ACOMPANHE-NOS     Campo Grande News no Facebook Campo Grande News no Twitter Campo Grande News no Instagram
MARÇO, SEGUNDA  04    CAMPO GRANDE 24º

Interior

MPF abre inquérito para apurar negligência em morte de grávida e bebê

Para evitar novos casos, MPF apura ausência de plantonistas na data da morte de Lalinda Duram e bebê

Por Alison Silva | 20/11/2023 16:08
Unidade de Saúde da Aldeia Potrero Guassu (Foto: Divulgação)
Unidade de Saúde da Aldeia Potrero Guassu (Foto: Divulgação)

O MPF (Ministério Público Federal) abriu um inquérito para apurar possível negligência do DSEI-MS (Distrito Sanitário Indígena de Mato Grosso do Sul) sobre a morte da indígena Lalinda Duram, grávida de oito meses. A mulher de 37 anos morreu na madrugada do dia 14 de junho deste ano, na Aldeia Potrero Guassu, em Paranhos, cidade a 462 quilômetros de Campo Grande.

Em publicação oficial, o MPF disse que a instauração do inquérito é para esclarecer o fato e prevenir novos casos. O Ministério Público disse que as investigações buscarão “apurar eventuais falhas e omissões estatais que podem ter contribuído, ocasionado o óbito da paciente (...) visando a esclarecer os fatos e prevenir sua repetição, além de buscar tornar efetiva a prestação do serviço de plantão de saúde do DSEI/MS à população indígena local". À época, o caso foi acompanhado de perto pelo Cimi (Conselho Indigenista Missionário).

De acordo com o Diário Oficial do MPF, o inquérito busca novas informações a respeito da existência de alteração no pacto com a Prefeitura de Paranhos sobre o atendimento emergencial com envio de ambulâncias às aldeias da região de Paranhos. Após o óbito de Lalinda Duram, a prefeitura disse que foi elaborado um novo protocolo de atendimento imediato às gestantes que solicitarem transporte de emergência, não mais limitando o acesso às viaturas ao pedido do DSEI. O inquérito quer informações a respeito da existência de um sistema de registro de ligações recebidas pelo DSEI, para saber se havia plantonista, com a função de atender as chamadas de urgência, no dia dos fatos envolvendo a paciente. O prazo do inquérito é de 30 dias.

O fato - Na ocasião, familiares buscaram contato com o DSEI e ligaram para a plantonista dez vezes. Sem resposta, Lalinda que estava em trabalho de parto foi levada para o Polo do Dsei em Paranhos, entretanto não foi atendida.

Diante da situação, uma vizinha que estava com a grávida buscou encaminhar a indígena para o hospital da cidade, no entanto, um atendente teria dito que a ambulância só poderia ir ao local com autorização da Sesai (Secretaria de Saúde Indígena). Lalinda foi encaminhada para o hospital junto com seu marido em um carro particular, no entanto, ao chegarem para o atendimento, ela e o bebê não resistiram.

De acordo com o delegado Raul Henrique Oliveira da Costa, o marido da indígena foi até a delegacia registrar o boletim de ocorrência, mas o médico ainda não havia atestado o óbito. Ele foi ouvido e disse que a mulher teria passado mal e reclamou de dores na cabeça e estômago na noite do dia 13 de junho.

A Polícia Civil foi acionada pelo hospital e o corpo da indígena foi levado para o IML (Instituto Médico Legal), onde foi constatado não haver sinais e violência ou outro indício de um possível crime. A unidade de saúde foi informada e então foi confirmada a morte da indígena. O caso foi registrado como morte natural.

“O marido disse que ela tomou um remédio e foi dormir. Acordou novamente na madrugada passando mal e apresentou fraqueza. Eles tentaram acionar a Sesai por cerca de 20 minutos e, como ela estava muito fraca, pediram ajuda ao vizinho que levou ela de carro até o hospital. Tomamos todas as cautelas, ela passou por dois médicos, o do hospital e o legista”, afirmou o delegado. À polícia, o marido teria dito ainda que durante toda a gestação a mulher fez o acompanhamento pré-natal e não tinha problemas de saúde.

Receba as principais notícias do Estado pelo Whats. Clique aqui para acessar o canal do Campo Grande News.

Nos siga no Google Notícias