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Em Porto Murtinho, nível do Rio Paraguai é tão baixo que navios já não passam

Sinal do extremo é situação no Rio Amonguija, onde bancos de areia parecem até que vão "fechar" passagem de água

Por Anahi Zurutuza | 01/10/2020 12:01
Em trecho do Rio Amonguija, que deságua no Paraguai em Murtinho, banco de areia quase "fecha" passagem de água (Foto: Toninho Ruiz)
Em trecho do Rio Amonguija, que deságua no Paraguai em Murtinho, banco de areia quase "fecha" passagem de água (Foto: Toninho Ruiz)

Também em Porto Murtinho, os níveis do Rio Paraguai são tão baixos que há pelo menos 10 dias algumas embarcações deixaram de navegar. Ontem, o Campo Grande News trouxe matéria sobre trecho do rio medido pela régua de Ladário ter chegado à marca “zero” e nessa quinta-feira (1º), na cidade mais ao sul, a medição foi de 1,32 metro, segundo o jornalista de Murtinho, Toninho Ruiz.

Há 50 anos, não se via seca como esta, é o que dizem moradores das cidades pantaneiras. Ruiz explica a profundidade do rio em Porto Murtinho geralmente é de 3 metros, nível que caiu para menos da metade nos últimos dias, confirmou à reportagem Manoel Felix Pinheiro, 64, dono de dois barcos hotéis.

Em outro "pedaço" do Amonguija, situação é pior (Foto: Toninho Ruiz)
Em outro "pedaço" do Amonguija, situação é pior (Foto: Toninho Ruiz)

Outro sinal do extremo são as fotos tiradas por Ruiz no Rio Amonguija, que deságua no Paraguai em Murtinho. Os bancos de areia são tão grandes que em determinados trechos, o afluente “some”. "Dá para passar a pé".

“O barco hotel ainda consegue navegar, mas as embarcações que transportam minério não passam mais já tem uns 10 dias”, conta Manoel.

Para se ter uma ideia, um barco hotel, que faz o transporte de turistas, pesa de 20 a 40 toneladas. Já o peso dos navios de carga chega aos seis dígitos.

O Campo Grande News tentou mais dados sobre a situação em Porto Murtinho com a Marina, mas não obteve retorno até o fechamento da matéria.

Ladário - Nessa terça-feira de recorde de maiores temperaturas máximas em Mato Grosso do Sul, o nível do Rio Paraguai chegou à marca “zero” em Ladário. Ontem, o tenente Rodrigo Fernando Queiroz de Oliveira esclareceu que o marco “zero” do rio não significa que o local está inavegável, mas que é necessário maiores cuidados na navegação.

Ele afirma, por exemplo, que todos que forem navegar pelo rio, precisam da Carta Náutica, que indica as previsões de profundidade e trechos mais ou menos navegáveis, isso porque a régua está posicionada na margem e não no meio do curso d’água, que é mais profundo.

Em junho deste ano, o nível do Rio Paraguai estava maior, mas já havia alerta para a questão da navegabilidade. Na ocasião, o secretário Jaime Verruck, da Semagro (Secretaria de Meio Ambiente, Desenvolvimento Econômico, Produção e Agricultura Familiar) informou que devido o baixo nível, “as barcaças que normalmente estariam operando com 100% da carga, reduziram em um terço e até metade da capacidade. Isso altera a competitividade do frete, precisa muito mais barcaças para levar a mesma carga que demandaria num período normal”.

Embarcação de grande porte no Rio Paraguai em Porto Murtinho (Foto: Porto Murtinho Notícias/Arquivo)
Embarcação de grande porte no Rio Paraguai em Porto Murtinho (Foto: Porto Murtinho Notícias/Arquivo)


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