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Munição intacta é retirada do intestino de homem durante cirurgia

Paciente tem transtorno de pica, que provoca ingestão persistente de objetos que não são alimentos

Por Gustavo Bonotto | 13/08/2026 20:03
Munição intacta é retirada do intestino de homem durante cirurgia
Bala foi recolhida e será periciada pela Polícia Civil. (Foto: Babalizando MS)

Homem de 44 anos passou por cirurgia para retirada de uma munição intacta calibre .380 do intestino na noite de segunda-feira (10), no Hospital Municipal de Sidrolândia, a 71 quilômetros de Campo Grande. O médico responsável acionou a polícia depois de encontrar o objeto durante o procedimento. A equipe médica também informou que o paciente havia ingerido um sabonete e uma sacola e possui histórico recorrente desse comportamento.

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Homem de 44 anos com diagnóstico de pica passou por cirurgia para retirada de uma munição calibre .380 do intestino no Hospital Municipal de Sidrolândia, a 71 km de Campo Grande. O paciente também havia ingerido um sabonete e uma sacola. O pai afirmou desconhecer a origem da munição. A pica é um transtorno caracterizado pela ingestão persistente de materiais sem valor nutritivo e está associada a fatores como deficiência de ferro e transtornos mentais.

O caso, no entanto, só veio a público nesta quinta-feira (13). Segundo o boletim de ocorrência obtido pelo Campo Grande News, o pai do rapaz afirmou que não possui arma de fogo em casa e desconhecia a origem da munição. Ele acredita que o filho possa ter encontrado o objeto na rua antes de engoli-lo.

O médico informou que o paciente apresentava fala desconexa e permanecia sedado por causa da cirurgia. Por esse motivo, ele não respondeu a perguntas sobre a procedência da munição naquele momento. O parecer médico indicava que o homem não apresentava risco até o registro da ocorrência.

O paciente possui diagnóstico de pica, condição também conhecida como alotriofagia, picafagia ou picacismo. O transtorno se caracteriza pela ingestão persistente, por pelo menos um mês, de substâncias ou materiais que não são alimentos e não têm valor nutritivo. Papel, terra, cabelo, tinta, tecido e outros objetos estão entre os itens descritos em pacientes com o quadro.

Entenda - Apesar de às vezes ser chamada de síndrome, a pica é classificada como um transtorno da alimentação e da ingestão de alimentos. Conforme estudo publicado no Jornal da USP (Universidade de São Paulo), não há uma frequência exata que permita defini-la simplesmente como rara, pois estudos usam critérios diferentes e muitos casos não são relatados. A condição aparece com maior frequência em crianças, gestantes e pessoas com deficiência intelectual, embora também possa ocorrer em outros adultos.

Ainda de acordo com o artigo, a medicina ainda não estabeleceu uma causa única para o desenvolvimento da pica. Estudos relacionam o comportamento a fatores como deficiência de ferro e outros nutrientes, gravidez, estresse, hábitos aprendidos e alguns transtornos do desenvolvimento ou da saúde mental. Essas associações não significam, porém, que um desses fatores explique necessariamente cada caso.

As consequências dependem principalmente do material ingerido e da quantidade. Objetos podem provocar obstrução intestinal, enquanto determinadas substâncias oferecem risco de intoxicação, infecções ou parasitoses. Em casos de bloqueio do sistema digestivo, o paciente pode apresentar dor abdominal, náusea e inchaço e até precisar de cirurgia, como no caso sidrolandense.

O tratamento varia conforme a origem e as consequências do transtorno. Profissionais podem investigar deficiências nutricionais, tratar complicações e adotar estratégias de modificação do comportamento, de acordo com cada paciente. Não existe um tratamento único para todos os casos, e o acompanhamento deve considerar tanto a ingestão recorrente quanto eventuais condições associadas.