Munição intacta é retirada do intestino de homem durante cirurgia
Paciente tem transtorno de pica, que provoca ingestão persistente de objetos que não são alimentos
Homem de 44 anos passou por cirurgia para retirada de uma munição intacta calibre .380 do intestino na noite de segunda-feira (10), no Hospital Municipal de Sidrolândia, a 71 quilômetros de Campo Grande. O médico responsável acionou a polícia depois de encontrar o objeto durante o procedimento. A equipe médica também informou que o paciente havia ingerido um sabonete e uma sacola e possui histórico recorrente desse comportamento.
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O caso, no entanto, só veio a público nesta quinta-feira (13). Segundo o boletim de ocorrência obtido pelo Campo Grande News, o pai do rapaz afirmou que não possui arma de fogo em casa e desconhecia a origem da munição. Ele acredita que o filho possa ter encontrado o objeto na rua antes de engoli-lo.
O médico informou que o paciente apresentava fala desconexa e permanecia sedado por causa da cirurgia. Por esse motivo, ele não respondeu a perguntas sobre a procedência da munição naquele momento. O parecer médico indicava que o homem não apresentava risco até o registro da ocorrência.
O paciente possui diagnóstico de pica, condição também conhecida como alotriofagia, picafagia ou picacismo. O transtorno se caracteriza pela ingestão persistente, por pelo menos um mês, de substâncias ou materiais que não são alimentos e não têm valor nutritivo. Papel, terra, cabelo, tinta, tecido e outros objetos estão entre os itens descritos em pacientes com o quadro.
Entenda - Apesar de às vezes ser chamada de síndrome, a pica é classificada como um transtorno da alimentação e da ingestão de alimentos. Conforme estudo publicado no Jornal da USP (Universidade de São Paulo), não há uma frequência exata que permita defini-la simplesmente como rara, pois estudos usam critérios diferentes e muitos casos não são relatados. A condição aparece com maior frequência em crianças, gestantes e pessoas com deficiência intelectual, embora também possa ocorrer em outros adultos.
Ainda de acordo com o artigo, a medicina ainda não estabeleceu uma causa única para o desenvolvimento da pica. Estudos relacionam o comportamento a fatores como deficiência de ferro e outros nutrientes, gravidez, estresse, hábitos aprendidos e alguns transtornos do desenvolvimento ou da saúde mental. Essas associações não significam, porém, que um desses fatores explique necessariamente cada caso.
As consequências dependem principalmente do material ingerido e da quantidade. Objetos podem provocar obstrução intestinal, enquanto determinadas substâncias oferecem risco de intoxicação, infecções ou parasitoses. Em casos de bloqueio do sistema digestivo, o paciente pode apresentar dor abdominal, náusea e inchaço e até precisar de cirurgia, como no caso sidrolandense.
O tratamento varia conforme a origem e as consequências do transtorno. Profissionais podem investigar deficiências nutricionais, tratar complicações e adotar estratégias de modificação do comportamento, de acordo com cada paciente. Não existe um tratamento único para todos os casos, e o acompanhamento deve considerar tanto a ingestão recorrente quanto eventuais condições associadas.


