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Economia

Indústria reage no país e MS aparece entre os destaques de crescimento

Produção industrial sul-mato-grossense avança 8,7% na comparação com janeiro do ano passado

Por José Cândido | 13/03/2026 08:40
Indústria reage no país e MS aparece entre os destaques de crescimento
Crescimento da indústria reflete expansão de cadeias produtivas ligadas ao agro e à transformação industrial no Estado. ( Foto: Pedro Guerreiro/Ag.)

Depois de meses de ritmo mais lento, a indústria brasileira começou 2026 dando sinais de recuperação. Na passagem de dezembro para janeiro, a produção industrial do país avançou 1,8%, interrompendo uma sequência de resultados negativos no final de 2025. Os dados são da Pesquisa Industrial Mensal Regional (PIM), divulgada pelo IBGE nesta quinta-feira (13).

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A indústria brasileira iniciou 2026 com sinais de recuperação, registrando crescimento de 1,8% em janeiro, após resultados negativos no final de 2025. Mato Grosso do Sul destacou-se entre os estados com maior expansão industrial, apresentando crescimento de 8,7% em comparação com janeiro de 2025, superando significativamente a média nacional de 0,2%. O avanço industrial sul-mato-grossense é impulsionado principalmente pelos setores de celulose, papel, indústria alimentícia e bioenergia. Apesar dos resultados positivos, o IBGE alerta que a recuperação nacional ainda é cautelosa, influenciada por fatores como juros elevados e restrições de crédito que moderam investimentos e produção.

Apesar de o maior impulso no mês ter vindo de estados como Pará (8,6%), São Paulo (3,5%) e Minas Gerais (3,2%), o retrato mais animador aparece quando a comparação é feita com janeiro do ano passado. Nesse recorte, Mato Grosso do Sul surge entre os estados com maior crescimento industrial do país.

MS cresce acima da média nacional

Na comparação com janeiro de 2025, a indústria sul-mato-grossense cresceu 8,7%, desempenho bem acima da média nacional, que ficou praticamente estável, com variação de 0,2%.

O resultado coloca Mato Grosso do Sul entre os principais polos de expansão industrial no início de 2026, ao lado de estados como Pernambuco, Espírito Santo, Maranhão e Rio de Janeiro.

Embora o IBGE não detalhe todos os segmentos regionais na divulgação resumida, o crescimento da indústria no Estado costuma estar ligado ao avanço de cadeias produtivas estratégicas, como:

  • celulose e papel, impulsionada pelos grandes complexos industriais da Costa Leste;

  • indústria alimentícia, ligada ao processamento de carne e grãos;

  • bioenergia e derivados do agro, setores que vêm ampliando capacidade nos últimos anos.

Esse movimento acompanha a própria transformação da economia sul-mato-grossense, cada vez mais integrada ao processamento industrial da produção agrícola.

Recuperação ainda é cautelosa

No cenário nacional, o IBGE avalia que o avanço de janeiro tem um caráter compensatório, depois de quatro meses seguidos de queda no final de 2025, período em que a indústria acumulou retração de 2,5%.

Segundo o analista da pesquisa, Bernardo Almeida, fatores macroeconômicos ainda pesam sobre o setor.

“A taxa de juros elevada e o crédito mais restrito continuam moderando decisões de investimento e produção”, explica.

Ou seja, a retomada existe, mas ainda ocorre em ritmo cauteloso.

Produção ainda cresce pouco no país

Mesmo com o desempenho positivo de alguns estados, o avanço nacional segue tímido:

  • +0,2% na comparação com janeiro de 2025

  • +0,5% no acumulado dos últimos 12 meses

O levantamento mostra que 8 dos 18 locais pesquisados tiveram crescimento, enquanto outros estados registraram recuos, como Rio Grande do Norte (-24,9%) e Bahia (-10,3%).

Industrialização ganha peso em MS

Para Mato Grosso do Sul, o crescimento da indústria reforça um processo mais amplo de industrialização ligada ao agro, impulsionado por investimentos bilionários recentes — principalmente nas cadeias de celulose, proteína animal e bioenergia.

Com novos projetos industriais em andamento e expansão logística prevista para os próximos anos, o Estado tende a ganhar cada vez mais peso na produção industrial brasileira, deixando de ser apenas exportador de matéria-prima para agregar valor dentro do próprio território.