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Campo Grande, Sexta-feira, 15 de Dezembro de 2017

15/06/2016 09:23

Produtores usaram retroescavadeira para retomar área invadida por índios

Renata Volpe Haddad e Helio de Freitas, de Caarapó
Indígenas relatam que fazendeiros entraram com retroescavadeira na fazenda invadida, derrubando cerca e passando por cima de motos e bicicltas. (Foto: Alô Caarapó)Indígenas relatam que fazendeiros entraram com retroescavadeira na fazenda invadida, derrubando cerca e passando por cima de motos e bicicltas. (Foto: Alô Caarapó)

Os indígenas da aldeia Te’yikuê que estão na fazenda Yvu, em Caarapó, distante 283 km de Campo Grande, relaram à reportagem do Campo Grande News, que os fazendeiros entraram com uma retroescavadeira, derrubando cercas, passando por cima de motos e bicicletas durante o confronto na manhã de ontem (14).

Eles apontam como comandante direto do confronto, o presidente do Sindicato Rural de Caarapó, Antônio Maran, além de outras duas pessoas identificadas apenas como João Camacho e outro chamado de Virgílio. Os indígenas afirmam também que o prefeito, Mário Valério, estava presente no conflito, mas não participou do ataque.

Motos e bicicletas foram enterradas pela retroescavadeira, além de um barraco montado pelos indígenas, que tinha utensílios e comida, também foram destruídos durante o ataque.

Um dos líderes indígenas relatou ao repórter do Campo Grande News que um dos coletes que foi pego do policial militar ontem, foi entregue ao tenente coronel Carlos Silva nesta manhã.

A indígena Marcelina Almeida Marques, 72, mãe de um dos feridos no confronto, afirmou que não aguenta mais estes conflitos e que a luta dos índios é pela terra. "Se for preciso morre todo mundo aqui, mas ninguém mais sai da fazenda, essa terra é nossa. Sempre morre índio nesses conflitos e os produtores continuam impunes", afirma emocionada.

Entenda a situação - Desde a noite de domingo (12), mais de mil indígenas da aldeia Te’yikuê, ocuparam a fazenda Yvu. Produtores foram até o local para libertar funcionários que estariam sendo mantidos como reféns e houve confronto, resultando em um morto, duas pessoas queimadas e outros feridos.

Após o confronto, os índios bloquearam a estrada MS-280, que corta a aldeia Te’yikuê. Revoltado por não conseguir passar, o motorista de um caminhão teria jogado o veículo contra os índios, que teriam colocado fogo no veículo.

A informação do comando da PM, em Caarapó, é de que três policiais também ficaram feridos. Os militares foram ao local para escoltar os bombeiros durante o resgate dos feridos e foram rendidos pelos indígenas depois que o pneu da viatura furou. A estrada de acesso está bloqueada em três pontos.



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