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Interior

Em MS, alvo de operação contra desvio de verba da saúde é preso com armas

Morador de Aparecida do Tabuado foi flagrado com dois revólveres e uma espingarda, mas pagou fiança e foi liberado

Por Geisy Garnes | 29/09/2020 15:48
Equipes da Polícia Civil de São Paulo durante ações da operação nesta manhã (Foto: Divulgação PCSP)
Equipes da Polícia Civil de São Paulo durante ações da operação nesta manhã (Foto: Divulgação PCSP)

Um dos alvos da Operação Raio-X em Mato Grosso do Sul acabou preso em flagrante com armas e munições em Aparecida do Taboado – a 481 quilômetros de Campo Grande – na manhã desta terça-feira (29). As equipes foram à casa do suspeito, de 57 anos, para cumprir mandados de busca e apreensão e encontraram dois revólveres e um espingarda, sem registrado.

Valdemir Vieira foi alvo de dois mandados de busca e apreensão nas ações que investigam desvio de recursos na área da saúde de cinco estados brasileiros. A intenção era encontrar documentos, notas fiscais, anotações e aparelhos eletrônicos que armazenassem provas do esquema de corrupção. Mas durante as buscas, os policiais também encontraram os revólveres e uma espingarda, todos sem registros, além de várias munições.

Os revólveres, um calibre 38 e outro calibre 32, foram apreendidos na casa de Valdemir. No local também foram recolhidas várias anotações, um contrato de compra de um imóvel rural, um aparelho celular e um notebook.

As equipes ainda foram a fazenda de Valdemir, que fica a cerca de 30 quilômetros da cidade e lá encontraram uma espingarda calibre 36 e cinco munições. Diante da situação, o investigado foi preso em flagrante por posse irregular de arma. Para a polícia, ele afirmou ter comprado um dos revólveres por R$ 3 mil e ter ganhado o outro de presente de um amigo.

Depois de prestar depoimento, pagou fiança de R$ 5.225,00 e foi liberado. Todo o material apreendido será enviado para a Polícia Civil de Araçatuba, responsável pela investigação, mas a Polícia Civil de Mato Grosso do Sul segue com as investigações sobre as armas apreendidas com o suspeito.

Policiais civis de MS cumprem mandados de busca e prisão em condomínio de Três Lagoas (Foto: PerfilNews)
Policiais civis de MS cumprem mandados de busca e prisão em condomínio de Três Lagoas (Foto: PerfilNews)

Operação Raio-X – A operação realizada nesta manhã também cumpriu mandado de busca e apreensão e de prisão temporária em Três Lagoas – cidade a 338 quilômetros de Campo Grande. As equipes foram a um condomínio de luxo do município, mas o nome do alvo não foi revelado.

No local, também foram apreendidos documentos, celulares, computadores e até um veículo. O suspeito preso, segundo divulgado pela polícia, será transferido para o interior paulista.

O esquema – A operação Raio-X é coordenada pela DEIC (Divisão Especializada de Investigações Criminais) e pelo SECCOLD (Setor de Combate ao Crime Organizado e Lavagem de Dinheiro) de Araçatuba e cumpriu um total de 64 mandados de prisão e 237 de busca e apreensão em dezenas de municípios de São Paulo, Paraná, Pará, Minas Gerais e Mato Grosso do Sul.

As investigações começaram há dois anos, no noroeste do estado de São Paulo e apuram crimes de peculato, lavagem de dinheiro e organização criminosa, cometidos por empresários, OS (Organizações Sociais) e gestores públicos, em contratos na área da saúde.

Os desvios aconteciam durante celebração de contratos de gestão entre municípios e Organizações Sociais, principalmente através de procedimentos licitatórios fraudulentos e contratos superfaturados. A investigação identificou dezenas de envolvidos, entre agentes públicos, empresários e profissionais liberais, que eram divididos em núcleos, cada um com função especifica na prática dos crimes.

De acordo com a polícia, por conta dos desvios, o grupo adquiriu grande quantidade de bens móveis e imóveis, a maior parte deles justamente no período da pandemia, quando o esquema de corrupção se intensificou ainda mais. O prejuízo aos cofres públicos, dinheiro que deveria ser aplicado na saúde, ultrapassa a casa dos milhões.

A Raio-X está diretamente ligada a outra ação deflagrada hoje, a Operação S.O.S. esta, sob responsabilidade da PF (Polícia Federal). Segundo reportagem do Estadão, os agentes fazem buscas no gabinete do governador do Pará, Helder Barbalho (MDB), no Palácio dos Despachos. A operação foi desencadeada em Belém, Capanema, Salinópolis, Peixe-Boi, Benevides (PA), Goiânia (GO), Araçatuba e outras cidades de São Paulo.

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