Drogado, condutor de moto apontou alvo errado a pistoleiro que assassinou jovem
Alexsander Gonçalves Borges achou que Vitor Orsini, de 19 anos, era outro homem, duas décadas mais velho

Foi o piloto da moto Honda Biz usada no assassinato de Vitor Orsini, de 19 anos, que apontou o jovem como o alvo que deveria ser executado. Sob efeito de drogas, Alexsander Gonçalves Borges, de 27 anos, confirmou ao atirador que Vitor era o homem que os dois deveriam eliminar. Detalhe: o verdadeiro alvo é 20 anos mais velho que o rapaz assassinado.
RESUMO
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Vitor Orsini, de 19 anos, foi assassinado por engano em Dourados, no Mato Grosso do Sul. O piloto da moto usada no crime, Alexsander Gonçalves Borges, de 27 anos, estava drogado e apontou a vítima errada ao atirador Denis Barbosa de Melo. O verdadeiro alvo era Adriano, envolvido com tráfico, que não compareceu ao local. O mandante, Claudio Henrique de Arruda, está preso, enquanto dois contratantes seguem foragidos.
O crime ocorreu por volta de 14h15 do dia 7 deste mês, na loja de revenda de veículos do pai de Vitor, em Dourados, a 251 km de Campo Grande.
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Em entrevista coletiva na manhã desta quarta-feira (26) para falar das investigações, o delegado Lucas Albé Veppo, chefe do SIG (Setor de Investigações Gerais), da Polícia Civil, disse que Alexsander confirmou em depoimento que estava drogado. Nem ele nem o atirador – Denis Barbosa de Melo, de 22 anos – conheciam o homem de 39 anos que deveria ter sido morto naquele dia.
O delegado confirmou na entrevista as informações já divulgadas pelo Campo Grande News, de que Vitor Orsini foi morto por engano. O verdadeiro alvo, um morador de Dourados envolvido com o tráfico de drogas, deveria estar na loja para ver um veículo às 14h daquele dia. A negociação era falsa e foi armada como parte do plano para o assassinato dele. Só que o homem, de nome Adriano, não foi ao local e os pistoleiros executaram a pessoa errada.

Dívida de R$ 300 mil
Na entrevista, o delegado informou que esse homem foi ouvido como testemunha na segunda-feira (21) e confirmou que deveria ir à loja naquele dia e horário, mas não compareceu devido a outros compromissos. Ele acompanhava a esposa na compra de materiais de construção.
Adriano alegou desconhecer o plano para matá-lo, mas suspeita do motivo: uma suposta dívida de R$ 300 mil que o empresário Claudio Henrique de Arruda, de 43 anos, tinha com ele. Adriano alega que teria emprestado o dinheiro a Claudio Arruda, mas a polícia ainda investiga se a dívida tem relação com o tráfico de drogas.
Os dois eram cúmplices de crime e já tinham sido presos juntos, em 2013, em Ponta Porã. Adriano não confirmou a versão de que sua morte tinha sido planejada por ele ter, supostamente, informado à polícia sobre cargas de drogas apreendidas na região de fronteira.
Claudio Henrique de Arruda está preso. Dono de uma academia de musculação no Bairro da Granja, em Ponta Porã, o empresário foi capturado sexta-feira (21) após a Polícia Civil encontrar conversas dele no celular de Vitor Orsini.
Segundo o delegado, foi Claudio Arruda que preparou a emboscada: conversou com Vitor Orsini sobre interesse em um veículo à venda na loja e pediu para Adriano ir ao estabelecimento ver o carro. Era a desculpa para atraí-lo ao local, onde seria morto. No interrogatório, Claudio Arruda usou o direito constitucional de permanecer em silêncio.
Em depoimento ao delegado Lucas Veppo, os dois pistoleiros disseram que, logo após a execução do jovem, os contratantes os informaram de que tinham assassinado a pessoa errada. Policiais prenderam Denis no dia 11, no distrito de Nova Itamarati, e localizaram Alexsander em Ponta Porã, no dia 17.
Os dois contratantes estão foragidos. Eles foram identificados como Jeferson Lopes, de 31 anos, e Marcos Antonio Olmedo Vera, de 23 anos. Ambos estão com prisão preventiva decretada pelo Poder Judiciário.

Conforme o delegado, as investigações revelaram que Jeferson é dono da BMW X5 branca, usada para trazer os dois pistoleiros de Ponta Porã a Dourados. Após a execução do jovem, Jeferson e Marcos foram até a garagem para confirmar se o alvo tinha sido morto e lá descobriram que os atiradores assassinaram a pessoa errada.
A presença da BMW na região de Dourados no dia do crime foi confirmada em trabalho conjunto dos investigadores com o serviço de inteligência da Delegacia da PRF (Polícia Rodoviária Federal).
Lucas Albé Veppo descartou qualquer veracidade nos boatos que circularam ainda no dia da execução de Vitor Orsini e reafirmou não restar nenhuma dúvida de que ele foi morto por engano. Segundo ele, foi o adolescente de 17 anos, detido no dia 11, que furtou a moto usada no crime. Ele também ofereceu apoio aos executores, indicando o local onde funciona a loja de veículos.
O adolescente está recolhido na Unei (Unidade Educacional de Internação). Claudio Arruda, Denis Barbosa de Melo e Alexsander Gonçalves Borges estão na PED (Penitenciária Estadual de Dourados). Segundo Lucas Veppo, Denis é de Brasília (DF), mas estava há alguns meses na região de fronteira com o Paraguai, onde contraiu dívidas com traficantes de drogas. Foi para saldar essa dívida que ele mataria Adriano.
Conforme o delegado, mesmo com a conclusão do inquérito, as investigações continuam para tentar descobrir se há outros envolvidos no crime e para apurar novas evidências que poderão surgir com a quebra de sigilo do celular de Claudio Arruda.
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