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Interior

PM aposentado preso por sequestro tentou ser vereador em 2020

Miguel Arcanjo da Silva, o Cabo Baiano, se apresentava como pistoleiro e foi contratado para o crime

Por Geisy Garnes e Sidney Assis, de Coxim | 19/10/2021 14:59
O policial tentou uma vaga no Legislativo municipal no ano passado.
O policial tentou uma vaga no Legislativo municipal no ano passado.

O policial militar aposentado preso na manhã desta terça-feira (19), por participar de sequestro e extorsão de um idoso de 65 anos em Coxim – cidade a 260 quilômetros de Campo Grande – foi candidato a vereador nas eleições municipais de 2020. Miguel Arcanjo da Silva, conhecido como Cabo Baiano, foi contratado como pistoleiro para forçar a vítima a transferir terras aos autores do crime.

Miguel foi preso ao ser encontrado escondido no banheiro da residência de João Norberto de Carvalho, o ‘João Fazendeiro’, de 76 anos, com um revólver calibre 38, sem registro. Foi no mesmo endereço que a vítima ficou em cárcere, após ser retirada de casa sob ameaças de morte, por volta das 6 horas.

Quem contou a polícia que ele estava na casa foi a própria vítima, que identificou o policial como pistoleiro. Segundo o delegado Felipe de Oliveira Paiva, o suspeito se apresentava na cidade como autor de execuções pagas. Por isso, foi contratado pela família para participar do crime e fazer ameaças de morte ao idoso.

No ano passado, Miguel foi candidato a vereador pelo PV (Partido Verde), mas ganhou apenas oito votos. Além dele e do dono da casa, foram presos a esposa de João, Neusa Carvalho Cassimiro, de 56 anos e Orlando Henrique de Carvalho, o filho do casal de 34 anos.

O caso - Ao Campo Grande News, o delegado explicou que autores e vítima são amigos de “longa data”, mas uma briga por terras pôs fim à relação. A disputa foi parar na Justiça e neste mês, a decisão foi favorável à vítima.

Desde que a ordem judicial determinou que as terras ficassem com o idoso de 65 anos, Orlando Henrique voltou a enviar mensagens ao antigo amigo da família. A intenção, afirmava, era vender uma carga de sal mineral para gado.

Ao longo da última semana, o homem de 34 anos tentou convencer a vítima a encontrá-lo. Depois das conversas, marcou de ir até a casa do idoso para levar o produto. “Ele armou a casinha para vítima. Hoje, às 6 horas da manhã, apareceu na casa dela com o pai, a mãe e o pistoleiro e armados, a obrigaram a entrar no carro”, relatou o delegado.

Segundo testemunhas, João desceu do carro do filho com arma em punho e rendeu o antigo amigo. Só mais tarde, a polícia descobriu que a pistola usada por ele era de brinquedo. Com ameaças, a família e o policial forçaram a vítima a entrar no próprio carro. Orlando assumiu a direção e dirigiu até a casa dos pais.

O que eles não contavam é que a cena foi flagrada por vizinhos, que imediatamente avisaram a família do idoso e a Polícia Civil. “Descobrimos então essa briga judicial e fomos até a casa dos autores, descobrimos os dois carros na garagem”, detalhou Felipe de Oliveira. As equipes entraram na casa e logo encontraram a vítima.

Aos policiais, a vítima contou foi ameaçada de morte durante todo o tempo em que estava presa na casa dos autores. Detalhou também que a família exigia que fosse até o cartório da cidade para registrar escritura das terras perdidas judicialmente para o nome de João Norberto. Caso contrário, seria assassinada pelo pistoleiro.

Os quatro suspeitos respondem por extorsão mediante restrição de liberdade, crime popularmente conhecido como sequestro-relâmpago, porte ilegal de arma, já que o policial militar não tinha registro do revólver calibre 38 e ainda posse irregular de munição, isso porque as equipes encontraram munições no guarda-roupa de João Norberto.

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