Municípios de MS disputam protagonismo na Rota Bioceânica em 2026
Expectativa é de que a ponte esteja concluída no primeiro semestre deste ano

De olho na conclusão da ponte do Corredor Bioceânico de Capricórnio prevista para o primeiro semestre de 2026, municípios de Mato Grosso do Sul já se movimentam para assumir o protagonismo. Com início em 2022, atualmente, as obras estão 80% concluídas.
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Municípios de Mato Grosso do Sul intensificam preparativos para a inauguração da Rota Bioceânica, prevista para 2026. A obra, que inclui uma ponte entre Porto Murtinho (Brasil) e Carmelo Peralta (Paraguai), está 80% concluída e representa investimento de R$ 575,5 milhões. Porto Murtinho, Campo Grande, Jardim e Nova Andradina lideram as iniciativas de infraestrutura e capacitação. O corredor ligará os portos do Norte do Chile aos brasileiros, com expectativa de reduzir em 30% os custos logísticos e em 15 dias o tempo de transporte de mercadorias entre o Mercosul e a Ásia.
Capacitações, cursos de espanhol, ampliações de infraestrutura e novos investimentos estão sendo feitos, em um cenário de forte disputa: praticamente todos querem se consolidar como a principal porta de entrada da Rota Bioceânica no Brasil. A corrida agora é para estar preparado quando o corredor começar a operar em plena capacidade.
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Construída entre Porto Murtinho e Carmelo Peralta, a ponte é executada pelo consórcio binacional, com investimento de R$ 575,5 milhões (US$ 93 milhões), financiado pela administração paraguaia da Itaipu.
O corredor ligará os portos do Norte do Chile, como Antofagasta e Iquique, passando por Paraguai e Argentina, até os portos brasileiros, entre eles o de Porto Murtinho.
Além da travessia, a construção dos acessos que ligam a BR-267 à ponte passa por diversos municípios sul-mato-grossenses, como Porto Murtinho, Jardim, Caracol, Bela Vista, Guia Lopes da Laguna, Nioaque, Sidrolândia, Campo Grande, Nova Alvorada do Sul, Nova Andradina e Anaurilândia.
Principal porta de entrada brasileira da Rota Bioceânica, Porto Murtinho tem direcionado esforços para preparar a cidade para o aumento do fluxo de pessoas e mercadorias. O prefeito Nelson Cintra destaca o potencial turístico e as melhorias urbanas em andamento.
“Não tenho dúvidas que vamos ganhar no turismo. Tem algumas pousadas ao longo do Rio Paraguai que estão sendo construídas, reformei todas as escolas, ampliei os postos de saúde. Vamos fazer uma cidade aconchegante, porque quem for passar para ir ao Chile, vai ter que entrar na cidade”, pontuou.
Cintra destacou também que irá construir uma avenida de 9 quilômetros e 40 metros de largura. “Vai ficar uma avenida muito bonita para ser um atrativo e levar para a cidade. Dentro da cidade, eu estou preparando com restaurantes, com praças, nós estamos preparando a cidade para as pessoas”, completou.
Com cerca de 12,8 mil habitantes, segundo o Censo de 2022 do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), o município pode passar por uma transformação demográfica significativa. O prefeito acredita que a população pode triplicar após o início da operação do corredor.
Em agosto, a Prefeitura de Porto Murtinho iniciou uma obra orçada em R$ 5 milhões voltada ao atendimento de turistas que utilizam a Rota Bioceânica.
O espaço, denominado “Orla do Rio”, terá 600 m² e contará com receptivo, pista de caminhada, bar e área para contemplação do Rio Paraguai.
De acordo com o Mapa de Oportunidades e o Guia de Atração de Investimentos, elaborados pelo Sebrae em parceria com a prefeitura, os setores de agronegócio, hotelaria e alimentação são as principais apostas para o desenvolvimento local.
Na Capital, o foco é consolidar Campo Grande como um hub logístico da Rota. Entre as ações planejadas está o desenvolvimento do Aplicativo Rota Bioceânica, que visa integrar os países que compõem o corredor (Brasil, Paraguai, Argentina e Chile), reunindo informações oficiais, serviços turísticos e dados institucionais das cidades participantes.
A plataforma irá concentrar informações sobre restaurantes, hotéis, atrações turísticas, instituições financeiras e estabelecimentos de saúde. Cada município participante contará com uma página própria, com dados sobre população, gestão local, cultura e gastronomia, além de uma agenda cultural atualizada com fotos, descrições e horários de eventos.
Outra iniciativa já em andamento é a atualização da sinalização urbana. No dia 14 de fevereiro de 2025, a Prefeitura de Campo Grande iniciou a substituição das placas informativas, que agora passam a contar com orientações em português e espanhol. Algumas também em inglês.

No campo das articulações internacionais, uma reunião estratégica realizada em outubro reuniu autoridades do Brasil e do Chile para discutir a implantação de um voo comercial e turístico ligando Campo Grande a Iquique.
A prefeita Adriane Lopes ressaltou o trabalho de preparação da cidade para esse novo cenário. “Nós estamos trabalhando em parcerias e estive já com a reitora da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul, temos algumas parcerias que a gente está instituindo, já pensando no futuro dessa rota, pensando na cidade, pensando na área da saúde, comércio exterior. Nós estamos trabalhando a internacionalização da Capital e preparando a cidade para esse novo desafio”, pontuou.
Outro município que se prepara intensamente é Jardim, que aposta na localização estratégica para se consolidar como um dos principais polos logísticos. Na visão do prefeito Juliano Miranda, a cidade será passagem obrigatória para quem entra no Brasil pelo corredor no próximo ano.
“Jardim tem se preparado para receber todo esse público e esse desenvolvimento que ocorrerá em razão da Rota Bioceânica. A gente sustenta que Jardim vai ser o hub logístico, porque entrando no Brasil por Porto Murtinho, para qualquer destino do Brasil, seja para o Norte, para o Centro ou para o Sul, tem que passar por Jardim”, destacou.
Juliano cita também alguns investimentos feitos na área da saúde. “Estamos nos preparando para fazer grandes investimentos na infraestrutura, estamos investindo na nossa saúde, construindo um centro de diagnóstico, um centro de hemodiálise, estruturando mais o nosso hospital, também em parceria com a iniciativa privada.”
Para atender a demanda, foi criado dentro da prefeitura o Departamento da Rota Bioceânica. “Estamos catalogando tudo o que a gente tem visto e tudo que a gente tem feito com relação à rota. Estamos também investindo na atualização do nosso plano diretor, já com o olhar voltado para a questão da rota, investindo na capacitação das pessoas, curso de espanhol, entre outras qualificações”, finalizou.
Em Nova Andradina, a localização do município é vista como uma oportunidade para atrair investimentos e novas empresas. “Nova Andradina é uma cidade que está em uma posição estratégica. Ela está tanto no corredor da BR-376 quanto o nosso distrito Nova Casa Verde na BR-267”, afirmou o prefeito do município, Leandro Fedossi.
Com esse cenário, a administração municipal tem buscado apresentar o potencial da cidade ao setor produtivo. “Eu estou apresentando a cidade junto ao Sebrae, para as empresas que queiram se instalar no município”, destacou.
Uma das principais frentes de preparação envolve o parque industrial, que passou recentemente por obras de infraestrutura. “Nós estamos reavaliando a questão da doação de terrenos no nosso parque industrial que foi recentemente pavimentado, um investimento de mais de 9 milhões de reais do Governo do Estado. Nós deixamos o parque industrial preparado para receber novas empresas na cidade”, explicou.
O prefeito também ressaltou que a cidade já começa a sentir reflexos do crescimento regional. “Já temos, inclusive, um hotel novo, pronto para receber as pessoas.”
Projeto – A ponte da Rota Bioceânica terá 1.294 metros de extensão e 21 metros de largura, com estrutura estaiada. Também está prevista a construção de infraestruturas alfandegárias integradas dos dois lados da fronteira.
De acordo com dados já repassados pela Receita Federal, o fluxo inicial estimado é de 250 caminhões por dia. No entanto, a quantidade pode aumentar conforme a Rota for se consolidando como alternativa logística de exportação e importação para o Mercosul e a Ásia.
A Rota Bioceânica prevê reduzir em até 30% os custos logísticos e 15 dias no tempo de transporte de mercadorias entre os países do Mercosul e os mercados asiáticos, via portos do norte do Chile.
No lado brasileiro, também está avançando a construção do acesso que ligará a BR-267 à ponte. A obra federal está orçada em R$ 472 milhões. Além da alça de 13,1 km, que ligará a rodovia à ponte, também está sendo construído o contorno rodoviário em Porto Murtinho e o Centro Aduaneiro.
Já do lado paraguaio, o projeto prevê 3,8 quilômetros de pavimentação, com investimento estimado em US$ 15 milhões, da rodovia PY15.

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