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Interior

Justiça de MS espera comprador para fazenda do traficante “Cabeça Branca”

Propriedade avaliada em R$ 7 milhões fica no Paraná; leilão em maio não teve interessado e juiz rejeitou 1ª proposta de venda direta

Por Helio de Freitas, de Dourados | 04/07/2017 13:08
Fazenda Água da Mata, no município de Primeiro de Maio, no Paraná (Foto: Reprodução/Youtube)
Fazenda Água da Mata, no município de Primeiro de Maio, no Paraná (Foto: Reprodução/Youtube)

Entre o patrimônio de pelo menos 100 milhões de dólares que o megatraficante Luiz Carlos da Rocha, o “Cabeça Branca”, acumulou em 30 anos como um dos maiores fornecedores de cocaína para facções criminosas brasileiras e para a Europa está a fazenda Água da Mata, de 200 hectares.

Localizada no município de Primeiro de Maio (PR), na região de Londrina, a fazenda está confiscada por ordem da Justiça Federal em Mato Grosso do Sul, que desde 2014 tenta levar o imóvel a leilão, mas faltam interessados.

As últimas tentativas de leilão ocorreram nos dias 12 e 22 de maio deste ano, mas não houve interessado. Cabeça Branca foi preso pela Operação Spectrum da Polícia Federal no sábado (1º) em Sorriso (MT), onde vivia com identidade falsa e com o rosto modificado por cirurgias plásticas.

No dia 2 de junho deste ano, o juiz da 3ª Vara Federal em Campo Grande, Fábio Luparelli Magajewski, rejeitou proposta de compra direta no valor de R$ 3,75 milhões, quase a metade dos R$ 7,5 milhões apontados em avaliação feita no ano passado.

No mesmo despacho em que suspendeu a proposta de compra direta, o magistrado determinou uma nova avaliação judicial, ainda não concluída. Somente depois desse procedimento é que vai decidir se marca outro leilão ou mantém a fazenda à espera de uma proposta melhor.

Bens do tráfico – Localizada na estrada PR-445, entre os municípios de Primeiro de Maio e Bela Vista do Paraíso, região metropolitana de Londrina, a fazenda foi sequestrada por determinação da Justiça Federal em Ponta Porã em 2004.

Voltada à criação de gado e cultivo de café, a fazenda tem quatro casas – a sede, a residência do gerente e duas destinadas aos funcionários. Aparecia como pertencente a Valdair Elemar Camargo, mas as investigações mostraram que ele era “testa de ferro” de Cabeça Branca.

Desde 2013 a fazenda vem sendo ocupada por trabalhadores sem-terra. Inicialmente, famílias ligadas ao MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra) invadiram o local e foram despejadas pela Polícia Militar paranaense.

Desde o final do ano passado, a fazenda é ocupada por sem-terra ligados à Contag (Confederação da Agricultura Familiar), que reivindicam a destinação das terras para a reforma agrária.

Cabeça Branca, preso sábado no MT, tentou evitar leilão, mas TRF negou pedido em maio (Foto: Arquivo)
Cabeça Branca, preso sábado no MT, tentou evitar leilão, mas TRF negou pedido em maio (Foto: Arquivo)

Tentou impedir leilão – Em maio deste ano a defesa de Luiz Carlos da Rocha tentou liberar a fazenda da lista de patrimônio confiscado pela 3ª Vara de Campo Grande através de um mandado de segurança impetrado no TRF (Tribunal Regional Federal) da 3ª Região, em São Paulo.

No recurso, o advogado de Cabeça Branca alegou que não havia provas de que a fazenda Água da Mata tenha sido utilizada para a prática de tráfico de drogas, nem que tenha servido para estrutura da suposta organização ou que tenha sido objeto de lavagem de dinheiro.

Também alegou que o imóvel foi adquirido em outubro de 2001, antes do início da investigação policial. Cabeça Branca passou a ser réu por tráfico internacional após a Polícia Federal apreender dois carregamentos, de 488 e 492 quilos de cocaína, em 2003 e 2004, respectivamente.

No dia 12 de maio, o desembargador Nino Toldo, do TRF, negou o recurso de Cabeça Branca e manteve o confisco da fazenda e a datas do leilão, que não ocorreu por falta de interessados.

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