ACOMPANHE-NOS     Campo Grande News no Facebook Campo Grande News no Twitter Campo Grande News no Instagram
JUNHO, TERÇA  18    CAMPO GRANDE 21º

Interior

Em MS, nomeação de interventor em universidade federal completa 1 ano

Hoje faz um ano que ministro da Educação nomeou reitora pro tempore na UFGD, contrariando comunidade acadêmica

Helio de Freitas, de Dourados | 11/06/2020 10:26
Reitora pro tempore Mirlene Damázio (à direita), durante diplomação de estudantes de medicina, já na pandemia (Foto: Arquivo)
Reitora pro tempore Mirlene Damázio (à direita), durante diplomação de estudantes de medicina, já na pandemia (Foto: Arquivo)

Ainda causa polêmica a medida provisória editada nesta semana pelo presidente Jair Bolsonaro autorizando o ministro da Educação Abraham Weintraub a nomear reitores e vice-reitores de universidades federais sem consulta à comunidade acadêmica durante a pandemia do novo coronavírus.

Em Mato Grosso do Sul, no entanto, medida semelhante foi adotada em 2019 e nesta quinta-feira (11) completa um ano: a nomeação da reitora e do vice-reitor pro tempore da UFGD (Universidade Federal da Grande Dourados).

No dia 11 de junho de 2019, Abraham Weintraub publicou a nomeação da professora de pedagogia Mirlene Ferreira Macedo Damázio como reitora temporária. Em seguida, ela nomeou Luciano Oliveira Geisenhoff como vice-reitor, também temporário.

Para tomar a medida, Abraham Weintraub ignorou a lista tríplice enviada pela UFGD e elaborada após a eleição interna feita em março do ano passado. Vencedor da consulta prévia, o professor Etienne Biasotto encabeçou a lista, ignorada pelo ministro da Educação.

O MEC alegou que nomeou a reitora temporária porque a lista tríplice estava sendo questionada na Justiça pelo MPF (Ministério Público Federal). Entretanto, o Campo Grande News apurou na época que grupos políticos locais interferiram para impedir a nomeação de Etienne, que é filiado ao Partido dos Trabalhadores.

Em agosto, o juiz Moisés Anderson Costa Rodrigues da Silva, da 1ª Vara Federal em Dourados, reconheceu a validade da lista tríplice. O MPF recorreu. Dois meses depois, o magistrado mandou a UFGD comunicar ao Ministério da Educação que a eleição interna para reitor teve sua validade restaurada. Entretanto, a reitora temporária continua no cargo até hoje.

No segundo semestre do ano passado, Mirlene Damázio enfrentou fortes protestos da comunidade acadêmica. O prédio da reitoria chegou a ser ocupado pelos estudantes. Em setembro, a reitora acionou a Polícia Militar e a Guarda Municipal durante reunião do Couni (Conselho Universitário), gerando mais protestos.

Etienne Biasotto e sua vice, Cláudia Lima, em frente ao prédio da reitoria (Foto: Arquivo)
Etienne Biasotto e sua vice, Cláudia Lima, em frente ao prédio da reitoria (Foto: Arquivo)

Manifesto – Nesta semana, foi lançado manifesto “em defesa da democracia” para protestar contra a reitoria pro tempore na UFGD. “A UFGD completa, em 11 de junho de 2020, um ano sem reitoria eleita democraticamente. Desde então, a universidade está à deriva. Por isso, manifestamo-nos perante toda comunidade sul-mato-grossense, no intuito de demonstrar o descaso do Ministério da Educação em relação à democracia e à autonomia universitária”.

No documento, a comunidade acadêmica cobra do Ministério da Educação que deixe de apresentar recursos na Justiça e aceite a validade da lista tríplice com a nomeação do primeiro colocado na eleição interna.

Nesta quinta, a Aduf Dourados, associação que representa os docentes da UFGD, divulgou protesto nas redes sociais com as mensagens “vaza interventora!”, “um ano de golpe na UFGD” e “reitoria sob intervenção”.

Estudantes durante protesto no prédio da reitoria da UFGD, no ano passado (Foto: Arquivo)
Estudantes durante protesto no prédio da reitoria da UFGD, no ano passado (Foto: Arquivo)


Nos siga no Google Notícias