Indústria reage no país e MS aparece entre os destaques de crescimento
Produção industrial sul-mato-grossense avança 8,7% na comparação com janeiro do ano passado

Depois de meses de ritmo mais lento, a indústria brasileira começou 2026 dando sinais de recuperação. Na passagem de dezembro para janeiro, a produção industrial do país avançou 1,8%, interrompendo uma sequência de resultados negativos no final de 2025. Os dados são da Pesquisa Industrial Mensal Regional (PIM), divulgada pelo IBGE nesta quinta-feira (13).
RESUMO
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A indústria brasileira iniciou 2026 com sinais de recuperação, registrando crescimento de 1,8% em janeiro, após resultados negativos no final de 2025. Mato Grosso do Sul destacou-se entre os estados com maior expansão industrial, apresentando crescimento de 8,7% em comparação com janeiro de 2025, superando significativamente a média nacional de 0,2%. O avanço industrial sul-mato-grossense é impulsionado principalmente pelos setores de celulose, papel, indústria alimentícia e bioenergia. Apesar dos resultados positivos, o IBGE alerta que a recuperação nacional ainda é cautelosa, influenciada por fatores como juros elevados e restrições de crédito que moderam investimentos e produção.
Apesar de o maior impulso no mês ter vindo de estados como Pará (8,6%), São Paulo (3,5%) e Minas Gerais (3,2%), o retrato mais animador aparece quando a comparação é feita com janeiro do ano passado. Nesse recorte, Mato Grosso do Sul surge entre os estados com maior crescimento industrial do país.
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MS cresce acima da média nacional
Na comparação com janeiro de 2025, a indústria sul-mato-grossense cresceu 8,7%, desempenho bem acima da média nacional, que ficou praticamente estável, com variação de 0,2%.
O resultado coloca Mato Grosso do Sul entre os principais polos de expansão industrial no início de 2026, ao lado de estados como Pernambuco, Espírito Santo, Maranhão e Rio de Janeiro.
Embora o IBGE não detalhe todos os segmentos regionais na divulgação resumida, o crescimento da indústria no Estado costuma estar ligado ao avanço de cadeias produtivas estratégicas, como:
celulose e papel, impulsionada pelos grandes complexos industriais da Costa Leste;
indústria alimentícia, ligada ao processamento de carne e grãos;
bioenergia e derivados do agro, setores que vêm ampliando capacidade nos últimos anos.
Esse movimento acompanha a própria transformação da economia sul-mato-grossense, cada vez mais integrada ao processamento industrial da produção agrícola.
Recuperação ainda é cautelosa
No cenário nacional, o IBGE avalia que o avanço de janeiro tem um caráter compensatório, depois de quatro meses seguidos de queda no final de 2025, período em que a indústria acumulou retração de 2,5%.
Segundo o analista da pesquisa, Bernardo Almeida, fatores macroeconômicos ainda pesam sobre o setor.
“A taxa de juros elevada e o crédito mais restrito continuam moderando decisões de investimento e produção”, explica.
Ou seja, a retomada existe, mas ainda ocorre em ritmo cauteloso.
Produção ainda cresce pouco no país
Mesmo com o desempenho positivo de alguns estados, o avanço nacional segue tímido:
+0,2% na comparação com janeiro de 2025
+0,5% no acumulado dos últimos 12 meses
O levantamento mostra que 8 dos 18 locais pesquisados tiveram crescimento, enquanto outros estados registraram recuos, como Rio Grande do Norte (-24,9%) e Bahia (-10,3%).
Industrialização ganha peso em MS
Para Mato Grosso do Sul, o crescimento da indústria reforça um processo mais amplo de industrialização ligada ao agro, impulsionado por investimentos bilionários recentes — principalmente nas cadeias de celulose, proteína animal e bioenergia.
Com novos projetos industriais em andamento e expansão logística prevista para os próximos anos, o Estado tende a ganhar cada vez mais peso na produção industrial brasileira, deixando de ser apenas exportador de matéria-prima para agregar valor dentro do próprio território.

