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Interior

Mesmo após afastar trabalhadores, usina confirma indígenas com novo coronavírus

Unidade de açúcar e álcool testou 200 funcionários e aguardava mais quatro resultados

Por Jones Mário | 25/05/2020 10:40
Nas margens da MS-156, usina da Raízen em Caarapó produz açúcar e destila álcool (Foto: Reprodução/Raízen)
Nas margens da MS-156, usina da Raízen em Caarapó produz açúcar e destila álcool (Foto: Reprodução/Raízen)

A usina de açúcar e álcool da Raízen em Caarapó - distante 270 quilômetros de Campo Grande - confirmou ao prefeito do município, André Nezzi (PSDB), a contaminação de dois trabalhadores indígenas com novo coronavírus. A unidade já havia afastado todos os seus funcionários indígenas há dez dias.

Em comunicado ao prefeito, a Raízen diz que, “por cautela”, submeteu todos os trabalhadores indígenas da usina a testes por biologia molecular, considerado “padrão ouro” para identificar a contaminação pela covid-19.

Nezzi escreveu que 200 exames foram realizados. De acordo com a Raízen, outros quatro resultados ainda são aguardados.

A usina relatou ao prefeito de Caarapó que os demais trabalhadores que tiveram contato com os dois indígenas contaminados testaram negativo para novo coronavírus. A Raízen alega que acionou Funai (Fundação Nacional do Índio) e Sesai (Secretaria Especial de Saúde Indígena).

“Nossa equipe da secretaria municipal de Saúde e também do Comitê Municipal de Combate ao Coronavírus, juntamente com equipes da Sesai, assim que acionados pela empresa, já estão trabalhando para isolar os dois rapazes e também outras pessoas que tiveram contato com eles”, completou André Nezzi, em publicação no Facebook.

Localizada no município, a Terra Indígena Caarapó abriga pelo menos 5 mil guaranis, entre kaiowás e ñandevas. Parte trabalha nas lavouras de cana-de-açúcar que alimentam as usinas de álcool na região.

Até ontem (24), a SES (Secretaria de Estado de Saúde) contava somente um caso confirmado de novo coronavírus em Caarapó. A prefeitura local já identificou dois outras ocorrências, porém, importadas de Osasco (SP).

Boletim de domingo da SES ainda apontava para 17 casos suspeitos do município ao sul do Estado sob investigação em laboratório.

Nota - A Raízen afirma que os indígenas contaminados não apresentaram sintomas. A empresa confirma que assegurou os direitos trabalhistas, com pagamento de salários e benefícios, aos 200 funcionários indígenas afastados, que atuam na frente de plantio de cana em Caarapó.

Segundo o grupo, foram distribuídos sabonete líquido, álcool em gel e máscaras para funcionários e familiares. Trabalhadores indígenas receberam comunicações personalizadas em guarani, como panfletos.

Em resposta à reportagem, a Raízen citou também que prefeito e líderes da comunidade indígena sinalizaram a possibilidade da contaminação ter acontecido após visitas a familiares em Dourados, distante 50 quilômetros de Caarapó, onde os casos crescem desenfreadamente.

*matéria alterada às 11h50min para acréscimo de informações.