Grupo estudará modelo para concessão de rodovias de acesso a Minas Gerais
Governo quer repassar ao setor privado cerca de 200 km de trecho usado pelo setor da celulose

O EPE (Escritório de Parcerias Estratégicas) montou um grupo de trabalho com 5 servidores para a elaboração de um estudo técnico sobre o melhor modelo de repassar à administração do setor privado as estradas MS-377 e MS-240. Localizadas no Leste de Mato Grosso do Sul, elas seguem da BR-262, em Água Clara, até à região de divisa com Minas Gerais, em Paranaíba. Em mais de uma ocasião, o Governo do Estado manifestou a intenção de ainda em 2026 lançar o edital para levar a concessão à B3, em São Paulo (SP).
RESUMO
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O Escritório de Parcerias Estratégicas de Mato Grosso do Sul criou um grupo de trabalho com cinco servidores para estudar o melhor modelo de repassar ao setor privado as rodovias MS-377 e MS-240, no Leste do estado. O governo pretende lançar o edital ainda em 2026. As estradas, com cerca de 200 quilômetros, têm tráfego pesado da celulose e do minério e devem ser recuperadas pelo modelo Crema, com contrato de dez anos e apoio do Banco Mundial.
Conforme a publicação que cria o grupo, assinada pela titular do EPE, Eliane Detoni, também presidente do CGP (Conselho Gestor de Parcerias) do Programa de Parcerias do Estado, a equipe terá de elaborar estudos “técnicos destinados à estruturação do projeto de adequação de capacidade, reabilitação, operação, manutenção e conservação das rodovias estaduais MS-377 e MS-240.”
Com a ampliação da presença do setor da celulose na região, as duas estradas passaram a contar com um tráfego mais pesado. A MS-377 é utilizada pela Suzano para levar a celulose produzida em sua unidade de Ribas do Rio Pardo em caminhões até um entreposto perto de Inocência, para embarque em trens para seguir pela Ferronorte rumo ao Porto de Santos.
Nesse mesmo trecho, antes de chegar à cidade de Inocência, também há fluxo pesado de caminhões para atender à obra da fábrica da Arauco, além da passagem permanente de muitos caminhões transportando madeira para o setor. Também utilizam as estradas os caminhões que levam minério para o Sudeste do Brasil.
O movimento de caminhões aumentou tanto nos últimos anos que em 2025 a Seilog (Secretaria de Infraestrutura e Logística) destinou R$ 24 milhões para recuperar cerca de 50 quilômetros.
O grupo não tem um prazo estabelecido no decreto para estudar modelos de negócio viáveis para o repasse das rodovias ao setor privado. Os cerca de 200 quilômetros devem passar por recuperação dentro de um projeto que o Executivo Estadual firmou com o BIRD (Banco Internacional para Reconstrução e Desenvolvimento), do Banco Mundial, para o chamado modelo Crema (Contrato de Recuperação e Manutenção Rodoviária), que prevê reparos e conservação de rodovias. Ele também será adotado em outros trechos mais a sudeste do Estado.

Nesse modelo, a empresa contratada receberá remuneração mensal para cuidar das estradas e a qualidade delas condicionará o pagamento. A duração é de 10 anos, sendo 2 para obras e 8 para manutenção.
A Região Leste do Estado já teve um bloco de rodovias com 870,3 km repassado a um consórcio, na chamada Rota da Celulose, com a MS-040, a MS-338 e a MS-395 e as federais BR-262 e BR-267, formando um corredor logístico para escoamento da produção industrial e agropecuária do Estado. Uma das exigências do contrato é a duplicação da 262 entre Campo Grande e Água Clara. Empresas já estão fazendo manutenção e reparos e a previsão de início de cobrança do pedágio é fevereiro de 2027.

