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Interior

Madeira apreendida após erro deixa dano "incalculável", dizem transportadoras

Carga está retida em Corumbá, há 37 dias, mesmo após laudos comprovarem a inexistência de cocaína

Por Clara Farias | 28/07/2026 16:29

A carga de aproximadamente 160 toneladas de madeira, retida em Corumbá desde 21 de junho após suspeita de contaminação por cocaína, continua sem previsão de liberação definitiva e já provoca prejuízos financeiros às transportadoras. Ao Campo Grande News, a defesa das empresas afirma que, além da paralisação dos caminhões, há cobrança de diárias e armazenagem no Porto Seco, despesas com motoristas que aguardam a liberação dos veículos, perda de contratos e, principalmente, danos à imagem junto aos compradores.

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Carga de 160 toneladas de madeira retida em Corumbá desde 21 de junho, após suspeita de contaminação por cocaína descartada em laudos, acumula prejuízos a transportadoras com caminhões parados, cobranças de armazenagem e perda de contratos. A defesa questiona as cobranças e pede ao MPF esclarecimentos sobre a retenção, que teria sido ordenada por mensagem de WhatsApp, enquanto a Receita Federal aguarda laudo do Instituto Nacional de Criminalística para liberar a carga.

Conforme o advogado das transportadoras, Leandro Lobo, a Agesa (Armazéns Gerais Alfandegados de Mato Grosso do Sul), administradora do Porto Seco, notificou as empresas para quitar os valores referentes à permanência dos caminhões e da carga no recinto alfandegado, que ultrapassa os R$ 45 mil. A defesa, porém, contesta a cobrança sob o argumento de que a retenção foi determinada pela Receita Federal e, por isso, os custos não poderiam ser repassados aos proprietários dos veículos.

Leandro relata que os prejuízos vão muito além da retenção da carga. "Nós temos caminhões parados, motoristas aguardando liberação, cobrança de estadias e armazenagem e ainda o desgaste da imagem das empresas junto aos importadores", afirma.

No pedido de providências encaminhado ao MPF (Ministério Público Federal), a defesa sustenta que a Receita Federal manteve os caminhões retidos sem apresentar documentação técnica que justificasse a medida.

O documento cita que a própria Polícia Federal registrou não ter acompanhado o suposto teste preliminar que indicaria a presença de cocaína e que não recebeu laudo, termo de constatação ou qualquer registro técnico que comprovasse a metodologia utilizada ou a cadeia de custódia do exame.

Também destaca que os testes realizados posteriormente pela PF e o laudo pericial definitivo apresentaram resultado negativo para cocaína nas amostras analisadas.

Madeira apreendida após erro deixa dano "incalculável", dizem transportadoras
Amostra da aroeiras apreendidas pela Polícia Federal e levadas para Brasília (Foto: Reprodução/Laudo)

Outro ponto questionado pela defesa é a permanência dos caminhões no Porto Seco. A defesa afirma que a Receita Federal possui estrutura própria para guarda de veículos na Alfândega de Corumbá, no Porto Esdras, e questiona por que os caminhões permaneceram na Agesa, onde passaram a gerar despesas de armazenagem e estadia.

"A partir do momento em que a Receita Federal determinou a retenção dos caminhões, entendemos que as diárias passam a ser responsabilidade do Estado. Não faz sentido cobrar das transportadoras por uma decisão administrativa que elas não tomaram", disse.

Enquanto aguarda a conclusão do inquérito, a defesa afirma que os caminhões continuam retidos e que a Receita Federal ainda aguarda o resultado do último laudo do Instituto Nacional de Criminalística para decidir sobre a liberação definitiva da carga.

"Ainda não houve a liberação definitiva. A Receita Federal aguarda o último laudo do Instituto Nacional de Criminalística. Enquanto isso, os caminhões permanecem parados e os prejuízos continuam aumentando", concluiu.

Madeira apreendida após erro deixa dano "incalculável", dizem transportadoras
Processo de extração da serragem da madeira apreendida em Corumbá realizado pelos perítos (Foto: Reprodução/Laudo)

Relembre - Em 21 de junho, a Receita Federal divulgou nota informando a apreensão de 260 toneladas de madeira com suspeita de contaminação por cocaína, em uma operação realizada em Corumbá (MS) e Cáceres (MT). Na ocasião, o órgão classificou a ação como a "maior apreensão" de cocaína já registrada. Segundo a Receita, a droga estaria impregnada na madeira em estado líquido, utilizada como selante, e a apreensão foi resultado de um intercâmbio de informações entre autoridades do Brasil, dos Estados Unidos e da Bolívia.

No início de julho, o Campo Grande News revelou que os testes realizados pela Polícia Federal no dia da apreensão e pela polícia boliviana, tanto na data da ocorrência quanto no início daquele mês, apresentaram resultado negativo para a presença de cocaína. Dias depois, o laudo pericial definitivo da Polícia Federal, elaborado a partir das amostras enviadas para Brasília, confirmou a ausência do entorpecente.

Após a conclusão do laudo, a Polícia Federal instaurou investigação para apurar a origem da informação que levou à suspeita de que a carga de madeira estaria impregnada com cocaína.

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