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Interior

Pai afirma que estrangulou bebê de 1 mês até parar de chorar

Polícia concluiu o inquérito e indiciou o pai de 17 anos, por ato infracional análogo ao crime de tortura e tentativa de homicídio

Por Paula Maciulevicius Brasil | 04/12/2020 12:11
Bebê tem hoje 1 mês e 29 dias e está internada na enfermaria da Pediatria da Santa Casa. (Foto: Arquivo/Marcos Maluf)
Bebê tem hoje 1 mês e 29 dias e está internada na enfermaria da Pediatria da Santa Casa. (Foto: Arquivo/Marcos Maluf)

Com frieza, o pai confessou à polícia que por não aguentar o choro da filha depois de cair da cama, estrangulou a criança até que ela parasse de chorar. O caso foi em Nova Alvorada do Sul, cidade distante 120 quilômetros da Capital e ganhou repercussão em todo o Estado por se tratar de um bebê de 1 mês de vida.

A Polícia Civil do município concluiu o inquérito e indiciou o pai, que tem 17 anos, por ato infracional análogo ao crime de tortura e tentativa de homicídio. Ele foi para a Unei de Dourados. A mãe da criança também foi indiciada por omissão.

Delegado responsável pelo caso, Rômulo Teixeira Marcelo, descreve como foi o depoimento do pai. "Ele falou que por não suportar choro da filha, como ela caiu, passou a estrangulá-la até parar de chorar. Ele demonstrou certa frieza e disse que estava sob uso de maconha", diz.

Depois que a filha parou de chorar, o pai relatou ao delegado que a bebê tinha "apagado", e então ele foi conferir se ela ainda respirava.

O casal morava em Três Lagoas e se mudou para Nova Alvorada do Sul. A criança, que segue internada na Santa Casa de Campo Grande, e hoje está com 1 mês e 29 dias, é a única filha dos dois.

Mãe da criança foi ouvida pela delegada Franciele Candotti, da Depca (Foto: Silas Lima)
Mãe da criança foi ouvida pela delegada Franciele Candotti, da Depca (Foto: Silas Lima)

Ouvida na Depca (Delegacia de Proteção à Criança e ao Adolescente) em Campo Grande, a mãe que tem 19 anos, foi indiciada por omissão. "Ela não estava presente durante os atos e demorou a levar a filha ao hospital", explica o delegado.

"A cidade é pequena e chocou todo mundo. Há evidências ainda que anteriormente ele já tinha praticado atos contra a filha, essa foi a segunda internação em menos de dois meses", ressalta o delegado.

A Polícia também investigou uma foto postada em uma rede social pela mãe, em que o neném estava com uma fita isolante na boca. "Ela postou em tom de brincadeira, dizendo 'isso que acontece quando você deixa filho com o pai'", conta o delegado. Para a Polícia, este foi mais um indício de negligência dele com o bebê.

"No hospital os médicos relatam que a criança tinha trauma antigo que não condizia com a data, isso somado à foto da fita, me fez colocar ato infracional análogo ao crime de tortura", explica Rômulo.

Os traumas relatados pelo hospital seriam na cabecinha. Ainda conforme a Polícia, a primeira internação foi com sintomas da "síndrome do bebê sacudido". "A mãe alegou que não tinha feito nada, mas certamente foi o cara", diz o delegado.

O adolescente pode ficar apreendido por 45 dias, prazo máximo da internação provisória até o julgamento e após o julgamento, por até três anos.

Para o delegado, o pai demonstrou arrependimento somente agora. "Depois da apreensão é que ele já mostra arrependimento", pontua.

A criança segue internada na enfermaria aos cuidados da pediatria, na Santa Casa de Campo Grande.

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