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Interior

Em pé de guerra, vice-prefeito denuncia falta de medicamentos da própria gestão

Críticas públicas de Rogério Rohr expõem crise na saúde e amplia racha com prefeito Leocir Montagna

Por Jhefferson Gamarra | 02/04/2026 18:34
Em pé de guerra, vice-prefeito denuncia falta de medicamentos da própria gestão
Vice-prefeito Rogério Rohr (PSD) ao lado do prefeito Leocir Montagna (PSD) durante cerimônia de posse (Foto: Reprodução)

A crise política e administrativa em São Gabriel do Oeste, a 137 quilômetros de Campo Grande, ganhou um novo capítulo após o vice-prefeito Rogério Rohr (PSD) usar as redes sociais para denunciar uma série de problemas na saúde pública do município, incluindo a falta de medicamentos, atingindo diretamente a gestão do prefeito Leocir Montagna (PSD), da qual ele próprio faz parte.

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Vice-prefeito de São Gabriel do Oeste, Rogério Rohr (PSD), usou as redes sociais para denunciar problemas na saúde pública do município, criticando a gestão do prefeito Leocir Montagna (PSD). Ele apontou falta de medicamentos, longas filas e falhas no transporte de pacientes. A prefeitura negou desabastecimento geral, mas admitiu que 73 dos 283 itens fornecidos pelo Estado estão indisponíveis. O conflito entre os dois não é recente e expõe crise interna na administração municipal.

Através do Facebook, o Rogério Rohr afirmou que a saúde do município “está pedindo socorro” e acusou a administração de priorizar conflitos e temas secundários enquanto a população enfrenta dificuldades no atendimento. Segundo ele, há relatos de longas filas, demora para conseguir consultas, falta de exames e ausência de medicamentos, inclusive de uso contínuo e controlado.

Na publicação, o vice-prefeito também mencionou problemas estruturais, como transporte de pacientes. Ele citou casos de veículos quebrados durante o trajeto, deixando idosos, gestantes e crianças sem assistência. Além disso, criticou investimentos já realizados no sistema de saúde que, segundo ele, não estariam garantindo acesso adequado a exames pela população.

“Falta de medicamentos básicos e até de medicamentos controlados de uso diário,” escreveu Rohr, ao questionar a qualidade do serviço prestado e cobrar medidas urgentes da administração municipal.

A manifestação pública ampliou o desgaste interno na gestão e evidencia um cenário de confronto direto entre prefeito e vice, algo incomum dentro de uma mesma administração.

Em resposta, a Prefeitura de São Gabriel do Oeste, por meio da Secretaria Municipal de Saúde, divulgou nota oficial afirmando que mantém os serviços em funcionamento e que não há desabastecimento na Farmácia Municipal.

No entanto, o próprio comunicado reconhece que parte dos medicamentos da rede especializada está em falta. De acordo com a Secretaria, dos 283 itens fornecidos pelo Estado, 73 estão temporariamente indisponíveis.

Por outro lado, a gestão municipal afirma que, entre os 244 medicamentos ofertados diretamente pela Farmácia Municipal, não há registro de desabastecimento até o momento. A prefeitura também destacou que realiza a compra de fórmulas nutricionais com recursos próprios para garantir o atendimento à população.

Conflito político não é recente - O embate entre Rogério Rohr e Leocir Montagna não é novo. Em novembro do ano passado, o vice-prefeito já havia tornado públicas críticas à gestão, incluindo reclamações sobre a atuação da primeira-dama, Cleire Arguelho.

Na ocasião, o vice afirmou que houve interferência indevida dela em decisões administrativas e chegou a dizer que a primeira-dama teria assumido um papel de protagonismo dentro da prefeitura. Ele também criticou a criação de um gabinete com poderes ampliados para ela, posteriormente revogado pelo prefeito.

As divergências vieram à tona após um período em que o vice se manteve afastado da gestão, alegando insatisfação com os rumos da administração.

Prefeito e vice foram eleitos após uma disputa marcada por impasses judiciais. Ambos concorreram sub judice nas eleições de 2024, enfrentando resistência interna dentro do próprio PSD, partido ao qual pertencem.

Apesar das divergências partidárias iniciais, a Justiça Eleitoral homologou o resultado, garantindo a vitória da chapa. Desde então, no entanto, a relação entre os dois tem sido marcada por episódios de tensão e críticas públicas.