã, Maracaju e Amambai estão entre os mais afetados.
Dados de precipitação reforçam o cenário de restrição hídrica. Em janeiro de 2026, grande parte do Estado registrou volumes abaixo da média histórica. Dos 63 pontos monitorados, 59 apresentaram acumulados inferiores ao esperado para o período. O Índice Padronizado de Precipitação também aponta intensificação das condições de seca, especialmente nas regiões pantaneira e nordeste.
Colheita atinge 43,9% da área monitorada - Mesmo diante das dificuldades climáticas, a colheita da soja avança em Mato Grosso do Sul. Até 27 de fevereiro, a área colhida acompanhada pelo Projeto SIGA-MS alcançou 43,9%, o equivalente a aproximadamente 2,104 milhões de hectares.
A região sul lidera o avanço dos trabalhos, com 53,2% da área colhida. Na sequência aparecem a região centro, com 31,8%, e a região norte, com 24,7%.
Em comparação com o mesmo período da safra 2024/2025, o ritmo atual está 6,6 pontos percentuais abaixo.
Plantio do milho segunda safra chega a 45,8% - O plantio do milho segunda safra 2025/2026 também segue em andamento no Estado. Até 27 de fevereiro, 45,8% da área acompanhada pelo Projeto SIGA-MS já havia sido semeada, o que corresponde a cerca de 1,010 milhão de hectares.
A região sul apresenta o maior percentual de área implantada, com 48%. Em seguida estão as regiões norte, com 42,9%, e centro, com 39,8%.
Na comparação com o mesmo período da safra passada, o plantio está 1,3 ponto percentual à frente.
Segundo Flavio Aguena, nesta safra o milho deve ocupar aproximadamente 46% da área destinada à soja no Estado, percentual inferior aos 75% já registrados em anos anteriores. A tendência, conforme o assessor técnico, é que o cereal seja priorizado em áreas com menor risco climático. Nas demais, os produtores devem optar por culturas alternativas de segunda safra, como sorgo, milheto e pastagens, como estratégia de mitigação de riscos diante das condições climáticas observadas neste ciclo.


