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Interior

Policiais à paisana são confundidos com pistoleiros e presos por indígenas

Assim que foram identificados, os dois policiais federais foram liberados pela comunidade do Tekoha Jopara

Adriano Fernandes e Helio de Freitas | 29/09/2022 22:04
Residência no Tekoha Jopara, retomada em Coronel Sapucaia (MS). (Foto: comunidade Guarani Kaiowá)
Residência no Tekoha Jopara, retomada em Coronel Sapucaia (MS). (Foto: comunidade Guarani Kaiowá)

Dois policiais federais à paisana foram confundidos com pistoleiros e detidos por indígenas Guarani Kaiowá do tekoha Jopara, nesta quinta-feira (29) na retomada localizada em Coronel Sapucaia, a cerca de 396 quilômetros de Campo Grande. Assim que foram identificados, os dois policiais federais foram liberados pela comunidade, segundo o Cimi (Conselho Indigenista Missionário).

Segundo o relato de lideranças da retomada à entidade, os indígenas viram homens armados circulando em uma caminhonete Hilux e acreditaram que fossem pistoleiros contratados por fazendeiros da região. Os indígenas também relataram que, enquanto a caminhonete rondava a retomada, um drone sobrevoava a comunidade

Temendo ser atacados, eles prenderam os homens e alertaram as autoridades, ainda conforme o Cimi. Como os policiais não possuíam identificação, as lideranças Guarani Kaiowá não acreditaram que eles eram agentes da PF (Polícia Federal). Por isso, avisaram as Defensorias Públicas da União (DPU) e do Estado (DPE), a Fundação Nacional do Índio (Funai), o Ministério Público Federal (MPF) e a própria PF. Contudo, as autoridades confirmaram que os dois homens eram, de fato, agentes policiais e eles foram liberados pelos Guarani Kaiowá.

Retomada - O Tekoha Jopara foi retomado em maio, em meio ao conflito em que o jovem Guarani Kaiowá Alex Lopes, de 18 anos, foi morto.  Segundo os indígenas, Alex teria sido morto na fazenda que, desde então, está sob a posse dos Guarani Kaiowá. A fazenda retomada é vizinha à Terra Indígena (TI) Taquaperi e próxima à fronteira com o Paraguai, onde o corpo de Alex foi encontrado no dia 21 de maio.

Desde então, a situação na região tem sido tensa, com ameaças e a presença constante de homens armados e seguranças privados, segundo o Cimi.  Numa ação judicial de reintegração de posse, que tramita na Justiça Estadual, os proprietários da área buscam obter o despejo dos indígenas.

Além disso, a esfera de tramitação de processos judiciais envolvendo povos indígenas é federal, e a DPE recorreu que a ação seja transferida para a esfera federal. Neste processo, os fazendeiros também pediram autorização para realizar a colheita do milho plantado na fazenda antes da retomada. O pedido foi concedido, mas com a condição de que a colheita seja realizada com apoio de uma operação policial e que a DPE e a DPU sejam comunicadas com antecedência.


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