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Em duas semanas, Dourados e região vêem casos de covid-19 aumentarem 15 vezes

No dia 15, só Dourados e Vicentina tinha confirmações; vírus se espalhou por toda a macrorregião, que já tem 438 positivos

Por Anahi Zurutuza | 29/05/2020 18:55
Coleta de material para testes rápidos no drive thru em Dourados (Foto: Chico Pinheiro/Governo de MS)
Coleta de material para testes rápidos no drive thru em Dourados (Foto: Chico Pinheiro/Governo de MS)

Em duas semanas, Dourados viu o número de casos positivos para o coronavírus aumentar oito vezes, de 28 para 236 – média de 16 confirmações por dia, 742% de aumento. E o vírus se espalhou com tamanha velocidade, que a macrorregião já pode ser considerada o novo epicentro da epidemia em Mato Grosso do Sul, segundo o pesquisador Julio Croda, médico infectologista, professor da UFMS (Universidade Federal de Mato Grosso do Sul) e pesquisador da Fiocruz.

Somados os casos registrados na segunda maior cidade de Mato Grosso do Sul com os dos 10 outros municípios que compõe a macrorregião, já são 438 casos na localidade, enquanto há duas semanas, só Dourados e Vicentina tinham registros – eram 29. O aumento é de 1400% num intervalo de 14 dias.

Em Dourados, eram 28 casos no dia 15. O município passou a ter 93 positivos na sexta-feira passada, dia 22, e o número chegou a 236 hoje.

A quantidade de confirmados em Fátima do Sul triplicou em uma semana, passando de 20 para 61, e Rio Brilhante viu o número de positivos subir mais de dez vezes, de 2 para 25 da sexta passada para hoje (veja mais no gráfico no fim do texto).

Na semana passada, cinco das 11 cidades da macrorregião tinham confirmado casos. Hoje, só Laguna Caarapã está livre.

Desconfiou, dá positivo - Croda afirma que dois outros fatores evidenciam que a circulação do vírus é intensa na região, o número de internado e o índice de positividade nos drives thrus, locais onde estão sendo testadas pessoas que desconfiam ter a covid-19, mas não chegam a procurar socorro médico por apresentarem sintomas leves.

“A positividade no drive de Dourados está com 17%, no início era 4% e em Campo Grande não passou dos 2,8%. É uma evidência de que o vírus está circulando mais em Dourados que na Capital e há mais de um indicador claro de que vírus está tendo impacto maior naquela região”.

O pesquisador afirma que é preciso haver intervenção rápida. “A velocidade da doença está maior que em outras regiões, então é preciso intensificar as ações de vigilância, melhorar o isolamento, testar mais”.

Sobre o comportamento do vírus, Croda afirma que é muito difícil prever o que está por vir.

“Era natural Campo Grande estar pior, pelo tamanho da população, densidade demográfica. Mas, a epidemia é muito dinâmica, em um dia tudo muda”.

Óbito – Dourados registrou nesta sexta-feira, a segunda morte pela covid-19 na cidade. Internada no Hospital Universitário, a venezuelana, de 27 anos, morava há um ano e meio no município, não tinha doenças crônicas e morreu na madrugada. Ela é a vítima mais jovem em Mato Grosso do Sul.

Infográfico: Guilherme Correia
Infográfico: Guilherme Correia