Do isolamento à esperança: asfalto muda o destino do Chaco Paraguaio
Antiga Picada 500 começa a ficar no passado e abre caminho para a integração continental

No coração do Chaco Paraguaio, uma estrada que por décadas simbolizou medo, poeira e isolamento começa, finalmente, a mudar de significado. A antiga e temida Picada 500 dá lugar a um novo cenário em Pozo Hondo, no departamento de Boquerón, às margens do rio Pilcomayo — fronteira natural com a Argentina, entre Mission La Paz e Santa Victoria Este, na província de Salta.
RESUMO
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A antiga Picada 500, no Chaco Paraguaio, está sendo transformada em uma moderna rodovia como parte do Corredor Bioceânico. A obra, que inclui 220 quilômetros de pavimentação entre Mariscal Estigarribia e Pozo Hondo, representa um investimento de US$ 354 milhões, financiados pelo FONPLATA. O projeto, que ocorre simultaneamente à construção de uma ponte internacional ligando Carmelo Peralta (Paraguai) a Porto Murtinho (Brasil), promete revolucionar a logística regional. A nova rota reduzirá distâncias entre áreas produtivas e centros de consumo, fortalecendo a conexão entre Brasil, Argentina, Paraguai e Chile.
Ali, onde antes o deslocamento era sinônimo de risco, o clima agora é de expectativa. O avanço da pavimentação do Corredor Bioceânico vem redesenhando o cotidiano da população e alimentando a esperança de um novo tempo para uma das regiões mais remotas da América do Sul.
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A transformação ocorre em paralelo à construção da ponte internacional sobre o rio Paraguai, que vai ligar Carmelo Peralta, no Paraguai, a Porto Murtinho, em Mato Grosso do Sul. Juntas, as obras formam o eixo físico de um projeto que promete encurtar distâncias, integrar países e reposicionar o continente no mapa do comércio global.
A rodovia PY-15, oficialmente conhecida por esse nome, mas eternizada como Picada 500, avança em direção a Pozo Hondo substituindo o antigo trajeto precário por uma via moderna, planejada para suportar tráfego pesado e garantir segurança durante todo o ano — algo impensável até pouco tempo atrás naquela região marcada por lama no período das chuvas e poeira extrema na estiagem.
Nas frentes de trabalho, máquinas operam em ritmo constante. São realizados aterros, aplicação de solo-cal e solo-cimento, além da implantação de sistemas de drenagem. Técnicas fundamentais para garantir estabilidade estrutural e maior durabilidade do pavimento, em uma área onde o solo sempre foi um dos maiores desafios.
Os serviços incluem ainda construção de sub-base reforçada com cimento, esgotos celulares de concreto armado e aplicação de base granular — etapas decisivas para que a estrada deixe de ser apenas um caminho e passe a ser, de fato, um corredor logístico.
Enquanto o asfalto avança, os reflexos já começam a aparecer fora do canteiro de obras. Nas pequenas comunidades do entorno, o comércio sente os primeiros sinais de mudança. Hotéis, lojas e prestadores de serviços registram aumento na movimentação, impulsionados pela presença dos trabalhadores e, principalmente, pela expectativa de um futuro menos isolado.
Integração que vai além das fronteiras
Inserido no Corredor Viário Bioceânico, o trecho é considerado estratégico para o Paraguai. A nova rota reduz distâncias entre áreas produtivas e centros de consumo, amplia a competitividade e fortalece a conexão com Brasil, Argentina e Chile.
Ao todo, quatro consórcios atuam simultaneamente na pavimentação de 220 quilômetros da PY-15, divididos em lotes de 55 km entre Mariscal Estigarribia e Pozo Hondo. O investimento soma US$ 354 milhões, com financiamento do FONPLATA.
Com o avanço das obras, a Picada 500 deixa de representar o fim do caminho para se transformar em passagem para o futuro. Mais do que uma estrada, a rodovia passa a simbolizar um novo capítulo para o Chaco Paraguaio — agora conectado a um projeto continental que une o Atlântico ao Pacífico e reposiciona a região no mapa do desenvolvimento sul-americano.


