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Interior

Mulher que matou homem queimado vivo em banheiro tem prisão preventiva decretada

Vítima era moradora de rua e estava se abrigando do frio no momento em que percebeu as chamas no local

Por Clara Farias e Helio de Freitas, de Dourados | 23/05/2026 11:47
Mulher que matou homem queimado vivo em banheiro tem prisão preventiva decretada
Loara sendo conduzida para a Delegacia de Polícia Civil de Dourados (Foto: Leandro Holsbach)

Loara de Oliveira Ansini, de 36 anos, acusada de provocar o incêndio que matou Gilvan de Assis Figueiredo na madrugada de sexta-feira (22), teve a prisão em flagrante convertida em preventiva durante audiência de custódia realizada neste sábado (23). O crime ocorreu em Dourados, a cerca de 250 quilômetros de Campo Grande.

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Loara de Oliveira Ansini, de 36 anos, teve a prisão preventiva decretada após ser acusada de atear fogo em um banheiro onde Gilvan de Assis Figueiredo dormia, em Dourados. Ela alegou que o incêndio foi acidental, ocorrido enquanto procurava crack no chão. O juiz rejeitou a versão e citou gravidade da conduta e risco de reiteração. A vítima morreu carbonizada.

Em depoimento à polícia, Loara afirmou que passou a noite de quinta-feira com a vítima e que os dois fizeram uso de drogas juntos. Ela admitiu ter ficado “muito entorpecida”, além de bêbada.

Segundo o boletim de ocorrência, a mulher contou que, em determinado momento, começou a acender um isqueiro próximo à porta do banheiro onde Gilvan dormia para procurar pedras de crack no chão. Ela afirmou ainda que colocou fogo em algumas sacolas usadas pelos dois e depois saiu do local para comprar mais drogas.

Ela disse que não percebeu que o cômodo havia sido incendiado e só descobriu a morte da vítima quando estava na Praça Paraguai. “Estava louca, drogada e também bêbada”, afirmou em depoimento. Loara sustenta que não sabia que Gilvan estava dentro do banheiro e alegou que o incêndio foi um acidente.

Apesar da versão apresentada pela suspeita, o juiz responsável pela audiência entendeu que há elementos suficientes para manter a prisão preventiva. Na decisão, o magistrado destacou a “gravidade concreta da conduta” e apontou que a investigada teria ateado fogo no banheiro utilizado como abrigo pela vítima ao lançar um objeto incendiário para dentro do cômodo.

Ainda conforme a decisão, Gilvan chegou a pedir socorro após o início do incêndio. O juiz também destacou que o fogo foi provocado em um espaço pequeno e fechado, usado como refúgio por uma pessoa em situação de extrema vulnerabilidade, o que demonstraria “especial brutalidade na execução”.

O magistrado também considerou haver risco de reiteração criminosa e possibilidade de fuga. Conforme os autos, Loara possui condenação anterior por furto qualificado e chegou a ser considerada em local incerto em um processo de execução penal.

O crime aconteceu na madrugada de sexta-feira (22). Imagens de câmeras de segurança registraram o momento em que Loara chega em frente ao banheiro onde Gilvan estava e, poucos segundos depois, as chamas tomam conta do local. O homem gritou por socorro, mas morreu carbonizado antes da chegada do Corpo de Bombeiros.