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Interior

Preso na Bahia marido de “patroa do tráfico” que é suspeita de ordenar mortes

Mauricio Alberto Pallos de Souza, o “Mau-Mau”, é integrante da facção “Bonde do Maluco”

Por Helio de Freitas, de Dourados | 10/03/2021 22:57
Mauricio de Souza (à direita), ao lado de comparsa de crime, em 2014 (Foto: Divulgação)
Mauricio de Souza (à direita), ao lado de comparsa de crime, em 2014 (Foto: Divulgação)

Foi preso nesta quarta-feira (10) em Salvador (BA) o marido de Camila Zeballos Villa Alta, 28, a “patroa do tráfico” presa ontem acusada de ser dona das sete toneladas de maconha aprendidas pela Defron (Delegacia Especializada de Repressão a Crimes de Fronteira) em Ponta Porã.

Mauricio Alberto Pallos de Souza, 30, o “Mau-Mau”, foi flagrado por policiais baianos com veículos roubados que seriam usados no tráfico. Os detalhes da prisão ainda não foram informados.

A polícia da Bahia estava no encalço dele após policiais de Mato Grosso do Sul descobrirem que a quadrilha chefiada por Maurício e Camila é uma das principais fornecedoras de maconha e pasta-base de cocaína para aquele Estado, além de levar droga para Minas Gerais e São Paulo.

Com extensa ficha criminal em Salvador, Camaçari e Lauro de Freitas, inclusive latrocínio (roubo seguido de morte), Maurício é apontado como líder da facção “Bonde do Maluco”, uma das principais quadrilhas do chamado “Novo Cangaço”, responsável por assaltos a agências bancárias e carros-fortes em vários estados brasileiros.

Segundo as investigações da Defron, Camila e Rodrigo Ribeiro da Silva, 35, – gerente da quadrilha ferido a tiros pelos policiais ao sacar revólver calibre 38 durante invasão do depósito, na segunda-feira – eram os responsáveis pela remessa de drogas da fronteira para os outros Estados.

Localizada pela polícia ontem de manhã no aeroporto de Dourados, Camila se preparava para embarcar para a capital baiana com as duas filhas, de 5 e 8 anos. Em Salvador, ela esperava ser protegida pela facção do marido, pois a Defron já havia descoberto a ligação dela com a carga.

Maurício Alberto Pallos de Souza (Foto: Reprodução)
Maurício Alberto Pallos de Souza (Foto: Reprodução)

Execuções – Camila também é suspeita de ter ordenado a execução de dois homens e uma mulher, na semana passada, em Ponta Porã. As vítimas seriam integrantes da quadrilha chefiada por Camila e Maurício e teriam sido executadas por “problemas internos”.

A própria Camila teria degolado Wathylla Pereira Soares, 26. Natural de Araguaína (TO), ele foi encontrado morto no final da tarde de quarta-feira (3) em uma rua de terra na região do Jardim Monte Alto, próximo à MS-164, em Ponta Porã.

No dia seguinte, a cem metros do local onde Wathylla foi degolado, foram encontrados os corpos de Adeilton Rocha dos Santos, 52, natural de Flexeiras (AL), e de Maria Carolina Alves Pulquerio, 18, natural de Anápolis (GO). Os dois foram executados com tiros de pistola 9 milímetros.

No auto de prisão em flagrante relatado ao Poder Judiciário, o delegado Rodolfo Daltro, titular da Defron, pediu a prisão preventiva de Camila e Rodrigo por indícios de integrarem “sofisticada associação para o tráfico”. Ela e os outros quatro presos estão na Polícia Civil em Ponta Porã. Rodrigo continua internado, sob escolta policial.

Água mineral – A quadrilha chefiada por Camila e “Mau-Mau” enviava os carregamentos de maconha e pasta-base escondidos em cargas aparentemente lícitas, principalmente de aveia, fertilizante e fardos de água mineral.

Em janeiro deste ano, policiais do DOF (Departamento de Operações de Fronteira) apreenderam três toneladas de maconha despachados pela quadrilha sob fardos de água mineral em um caminhão-baú interceptado na região conhecida como “Copo Sujo”, nos limites dos municípios de Ponta Porã, Dourados e Maracaju.

O caminhão estava sendo conduzido por morador de Anastácio (MS). Ele alegou ter sido contratado na cidade onde mora por pessoas desconhecidas e levado até Ponta Porã, onde pegou o caminhão já carregado para seguir viagem até Campo Grande.

No depósito descoberto segunda-feira em Ponta Porã, as equipes da Defron encontraram vários fardos de água mineral que seriam usados para disfarçar carregamento de drogas.

A maconha que era colocada na carreta quando os policiais chegaram ao barracão estava sendo disfarçada com sacos de fertilizante, mas a Defron acredita que a água mineral seria usada no próximo carregamento.

Crack e cocaína – Em julho de 2014, Maurício Alberto Pallos de Souza, na época com 24 anos, e Jadielson da Paixão Cerqueira, o “Cheio de Ódio”, então com 22, mataram Fábio de Assis Lopes, 34, em Lauro de Freitas, cidade na região metropolitana de Salvador.

Fábio conversava com três amigos quando Maurício, Jadielson e outros dois bandidos chegaram em um Vectra.

A quadrilha tentou roubar a corrente de ouro de Fábio. Um dos amigos da vítima era policial e reagiu. Houve troca de tiros. Fábio foi atingido e morreu. Presos dois meses depois, Maurício e Jadielson afirmaram que estavam sob efeito de crack e cocaína e que não tinham a intenção de matar ninguém.

Caminhão com maconha sob água mineral, apreendido em janeiro (Foto: Adilson Domingos)
Caminhão com maconha sob água mineral, apreendido em janeiro (Foto: Adilson Domingos)


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