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Campo Grande, Quinta-feira, 23 de Novembro de 2017

23/01/2015 17:30

Homem envolvido na morte de cacique se entrega após 12 anos de fuga

Liana Feitosa
Túmulo do cacique Marco Veron, morto durante luta por terra. (Foto: MPF Divulgação)Túmulo do cacique Marco Veron, morto durante luta por terra. (Foto: MPF Divulgação)

Depois de 12 anos foragido, Nivaldo Alves de Oliveira, denunciado pelo MPF-MS (Ministério Público Federal em Mato Grosso do Sul) pela participação no homicídio do indígena guarani-kaiowá Marco Veron, em 2003, se apresentou nesta sexta-feira (23) na Procuradoria da República em Dourados, município a 233 quilômetros de Campo Grande.

De acordo com o MPF, Nivaldo chegou acompanhado de advogado, prestou depoimento e, como a ordem de prisão estava em aberto, foi encaminhado à carceragem da Polícia Federal da cidade, onde ficará à disposição da Justiça Federal. Como estava foragido, o acusado teve o processo em relação a ele desmembrado e suspenso. Agora, o processo judicial poderá voltar a tramitar.

Caso Veron - Índios kaiowá foram atacados por grupo de cerca de 40 homens armados contratados para expulsá-los de terras que reivindicavam em Juti, região sul do Estado. Os indígenas acamparam na Fazenda Brasília do Sul nos dias 12 e 13 de janeiro de 2003, área por eles reivindicada como Tekohá Takuara.

No dia 12, um veículo dos indígenas com duas mulheres, um rapaz de 14 anos e três crianças foi perseguido, sob tiros, por oito quilômetros.

Na madrugada do dia 13, os agressores atacaram o acampamento a tiros. Sete índios foram sequestrados, amarrados na carroceria de uma camionete e levados para local distante da fazenda, onde passaram por sessão de tortura.

Torturas - Segundo o MPF, um dos filhos de Veron, Ládio, quase foi queimado vivo. A filha dele, Geisabel, grávida de sete meses, foi arrastada pelos cabelos e espancada. Marcos Veron, que estava com 73 anos na época, foi agredido com socos, pontapés e coronhadas de espingarda. Ele morreu por traumatismo craniano.

O julgamento dos réus Estevão Romero, Carlos Roberto dos Santos, Jorge Cristaldo Insabralde e Nivaldo Alves de Oliveira foi considerado histórico por ser o primeiro envolvendo acusados pela morte de indígenas em MS.

Ainda de acordo com o Ministério Público, os três réus foram condenados a 12 anos e 3 meses de prisão em regime fechado por sequestro, tortura e lesão corporal a seis indígenas, além de formação de quadrilha armada e fraude processual. Em outubro de 2008, o MPF ofereceu denúncia contra outras 24 pessoas por envolvimento no crime.

Preconceito - O caso foi julgado em desaforamento, que é quando um julgamento é realizado fora do estado em que o crime aconteceu. O júri foi transferido de Dourados para a cidade de São Paulo a pedido do MPF por causa do preconceito contra os indígenas em Mato Grosso do Sul. Para o Ministério Público, isso poderia influenciar no resultado do julgamento.



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