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Interior

Furto milionário em joalheria expõe plano metódico para driblar câmeras

Buraco em alvenaria e retirada de escada apontam preparo e tentativa de apagar rastros

Por Bruna Marques | 12/02/2026 12:17


RESUMO

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Uma joalheria tradicional em Ponta Porã, Mato Grosso do Sul, foi alvo de um furto meticulosamente planejado que resultou em prejuízo superior a R$ 1 milhão. Os criminosos, que agiram na madrugada de segunda-feira, utilizaram equipamentos de proteção e acessaram o estabelecimento através de uma parede dupla.A polícia investiga o caso e suspeita do envolvimento de ao menos três pessoas. O estabelecimento, construído gradualmente pela família proprietária, começou com apenas seis peças vendidas de porta em porta e representava o sustento de cinco famílias antes do ocorrido. As autoridades trabalham com a hipótese de que as joias possam ter sido levadas para fora do país.

A apuração do furto que provocou prejuízo superior a R$ 1 milhão em uma joalheria tradicional de Ponta Porã, a 313 quilômetros de Campo Grande, aponta uma ação com sinais de planejamento e disciplina operacional. As imagens do circuito interno de segurança registraram os criminosos usando luvas, máscaras e outros cuidados para dificultar qualquer tipo de identificação, além de reduzir a chance de coleta de impressões digitais ou reconhecimento facial.

O crime ocorreu na madrugada de segunda-feira (9), no estabelecimento localizado na Avenida Brasil. Para acessar o interior do imóvel, os suspeitos abriram passagem por uma parede dupla, método que demanda tempo, ferramentas específicas e conhecimento prévio da estrutura. A escolha do horário também reforça a hipótese de que o ataque foi estudado para acontecer em momento de menor circulação e menor vigilância.

As gravações indicam que os autores mantiveram o rosto coberto durante toda a invasão e evitaram contato direto que pudesse deixar vestígios. Além de levarem centenas de peças de alto valor, o grupo também retirou do local uma escada usada para alcançar e interferir no sistema de monitoramento interno, numa tentativa de comprometer provas e enfraquecer a investigação.

O caso é investigado pelo SIG (Setor de Investigações Gerais, da Polícia Civil). Ao site Ponta Porã News, o delegado Ítalo Amaury Teixeira da Silva, responsável pelo caso, informou que as imagens passam por análise detalhada, com atenção especial à rota de fuga e a qualquer elemento que possa quebrar o anonimato imposto pelos equipamentos de proteção. A suspeita é de participação de ao menos três pessoas.

A Polícia Civil também trabalha para rastrear o destino das joias, avaliando a possibilidade de envio para outras regiões e até para fora do país, considerando a posição de Ponta Porã na faixa de fronteira.

Furto milionário em joalheria expõe plano metódico para driblar câmeras
Buraco aberto por ladrões na parede de joalheria, no centro de Ponta Porã (Foto: Divulgação)

Recomeço - Enquanto a investigação avança, a família decidiu tornar pública a dor e a força. “(...) tentar entender como algo que levou uma vida inteira para ser construído poderia desaparecer em algumas horas. Ontem nós choramos, pelo que foi levado, pelo medo e por não sabermos se teríamos forças para continuar ou se aquele seria o dia que desistiríamos de tudo”, diz a proprietária.

As imagens intercalam o presente devastado com o passado de conquistas. “Minha mãe começou com seis peças, quatro correntinhas e dois pingentes. Ela ia de casa em casa de motinha, oferecendo, acreditando, insistindo, mesmo quando ninguém via o que isso um dia se tornaria”, relembra.

Peça por peça, cliente por cliente, a joalheria foi crescendo. “Aquele estoque não era só mercadoria, era o futuro de cinco famílias, era a segurança dos meus pais, era o caminho meu e das minhas irmãs. O que existia ali dentro não era um estoque, era um legado. E em poucas horas tudo nos foi tirado”.

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